2- Arbitragem: A minha experiência

por Vitor Santos | 2016.01.21 - 10:10

 

Quando iniciei a minha atividade de treinador, no campeonato do escalão de infantis da AFV, nem sempre tínhamos árbitros para os jogos e existia sempre essa expetativa até, quase, à hora de início do jogo. Era uma incerteza que não permitia a melhor preparação para o jogo, o aquecimento era condicionado, por não se saber a que horas começariam os jogos e quem o arbitraria. Hoje todos os jogos estão assegurados por árbitros encartados o que só por si faz toda a diferença.

Durante esses anos em que estive como treinador nunca fui advertido ou admoestado por um árbitro. Nunca fui castigado. E houve quem fez por isso, quem tudo fez para tirar-me do sério.

Recusei-me em alguns jogos, a cumprimentar a equipa de arbitragem numa demonstração de desagrado pelo comportamento que tiveram. Em uma dessas ocasiões um árbitro gritou: “ao senhor treinador cumprimente, não seja mal-educado” e em outra um outro mandou mensagem pelo capitão de equipa de que eu era um mal-educado porque não o fui cumprimentar. Que lata! Que mais queriam provocar?! Até hoje fiquei sem saber.

Se em alguns casos, no regional, foram por alguma vaidade parola, nos nacionais já notamos as incoerências e os desnivelamentos do campo de uma forma bastante diferente. Não por falta de competência da equipa de arbitragem, não por falta de conhecimentos mas por pressões que não percebo de onde vêm, na maioria das vezes.

Num jogo em que a minha equipa foi beneficiada pela equipa de arbitragem – de uma forma escandalosa, só senti vergonha. Cumprimentei todos os jovens adversários que revoltados – e com razão, choravam e não percebiam porque lhes aconteceu aquilo. Como já tinha e iria passar pelo mesmo só podia estar solidário com a equipa adversária. Empatámos este jogo – onde éramos favoritos, porque nem uns nem outros se entenderam com o que se passava em campo. O árbitro não é um mero prestador de serviços à competição, antes está seriamente comprometido com ela e com o que ela representa no percurso de um jovem atleta.

Não concebi muitas situações de falta de desportivismo e não estimulava simulações gratuitas por parte dos meus atletas. Estavam para jogar, para competir e não num curso de formação de ator teatral. O que hoje nos faz sorrir ao «enganar» o árbitro e sacar um penalty amanhã calha-nos a nós e choramos. E custa tanto. Que moral tem quem antes aplaudiu e incentivou para depois criticar e justificar-se com igual ato quando é do lado adversário?! Os treinadores e dirigentes provam poucas vezes, ainda, do próprio veneno.

Obviamente, não sou ingénuo. Não sou santo.

A gestão de um jogo tem muitos momentos e saber fazê-la faz parte do mesmo.

Mas são a paixão pelo jogo e o cumprir objetivos por mérito que devem motivar.

O resto é … resto.

Vitor Santos nasceu em Viseu no ano de 1967. Concluiu o Curso de Comunicação Social no IPV. Conta com várias colaborações na Imprensa Regional. Foi diretor do Jornal O Derby.

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