100 anos depois… as Terras do Demo

por Paulo Neto | 2019.05.12 - 22:20

… uniram-se por mão de Aquilino Ribeiro e através do seu romance publicado em 1919, que lhes deu o nome.

A história conta-se em poucas linhas… Sernancelhe inaugurou uma política cultural de edição muito produtiva em torno da figura do seu Escritor, nascido no Carregal, a 13 de Setembro de 1885. Foi a partir dessa vivência autobiográfica aí decorrida que Aquilino escreveu “Cinco Réis de Gente” onde tão bem retrata os seus primeiros dez anos ali vividos.

Sernancelhe em estreita colaboração com a Bertrand Editora e do seu incansável director, Eduardo Boavida, reeditaram a obra então apresentada no Pátio dos Sanhudos, no Carregal, por Jorge Coelho, para contabilizadas 430 pessoas.

Moimenta da Beira reeditou “O Homem da Nave”, obra tão ilustrativa do seu território. Estiveram no Senhor dos Aflitos, entre outros, Henrique Monteiro e Álvaro Domingues a apresentar.

Vila Nova de Paiva, por seu turno, continuou esta profícua política com a reedição de o “Malhadinhas”, o célebre e real António da Rocha Malhada, o almocreve valente, bulhento e honrado, com apresentação de Maria Eugénia Pereira, do DLC da UA.

Sempre presente o neto do Escritor, Aquilino Machado que, na senda do seu saudoso Pai, Engº Aquilino Ribeiro Machado, tem continuado na porfia da divulgação da obra de seu Avô.

Também José Eduardo Ferreira, o autarca de Moimenta da Beira e seu vereador da Cultura, Francisco Cardia. Também Carlos Silva Santiago, o autarca de Sernancelhe e o seu vereador da Cultura, Armando Mateus. Também José Morgado, o autarca de Vila Nova de Paiva e a sua vereadora da Cultura, Delfina Gomes. Também os colaboradores dos municípios com destaque para os eficazes Paulo Pinto e Graciete Salvador. Também as funcionárias da FAR, Cecília Santos e Fernanda Lisboa e demais colaboradores que me perdoarão a omissão dos nomes, nesta ancha lista.

Todos unidos em prol deste território, denominador e desígnio comum, desta feita, dia 11 de Maio, sob a égide da Fundação Aquilino Ribeiro, em Soutosa, apresentou-se a reedição de “Terras do Demo”, com a intervenção dos três autarcas que detêm, em regime de rotatividade bianual a posse e administração da Fundação, tendo José Morgado aberto o evento e anunciado que os três municípios se uniram, uma vez mais, para – novidade em primeira mão – criar o Prémio Literário Nacional Aquilino Ribeiro. Um bravo a mais esta iniciativa!

Seguiram-se-lhe Carlos Silva Santiago e José Eduardo Ferreira, que muito se congratularam pela “casa cheia” ali patenteando o interesse dos aquilinianos e a força do “interior”, capaz de superar obstáculos e de provar que a união “move montanhas “, supera assimetrias e mostra ao País a capacidade desta superior gente beiroa.

Eduardo Boavida, director da Bertrand Editora sublinhou o papel que os municípios têm tido neste “manter da chama viva” e o empenho da Bertrand em reeditar muito mais que as duas dezenas e meia de obras, o que tem vindo a fazer desde 2007.

Aquilino Machado, com emotiva expressividade, falou daquele tão querido espaço da “geografia sentimental” de seu Avô e da Família.

Ana Isabel Queiroz, docente do ES e prefaciadora da obra, referiu-se ao seu envolvimento começado com a tese de doutoramento e concretizada em posteriores publicações sobre a paisagem e a fauna local.

Finalmente, João Soares, ex-presidente da autarquia olisiponense e ex-ministro da Cultura, neto de João Soares, amigo de Aquilino, filho de Mário Soares, amigo de Aquilino e ele próprio tendo conhecido o Escritor e estado naquele privilegiado espaço de Soutosa, com o também homem das letras Manuel Mendes, relembrou um passado cívico de intervenção, luta pela República centrado nos ideais libertários, nunca perdidos de vista por Aquilino, nos seus inacabados 78 anos de vida, referindo também a profusa obra e a vastíssima erudição de que era detentor Aquilino Ribeiro.

Se ao início, a Academia de Música da Quinta do Ribeiro nos brindou com a harmonia musical, ao fim e durante a merenda, coube a vez ao Rancho Folclórico da Terra da Castanha de proporcionar uma bem congeminada coreografia criada por Armando Mateus e adaptada ao conteúdo do romance em homenagem.

O dia chegou ao fim. A convivialidade imperou e os organizadores do evento estavam felizes com o seu êxito.

A Moimenta da Beira, a Sernancelhe a Vila Nova de Paiva, à FAR e a AQUILINO se ergam as taças… com Terras do Demo!