Salvas de prata são peça do mês no Museu de Lamego

por Rua Direita | 2014.02.14 - 13:44

Ao longo do ano de 2014, o Museu de Lamego traz a público um conjunto de peças, uma por mês, que pretendem espelhar, além da qualidade, a diversidade do acervo. Depois de em janeiro a “Peça do Mês” ter eleito a pintura, fevereiro destaca a ourivesaria com duas salvas de pé alto em prata dourada.

Testemunhos de uma atmosfera de conforto e aparato, emergente nos finais da Idade Média, embora estruturalmente alteradas por uma adaptação posterior, os dois exemplares inscrevem-se numa tipologia de salvas decorativas de pé alto com a marca estética e ornamental do manuelino.

A nota mais expressiva e original destas peças reside na solução decorativa da superfície circular do prato, com um recurso a um esquema de faixas concêntricas de alvéolos hemisféricos e fiadas de pontas de diamante. Estas formas resultam de uma reciprocidade de relações entre a ourivesaria e arquitetura. Entre os mais conhecidos exemplos de apropriação do motivo das «pontas de diamante» pela arquitetura portuguesa, refira-se a celebrada Casa dos Bicos, em Lisboa.

Habitualmente exibidas em aparadores, nas salas destinadas a momentos de convívio, as salvas funcionavam como uma verdadeira metáfora da posição e hierarquia do seu proprietário.

Provenientes do antigo Paço Episcopal, as duas peças, que integram a exposição permanente do Museu de Lamego, são datadas do século XV, ainda que o pé e a aba do prato tenham sido acrescentados no século XVIII.

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