Orquestra Clássica do Centro em Cabo Verde para colaborar com nascente Orquestra Nacional

por Rua Direita | 2014.05.15 - 13:18

A Orquestra Clássica do Centro (OCC) parte sábado, dia 17 de maio, numa digressão a Cabo Verde, a convite do Ministro da Cultura, para colaborar no ato fundacional da Orquestra Nacional.

A Orquestra Nacional de Cabo Verde será apresentada em concerto no dia 21 na Cidade da Praia, capital do país, numa data propositadamente escolhida por se evocar o Dia Mundial da Diversidade Cultural.

A OCC, com sede em Coimbra, foi convidada pelo Ministro da Cultura, Dr. Mário Lúcio Sousa, a desenvolver um projeto de colaboração para a consolidação da nascente Orquestra Nacional e para atuar no seu espetáculo fundacional.

Nesse concerto atuará um Grupo de Câmara da Orquestra Clássica do Centro com um reportório de compositores que fazem parte do património musical universal, como Mozart, Ravel e Haendel, bem como da Música de Coimbra, nomeadamente de Francisco Martins.

Igualmente serão interpretadas obras orquestrais do compositor cabo-verdiano Vasco Martins e uma adaptação da morna “Sôdade”, mundialmente celebrizada por Cesária Évora, com arranjos do Maestro e Diretor Artístico da OCC David Wyn Lloyd, que integra esta digressão.

Além da participação individual, o Grupo de Câmara da OCC subirá ao palco com os músicos que formam o embrião da Orquestra Nacional, para interpretação conjunta de algumas composições. O regresso da Orquestra Clássica do Centro a Portugal está marcado para o dia 23.

Em 2005 a OCC montou um espetáculo integralmente composto por sinfonias de Vasco Martins para o projeto “Coimbra à Descoberta do Mindelo”, que levou a Coimbra o mais representativo da criação artística daquela cidade irmã cabo-verdiana.

Foi a primeira vez que uma orquestra portuguesa interpretou a obra sinfónica deste compositor cabo-verdiano, que já faz parte do reportório de orquestras de França, Brasil, Canadá ou República Checa.

Em Julho de 2008 o Pavilhão Centro Portugal, sede da OCC, foi palco dos eventos culturais e políticos das comemorações em Portugal da Independência de Cabo Verde, nas quais participou o Primeiro-Ministro, José Maria Neves, e entidades diplomáticas acreditadas em Portugal. Nesse evento foi novamente realizado um concerto dedicado à obra de Vasco Martins.

Vasco Martins, poeta, musicólogo e compositor, tem muito a ver com as ambições artísticas da OCC, por ser um autor vivo de um país de língua portuguesa, e pelos seus estudos centrados na presença da Guitarra Portuguesa em Cabo Verde, e no contributo desta para a Morna.

Vasco Martins, nas suas composições para orquestra, ou para piano e guitarra clássica – três vertentes que se destacam na sua obra – parte das raízes musicais do seu país para as cruzar com a música erudita de tradição europeia e oriental.

Por essas razões Vasco Martins foi o compositor estrangeiro em destaque nos IV Encontros Internacionais da Guitarra Portuguesa, em 2010. No concerto de encerramento foram interpretadas as suas obras, para quarteto de cordas, Azul atlântico, Poetas, Temp pum valsa, Sinfonia 1 (versão para quarteto de cordas) e Desert d’sul, esta última composta propositadamente para Guitarra Portuguesa e para estreia nesse evento.

Para a presidente da Associação da Orquestra Clássica do Centro, Emília Cabral Martins, este convite do Ministro da Cultura “é uma  honra e um fortíssimo incentivo para continuar o trabalho que a OCC vem desenvolvendo na área da Música, sempre baseado no objetivo superior de construir pontes” entre culturas diferentes.

“Esta união/comunhão de esforços com a Cultura Cabo-Verdiana, com os que tão excelentemente a defendem e promovem permite, não só respeitar diferenças, mas sobretudo partilhar um projeto comum. A OCC vai até Cabo Verde para em parceria, em sintonia cultural trabalhar com Os que naquele País reconhecem a Música como a grande embaixatriz da fraternidade e da igualdade”, acrescenta.

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