Ora diga lá, senhor presidente Carlos Silva…

por Rua Direita | 2014.11.04 - 19:44

No decurso da Festa da Castanha, em Sernancelhe, que decorreu de 31 de Outubro a 2 de Novembro, o Rua Direita entrevistou o presidente da Câmara Municipal local, Carlos Silva…

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RD: Qual o primeiro balanço da Festa da Castanha?

CS: Mais uma vez a Festa da Castanha superou as expectativas. Na sexta-feira foi um dia de abertura em cheio com a insuperável presença do secretário de Estado da Agricultura que é uma peça fundamental no desenvolvimento deste sector e nomeadamente para a castanha, que é muito importante, não só para a região como para muitas famílias deste concelho. Foi um arranque fantástico, com enorme adesão, muita gente. Os nossos comerciantes estão muito satisfeitos. E isto diz bem acerca do que este evento significa, já é e pode ainda vir a ser, numa clara lógica e dinâmica de evolução.

RD: O secretário de Estado trouxe alguma coisa de novo para os produtores de castanha, em termos práticos e de legislação?

CS: O secretário de Estado lançou duas ou três ideias muito interessantes, nomeadamente no que concerne à situação fiscal e eu creio que vai haver um alargamento em termos de isenção e face ao esforço que os produtores foram sujeitos. Até aqui era de 10 mil euros e a partir de agora será, salvo erro, de 20 a 25 mil euros. Mas isto não passa de uma proposta do secretário de Estado. Vai existir um seguro para dar cobertura às situações do tipo das acontecidas este ano com a falta da polinização. Esta foi muito reduzida devida ao excesso de pluviosidade. Houve muita chuva no final do mês de Junho e início de Julho que impediu o normal processo da polinização. As abelhas não fizeram o seu trabalho acabando por se criar um fungo que fez com que a folha e o ouriço ficassem castanhos e secos e ao atrofiarem estragaram a produção. Este ano, a quebra de produção ascende a cerca dos 70%.

RD: Esta autarquia tem-se empenhado na redignificação da castanha. Conte-nos de que modo…

CS: O castanheiro, há muitos anos atrás, era uma árvore de fruto como outra qualquer. A castanha sempre foi valorizada mas de há 12, 13 anos a esta parte, com a Festa da Castanha e com um protocolo estabelecido com a UTAD, que intervém a nível de cuidados comos soutos, com os solos, com a tinta, com o cancro e agora com esta nova doença, a vespa do castanheiro, tem havido um estímulo ao gosto pela castanha e pelo castanheiro. E tal é bem notório quando contabilizamos hoje mais 150 a 200 mil castanheiros plantados nos últimos anos. Também é verdade que alguns estão a morrer e isso implica nova reflorestação, mas o valor acrescentado que a castanha tem obtido nos últimos anos justifica-o plenamente. E veja, hoje na Festa da Castanha o quilo ronda os 3,5 euros. É uma mais-valia económica para as famílias. Voltou-se a despertar o seu interesse nesta região.

RD: Falei com alguns produtores. Alguns há que vivem exclusivamente deste fruto…

CS: Não tenho dúvidas. Temos produtores aqui que, num ano bom, têm entre 30, 40 a 50 toneladas e este ano, pelo atrás referido, estão com 11 e 17 toneladas. Veja tal diferença na produção… Para estas famílias é um ano muito mau que lhes vai causar um grande transtorno na gestão financeira diária.

RD: Esta Festa da Castanha tem imensa gente. É feita em torno da castanha mas tem mais novidades…

CS: A castanha é rainha. É o elemento aglutinador de todo o certame. Pela mão da castanha encontrámos um conjunto de produtos da nossa terra, da nossa região, produtos que saem destes solos. Mas também existe toda esta vivência gastronómica, esta associação plena a Aquilino Ribeiro… Não podemos dissociar a castanha de Aquilino pois ele foi o primeiro grande impulsionador, porque em grande parte das suas obras a castanha aparece. A gastronomia é também um elemento relevante, por isso este certame é também uma homenagem a Aquilino e à sua obra e aqui o encontramos mais os produtos que refere: os queijos, os fálgaros, os enchidos, o vinho, o pão… Também a Confraria da Castanha está presente. No fundo, matrizes da nossa cultura, da nossa tradição, da nossa vivência e da nossa ruralidade. As nossas raízes. No domingo, mais de um milhar de adeptos do ciclismo, do BTT, encheu a nossa paisagem, as nossas serranias, o nosso vale. Isto significa uma pujança e uma difusão que nos orgulha e nos diz, claramente, que estamos no caminho certo em prol do desenvolvimento do nosso território e na divulgação daquilo que faz o nosso orgulho e o orgulho dos nossos munícipes. Este evento é um sucesso. É sem quaisquer dúvidas o maior e o melhor certame que Sernancelhe organiza. É uma imagem de marca muito forte para o concelho e também já a nível nacional.

 

 

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