Músicos portugueses fundadores da Orquestra Nacional de Cabo Verde

por Rua Direita | 2014.05.22 - 13:36

Músicos caboverdianos, portugueses e luxemburgueses  fundaram a Orquestra Nacional de Cabo Verde (ONCV), que se apresentou em concerto de estreia quarta-feira à noite na Cidade da Praia, capital do país.

Num ato simbólico o Ministro da Cultura, Mário Lúcio Sousa, declarou os músicos dos três países fundadores da ONCV e atribuiu o título de maestro honorário a David Lloyd, maestro e diretor artístico da Orquestra Clássica do Centro (OCC), com sede em Coimbra.

Desse modo o governante pretendeu distinguir o contributo da OCC , que se fez representar na orquestra caboverdiana por sete músicos, executantes de violino,viola e violoncelo.

O Ministro da Cultura convidou a OCC para participar na formação musical e de técnicos, a integrar a ONCV, a ser o depositário de um acervo de músicas caboverdianas e a encarregar-se da sua transcrição e arranjos, para mais facilmente poderem ser executadas por orquestra.

David Lloyd considerou fundamental desenvolver-se formação musical no pais, designadamente em instrumentos de que a orquestra caboverdiana carece, reforçada com a  deslocação períódica de professores para a realização de “masterclasses”.

No âmbito desta parceria OCC vai receber já este mês o violinista caboverdiano Hilário Martins, para um estágio integrado na orquestra.

“A música caboverdiana é de grande beleza e é um estimulante desafio aprender o seu estilo e géneros musicais”, afirmou.

O Salão Nobre da Assembleia Nacional encheu-se quarta-feira à noite para assistir à estreia da nova orquestra, que aconteceu intencionalmente no Dia Internacional da Diversidade Cultural, que serve de matriz para o que se pretende para a ONCV, um projeto de interceção de diversidades musicais.

A estreia tornou-se também uma ato político da maior relevância, presenciado pelo corpo diplomático acreditado no país. Antes da atuação discursaram o Ministro da Cultura, Mário Lúcio Sousa, e o Primeiro-Ministro, José Maria Neves.Na primeira parte atuou o quarteto de cordas da Orquestra Clássica do Centro, para interpretar obras do caboverdiano Vasco Martins, do brasileiro Tom Jobin e do conimbricense Francisco Martins.

A última parte do concerto, já com a orquestra a integrar os músicos nacionais, portugueses e e luxemburgueses, foi preenchida com temas de compositores caboverdianos, de Bau, Vlu, Daniel Rendall e Armando Zeferino, com arranjos para orquestra.

O concerto encerrou com os trinta músicos a interpretarem a morna “Sôdade”, que Cesária Évora tornou mundialmente conhecida. Teve arranjos para orquestra de David Lloyd e foi acompanhada por coro.

A estreia da Orquestra Nacional de Cabo Verde contou com a colaboração de músicos de várias ilhas e da diáspora, e nela se integraram destacados intérpretes, alguns já com carreira internacional, como Bau, Voginha e Humbertona.

À banda do exército foram requisitados alguns executantes de instrumentos de sopro, que nos ensaios enfileiravam com os restantes no seu habitual trajo militar.

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