JANEIRO A MARÇO – NOVA TEMPORADA NO TEATRO VIRIATO

por Rua Direita | 2016.01.05 - 21:42

 

 

A nova temporada é completamente inédita na história do Teatro Viriato, porque é feita praticamente só de estreias. A abertura da nova programação, no dia 16 de Janeiro, é uma forma de programar que nunca foi feito no Teatro Viriato. Vamos utilizar os vários espaços do Teatro, numa espécie de circuito de espectáculos de Teatro de Objectos que vão juntar criadores internacionais com criadores locais. Uma proposta que termina com a atuação do Dj Set Irmãos Makossa. O Circus Lab tem continuação neste novo ano, com uma vertente de actividade criativa, mas também com um momento de reflexão sobre as artes e o novo circo, com a organização de uma conferência de internacional. Ao longo desta temporada teremos diversas estreias, como Nevoeiro Adentro, de John Mowat, Abílio, Guardador de Abelhas, de Graeme Pulleyn e Ricardo Augusto, Pedro, Pedra e Grão, de Miguel Fragata, e Suspensão, de Clara Andermatt. Trabalhar com estreia, trabalhar com as necessidades dos artistas é um desafio constante e motivador para a equipa do Teatro Viriato.

 

Paulo Ribeiro, durante a apresentação da programação de JAN a MAR’16

 

A nova temporada de janeiro a março é, segundo Paulo Ribeiro, um verdadeiro convite à viagem e à descoberta de inéditos. E, de facto, na reentre são quatro as estreias absolutas que povoam o programação e prometem conduzir o público aos mitos, lendas e incertezas da história de Portugal (Nevoeiro Adentro, de John Mowat), à complexidade da sustentabilidade ambiental e social (Abílio, Guardador de Abelhas, de Graeme Pulleyn e Ricardo Augusto), aos tons do pincel de Vasco Fernandes (Pedro, Pedra e Grão, de Miguel Fragata) e aos sons e movimentos da artista residente no Teatro Viriato em 2015 (Suspensão, de Clara Andermatt). Mas as estreias são apenas alguns dos pontos de chegada deste vasto itinerário cultural, que se inicia a 16 de janeiro com À grande e à francesa, uma programação com oito espetáculos dedicados ao Teatro de Objetos. Em 2016, o Novo Circo regressa também ao Teatro Viriato, na segunda fase do Circus Lab, vocacionada para o ensino e para a criação artística de raiz.

Propondo uma grande festa cultural, a nova programação inicia em modo À grande e à francesa, com uma programação que irá ocupar a tarde e a noite do dia 16 de janeiro, com um circuito de espetáculos dedicados ao Teatro das Pequenas Formas. Mais do que um circuito, esta é uma viagem pelos espaços do Teatro Viriato, mesmo os mais inusitados, e pelo universo de oito espetáculos de Teatro de Objetos. Cabe ao DJ set Irmãos Makossa encerrar esta festa, também com uma viagem desta vez pelas sonoridades alegres e pelos ritmos quentes africanos. Depois de uma primeira fase em 2015, o projeto Circus Lab conhece uma nova e final etapa. De 22 a 26 de janeiro, este projeto instala-se em Viseu, mas também em Tondela, São Pedro do Sul, Guimarães e Montemor-o-Novo com um momento de reflexão sobre as artes e a sua implicação no ensino, mas também de criação artística de raiz. Vários parceiros culturais irão trabalhar com escolas do distrito de Viseu em três processos artísticos distintos. O mês de janeiro termina com a reposição da peça Albertine, O continente celeste (30 de janeiro), uma vez que este espetáculo tinha sido adiado a 07 de novembro devido a motivos alheios ao Teatro Viriato. A peça conta com interpretação de Gonçalo Waddington e de Carla Maciel.

Fevereiro inicia com um cine-concerto insólito porque são os espectadores, neste caso o público escolar, a escolher os filmes a exibir. Produzido pela Companhia Caótica, Filmes Pedidos (03 a 05 de fevereiro) proporciona um improvisado encontro entre som e imagem. Uma apresentação em parceria com o Cine Clube de Viseu. Joe McPhee e Chris Corsano, duas figuras titânicas do Jazz e da música improvisada ocupam o pequeno palco do foyer no dia 10 de fevereiro com um café-concerto que deambula pelas sonoridades do punk, do rock e do free jazz. Com o intuito de celebrar a relação pai/mãe e filho(a), Miguel Castro Caldas, Pedro Gil e Raquel Castro criaram Terreno Selvagem (12 de fevereiro), uma peça de teatro centrada e inspirada no crescimento da filha de Pedro Gil e Raquel Castro. Mantendo a parceria com o Cine Clube de Viseu, o Teatro Viriato acolhe mais uma sessão especial que se insere no âmbito das celebrações do 60.º aniversário do Cine Clube. Desta vez, coube a Pedro Mexia escolher o filme, uma escolha que recaiu em Na Cidade de Sylvia (13 de fevereiro), do realizador espanhol José Luís Guérin. O Teatro do Vestido volta novamente a desafiar o público viseense a olhar a história do país, nomeadamente a temática da descolonização. Apresentado pela primeira vez em 2014, Retornos, Exílios e Alguns que ficaram é reposto de 17 a 20 de fevereiro no Solar do Dão, desta vez com sessões destinadas ao ensino secundário e ao público geral. No final de fevereiro, duas estreias para públicos diferentes. Nos dias 26 e 27 de fevereiro, a companhia Plot Teatro e o encenador John Mowat estreiam Nevoeiro Adentro, uma peça, inspirada em factos da história portuguesa, mas também em diversas lendas e mitos, que mostra um olhar caótico, hilariante e excêntrico sobre Portugal e os portugueses. Uma estreia repleta de incertezas históricas, destinada a um público maior de 16 anos. A servir de transição entre fevereiro e março, Graeme Pulleyn dá a conhecer pela primeira vez Abílio, Guardador de Abelhas (29 de fevereiro, 01 a 04 de março), que retrata a história de um idoso, que ao viver em solidão, decide criar abelhas no cimo do seu prédio, contra tudo e contra todos. Mais do que uma peça de teatro, esta é uma parábola sobre as prioridades atuais das sociedades modernas e de como o ser humano pode ser guerreiro na luta pela sua própria felicidade. Esta estreia destina-se apenas ao público escolar. No dia 05 de março, numa estreia em Portugal, o coletivo The Gloaming atua no Teatro Viriato. Este é já um dos concertos mais aguardados de 2016. O grupo de músicos irlandeses lançou o 1º álbum em 2014 e já atuaram nas mais emblemáticas salas de espetáculos a nível mundial. Podemos mesmo afirmar que estamos perante uma superbanda, basta relembrar que o primeiro concerto do coletivo em Dublin esgotou antes mesmo do grupo começar a ensaiar. Mas as boas surpresas não se ficam pela área da música. No Teatro, mais uma estreia, desta vez pela mão de Miguel Fragata, que através de um discurso dramatúrgico, provocará o público a olhar para o quadro São Pedro, de Vasco Fernandes, através de outra perspetiva, numa tentativa de aproximação. Pedro, Pedra e Grão (09 a 18 de março), integra as atividades do centenário da fundação do Museu Nacional Grão Vasco. Depois de uma primeira apresentação de parte do projeto, no âmbito da mostra de dança New Age, New Time, promovida pelo Teatro Viriato, a coreógrafa Clara Andermatt estreia Suspensão (12 de março), uma peça coreográfica, que conta também com interpretação e criação dos compositores Jonas Runa e António Sá-Dantas e que pode ser vista como um momento de composição, improvisação e colaboração. Considerado um dos álbuns musicais de eleição de 2015, Impermanence, de Susana Santos Silva será motivo de um café-concerto no dia 23 de março. A música que será apresentada neste café-concerto oscilará entre as raízes jazzísticas de Susana Santos e a improvisação livre experimental. Pelo quinto ano consecutivo, o Teatro Viriato promove o K Cena – Projeto Lusófono de Teatro Jovem (01, 02, 04 e 05 de março). A quinta edição coincide com a celebração dos 10 anos de promoção de projetos de Teatro Jovem no Teatro Viriato. Para assinalar esta data, o Teatro Viriato produziu um documentário (02 de abril) com testemunhos de alguns dos jovens que já passaram pelo Teatro Viriato, nos quais revelam o que fica dos projetos de Teatro Jovem nas suas vidas 10 anos depois. Levantando o véu da segunda temporada de 2016, o Teatro Viriato divulga a apresentação da peça Rule of Thirds (09 de abril), dos coreógrafos António Cabrita e São Castro. Um projeto que tem como inspiração e referência central a obra fotográfica de Henri Cartier-Bresson.

De 16 de janeiro a 05 de abril, Luís Belo expõe no foyer do Teatro Viriato um conjunto de imagens que retratam a performance The Green Man, desenvolvida pelo bailarino Peter Michael Dietz, durante o Viseu A 24 MAI a 01 JUN, em 2014.

No âmbito do Sentido Criativo, o Teatro Viriato propõe ainda aos professores e a todos os que usam a voz como ferramenta de trabalho a oficina Voz Pública (09 de janeiro), na qual serão ensinadas técnicas vocais que permitem reforçar uma comunicação eficaz e clara. Tendo como mote a apresentação da peça de teatro Terreno Selvagem, Raquel Castro, Pedro Gil e Miguel Castro Caldas desenvolvem uma oficina com o mesmo nome (13 de fevereiro), onde irão desenvolver alguns temas como o crescimento, a maternidade, a educação, a infância, assim como partilharão os seus métodos de trabalho e pesquisa. Destinada a pais e crianças, a oficina Modos de Utilização do Meu Corpo (20 de fevereiro), com orientação da bailarina Francisca Mata, propõe estimular o movimento dos corpos dos participantes, tendo como base a linguagem coreográfica de Paulo Ribeiro. A distinguida e premiada artista visual, Vanessa Chrystie orientará a oficina On Movement (24 fevereiro a 18 de maio), na qual desafiará os participantes a explorarem o movimento na pintura, a partir da observação dos ensaios de três espetáculos de dança. A propósito da estreia da peça de teatro Nevoeiro Adentro, o encenador John Mowat desenvolverá a oficina Cair de Cara no Chão (27 de fevereiro). Uma oficina que tem como objetivo conduzir os participantes numa reflexão sobre o teatro e a representação, dando enfâse às questões visuais e físicas. Para as férias da Páscoa, o Teatro Viriato propõe a oficina Artes do Circo – Malabarismo, Equilíbrios e Acrobacia (21 a 24 de março). Esta oficina centra-se na descoberta do malabarismo, dos objetos do circo, nos lançamentos, nas pirâmides e nas forças combinadas.

Nuno Cardoso será o artista residente do Teatro Viriato em 2016. Do Demo (30 janeiro a dezembro) é a primeira atividade que este encenador se propõe a desenvolver em Viseu. Trata-se de um projeto de formação teatral com a comunidade que nasce da vontade de pensar, de construir um espetáculo a partir do corpo da obra de Aquilino Ribeiro.

 

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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