Irmanar a diferença

por Rua Direita | 2014.09.19 - 17:27

 

Quer se diga geminação ou jumelage, quer se nomeie Sernancelhe ou Jacou, José Mário Cardoso ou Jean-Marcel Castet e agora Carlos Silva Santiago ou Renaud Calvat, o significado é sempre o mesmo: uma irmanação entre duas autarquias que têm como ponto comum o afecto, o calor humano, a fraternidade e um mesmo olhar para o futuro, apesar de situadas a 1.300 quilómetros de distância, em dois países diferentes, Portugal e França, em duas zonas geográficas tão distintas, o centro interior e o litoral sul, com duas línguas — se oriundas do mesmo tronco românico  — tão diferenciadas no falar e no escrever, com autarcas de partidos políticos distintos (se fosse em Portugal absolutamente antagónicos) a social-democracia do PSD e o socialismo do PSF.

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Com tantas diferenças, estas duas autarquias souberam há 15 anos encontrar o fio condutor para uma perdurável e duradoira relação que se vai estreitando a cada ano que passa, fruto da dinâmica dos seus autarcas, do entusiasmo da presidente do Comité de Geminação, Françoise Péril e da graciosa dedicação de duas dezenas de jacommards e sernancelhenses.

Pela nossa parte já o tínhamos testemunhado aquando da nossa primeira visita a Jacou, em Novembro de 2009, com a professora Eugénia Pereira, da Universidade de Aveiro.

Cimentámos esse sentir com esta visita, cuja essência se centrou nos dias 13 e 14 de Setembro.

Após uma longa viagem em autocarro, com saída de Sernancelhe por volta das 16H00 e chegada a Jacou pelas 10H00 do dia seguinte (a “mata-cavalos”), foi muito afável a recepção e o café que já tardava…

Todos ficámos em casa de famílias de acolhimento. Pela nossa parte, Thierry Ruf e a esposa Claire Jourdan-Ruf, simpatiquíssimo casal – ele vereador da edilidade pelo partido Os Verdes, agrónomo, geógrafo e investigador – abriram-nos suas portas com lhaneza e franqueza.

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Entretanto, o Parque Bocaud inaugurava um certame intitulado “A Alameda dos Artistas”, onde exibiam seus trabalhos dezenas de expositores.

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Sernancelhe aí montou o seu stand, contando, entre outras obras, com fotografias, esculturas e pinturas de vários artistas, entre eles Helena e Cristina Marques, duas irmãs, de origem sernancelhense, ambas de Artes, licenciadas pela Sorbonne e há décadas residentes em França. Com uma deputada da Assembleia da República francesa presente e os “maires”, aprimorado foi o evento. Mas estávamos no início… Da parte da tarde, visita a “La Passerelle”, auditório/sala de espectáculos, para pôr a “cultura no coração da nossa geminação”.

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O autor destas linhas fez uma preleccão sobre Aquilino Ribeiro, assim homenageado no exacto dia do seu 129º aniversário. Os franceses apreciam Aquilino, suas afinidades e vivências em terras gaulesas… O vereador da Cultura, Armando Mateus iniciou a tertúlia alusiva às acções culturais levadas a cabo por ambas as comunas, com a intervenção de Bella Debono, vereadora local da Cultura, Béatrice Herranz, do “Office Municipal de la Culture” de Jacou, demais agentes culturais locais e público interventivo.

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Sernancelhe propôs a assinatura conjunta de um programa comunitário centrado na música tradicional, entre as duas localidades e uma terceira, da Suíça. Seguidamente, com Michel Combettes, vereador do Desporto e Gérard Péril, presidente da Associação OMS, foi visitado o Torneio de Ténis de Jacou e o complexo desportivo Las Bouzires.

O domingo acordou soalheiro, como é próprio desta região de França tão aprazível e, depois de uma visita aos pomares Carbet, com Bernard Thibaut, realizou-se um dos eventos mais pungentes do programa: a visita ao túmulo do co-fundador desta geminação, durante tantos anos “maire” de Jacou, Jean-Marcel Castet.

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No terraço do castelo de Bocaud decorreu o outro ponto alto da estadia: a cerimónia de homenagem ao ex-presidente da Câmara de Sernancelhe, José Mário Cardoso, que recebeu a Medalha da Cidade e foi consagrado Cidadão Honorário de Jacou. Cerimónia muito expressiva e festiva com quarteto de sopro a executar A Portuguesa e A Marselhesa e os discursos adequados à circunstância.

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Aproximava-se o dia do fim e seguiu-se a visita ao castelo de Castries e seus jardins da autoria de André Le Nôtre, o responsável pelos de Versalhes.

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Finalmente, uma visita à Manada Vitou, touros e cavalos camargueses, com todo o cerimonial de lide e passeio em charrette, pela herdade e aldeias vizinhas, entre olivais e vinhas, que durou mais duas horas. Prova de azeites e vinagres (vin aigre) da colheita e produção Vitou e fraterno jantar ao ar livre. Hora da despedida, dos abraços e da promessa do reencontro breve.

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De rota batida, exaustos mas cientes do dever cumprido, estávamos em Sernancelhe, ponto de partida, às 14H00 do dia seguinte.

Um detalhe: curiosamente, questionarmo-nos sobre os custos destes eventos é um despropósito…

Por dois simples motivos:

1º É fundamental percebermos quais as vantagens práticas decorrentes destas iniciativas e do conjunto de mais-valias que elas carreiam para o município e os munícipes (lembramos apenas os estágios feitos por alunos da ESPROSER em Jacou e outros protocolos com benefícios mútuos);

2º Os custos são irrelevantes… combustível e portagens. O resto… tudo foi graciosamente feito e se algum custo extra houve, foi suportado por cada um dos presentes.

Uma palavra final de apreço aos dois motoristas, inexcedíveis no seu profissionalismo e competência.

Até breve, Jacou!

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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