Festa da Castanha – nas faldas da Estrela, em Folgosinho

por Rua Direita | 2016.11.01 - 10:53

 

 

Folgosinho, terra madre de Viriato segundo opinião de alguns historiadores, é uma freguesia do concelho de Gouveia que vem, desde há três anos, a implementar a sua Festa da Castanha para estimular os agricultores à sua produção e difundir este fruto da terra como mais-valia económica para o seu território, que tem 51,7 km2 de área muito propícia em composição e altitude ao castanheiro, bem como condições climatéricas adequadas para o seu desenvolvimento.

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Folgosinho é uma aldeia com História, com foral outorgado por D. Sancho I, em 1187, chegando mesmo a ser sede do concelho até 1836. O seu castelo, cuja construção a lenda atribui a Viriato formava, conjuntamente com o de Linhares da Beira e de Celorico da Beira, o triângulo defensivo do Vale do Mondego.

Hoje, associamos Folgosinho ao conhecido restaurante “O Albertino”, de fama justa pela qualidade e variedade da sua gastronomia de cariz regional e ao célebre pastor-guerreiro Viriato, de lá originário, decorrendo a Festa da Castanha no Adro com o seu nome na placa gravado e com a inscrição “O vingador da traição de Alba”.

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O presidente do município gouveense, Luís Tadeu, ciente do emblemático produto endógeno que é a castanha, da sua crescente redignificação, valorização e acentuada procura, criou uma “festa” em sua homenagem, que vai na sua terceira edição, crescendo de ano para ano, como tivemos oportunidade de constatar.

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Este ano houve um Passeio Fotográfico que partiu do Adro do Viriato; uma Rota da Castanha que teve início junto à igreja matriz e, num percurso ascendente de 6 quilómetros, levou ao Castelo; um workshop subordinado ao tema: “A importância da castanha na economia local”, com forte adesão de público e que teve como oradores, José Gonçalves, professor do Instituto Politécnico de Castelo Branco – com a alocução “Propagação vegetativa do Castanheiro – Novas Tecnologias” e João Mesquita, da Pinus Verde,   que desenvolveu o tema, “A produção de mel a partir da floração dos castanheiros”.

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Simbolicamente, no lugar do Cabecinho, onde existiu uma antiga lixeira, desbravado e limpo o terreno, procedeu-se a uma plantação de castanheiros. Também nos coube essa honra – que nos faltava no CV –  recebendo das mãos de Luís Tadeu a árvore que, segundo Aquilino Ribeiro, amigo pessoal do grande pintor Abel Manta e dando voz ao aforismo antigo, levava “300 anos acrescer, 300 no seu ser, 300 a morrer”, o que fazia dele a poderosa árvore que é o “derradeiro gigante da nossa flora”.a1low

Aquilino ainda, no seu livro “O Homem da Nave” (1954), entre muitas e belas páginas refere: “Ao castanheiro, nada mais que o gosto de altitude, para cima de 600 metros do nível do mar, lhe dá uma soberbia rara. Se querem vê-lo sadio e medrando a olhos vistos, plantem-no onde lhe bata o vento, com quem brinca, caia neve que lhe limpe a sarna dos líquenes, e caia chuva, tanto miudinha como em bátegas, que lhe lave a casca rugosa em que vêm pôr os ovos os insectos de má-morte.”id

O domingo foi o dia mais grado em animação, contando com expositores de castanha, pão de castanha, fumeiros serranos, o célebre queijo da Serra, bebidas espirituosas de confecção artesanal, mel, doçaria e muitos mais produtos.

Repasto de alto gabarito se comeu no “Albertino”, com a música a tocar e bailarico no ar. Seguiu-se o magusto colectivo e a animação continuou até a noite se cerrar…

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Uma feliz iniciativa que deixa de parabéns a Câmara de Gouveia e o seu impulsionador, Luís Tadeu.

 

 

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