Em Sernancelhe, os três “efes”: Festa, Fauna e Flora

por Paulo Neto | 2014.04.05 - 23:14

Desde o dia 4 e até 6 de Abril que decorre a Expo Jardim e Animais em Sernancelhe. Os 2 mil metros quadrados do Salão receberam muitos expositores que trouxeram consigo máquinas de jardinagem, piscinas, flores, sementes, adubos, oliveiras, patos, pavões, coelhos, cabras, gansos, papagaios, peixes, cães, gatos, pombas, galináceos, faisões, ouriços, capões e… etc.

Sernancelhe não deixa de nos surpreender pela capacidade e dinâmica empreendedora da sua autarquia, pela oferta diversificada que apresenta renovadamente e com inovação – que vai desde a música erudita à dança de salão, passando pela literatura, btt, automóveis clássicos, castanhas, até… sei lá eu!

Entretanto, além do exposto, várias actividades se desenrolaram, dedicadas também à comunidade escolar, exibição da Brigada Cinotécnica da GNR, largada de pombos da responsabilidade da Associação Columbófila local e actuação da Academia de Música de Sernancelhe.

Este primeiro evento foi muito bem acolhido pelo público e é mais um certame ao qual a Câmara pretende dar continuidade.

Para perceber porque está Sernancelhe sempre a bulir, o Rua Direita entrevistou Armando Mateus, vereador da cultura e Carlos Silva, presidente da autarquia…

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Mais uma exposição em que Sernancelhe tem sido pródiga. O que temos aqui hoje?

Armando Mateus: O cumprimento do nosso objectivo, o de ter qui, neste espaço, quinzenal ou mensalmente exposições diversas e atractivas, actividades culturais e empresariais que cativem e nos tragam muito público. No caso concreto, o Expo Jardim e Animais foi um desafio enquadrado nesta época da Primavera, quando as pessoas têm uma preocupação acrescentada com o cuidar dos jardins, das flores, também pela aproximação da época da Páscoa e por esse motivo este foi o tema escolhido.

Há adesão dos comerciantes e do público?

Armando Mateus: Há e foi muito boa. Damos sempre prioridade aos nossos comerciantes. São eles os expositores, não deixando contudo de alargar o evento, em artigos mais específicos, a expositores de fora. Estão aqui 22 stands. De comerciantes da região e da periferia. Foram todos muito receptivos. Foram desafiados a serem criativos e imaginativos para poder atrair mais público e dar mais atractividade ao certame. E cumpriram.

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A Câmara instituiu uma cultura nova… a da apresentação, divulgação e dignificação de produtos locais. O público, em geral, percebe e acolhe bem esta linha de acção?

Armando Mateus: Com a nossa preocupação na inovação e apresentação cuidada conseguimos transmitir agrado a quem nos visita. A novidade é fundamental, a imaginação também. Como pode reparar, até um lago artificial com fauna e flora adequadas foi concebido com esse intuito. Tentamos ser expositivos, dinâmicos e interactivos. Na abertura tivemos um público muito especial, as crianças do 1º ciclo e também pensámos nelas e nos seus interesses e gostos.

Em termos de fauna, que espécimes aqui temos presentes?

Armando Mateus: Maioritariamente são aves. De ornamentação, como patos, gansos, perus, pavões, faisões, aves cinegéticas e uma grande variedade de aves exóticas: papagaios, araras, uma série de aves de porte mais pequeno, mas muito coloridas e apreciadas.

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Se esta exposição for um sucesso, será repetida crescendo no número e variedade de espécimes?

Armando Mateus: Sem dúvida. O repetirmos este evento é no sentido de o modificar, aumentando e diversificando com um sector de animais fundamentais para a nossa região e oriundos da parte pecuária, animais de quinta, como ovelhas, porcos, vacas… fauna ligada à agricultura da nossa região.

E no que concerne à flora?

Armando Mateus: É diversificada. Temos plantas de interior, de exterior, de pequeno, médio e grande porte. Tivemos a preocupação de as seleccionar adaptadas ao nosso clima e à nossa região, resistentes a Invernos mais agressivos e a um Verão mais quente.

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Não queremos falar apenas desta exposição. Sabemos que está em cima da mesa um programa chamado “Ser + Cultura 2014”. Mais cultura?

Armando Mateus: Essa “+ Cultura” é um desafio e um dar continuidade ao que o senhor presidente Carlos Silva desenvolveu enquanto vereador da Cultura, habituando-nos a uma agenda cultural bastante dinâmica, desafiante e com programas diversificados. A minha linha é a de dar seguimento àquilo a que ele no acostumou. O público está “trabalhado”, está habituado a ter este tipo de eventos. Por isso, o desafio torna-se maior. Há pois necessidade de criar este novo evento que é o “Ser + Cultura”, que vem da palavra SERnancelhe e consiste na compilação das várias áreas artísticas. Num fim-de-semana, 27, 28 e 29 de Junho, no centro histórico da vila, aproveitando o espaço físico e urbano, nesse enquadramento paisagístico, vamos dar vida e movimento ao património, aos monumentos e à História.

É um “non stop” de três dias em que o património vai dar mãos às diversas expressões artísticas?

Armando Mateus: É essa a intenção. Não diria que é tudo em simultâneo mas sim sequencial por forma a dar oportunidade para a maior “recepção” à oferta variada propiciada: música de todos os tipos, teatro, literatura, poesia, colóquios… Tudo interagirá, desde a Igreja Matriz, à Biblioteca Municipal, ao Auditório, ao Museu do Pe. Cândido, aos antigos Bombeiros. Dinamismo com esplanadas, multimédia, gastronomia, conseguindo uma continuidade de vários eventos em cadeia a que as pessoas, circulando neste espaço histórico, sempre a pé, possam assistir.

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Senhor presidente, acerca desta ideia “Ser + Cultura 2014”, além do já referido que mais lhe apraz acrescentar?

Carlos Silva: É um projecto que permite acima de tudo a valorização do nosso espaço histórico. Fazer em três dias uma amostra cultural do concelho de Sernancelhe, quer da parte do teatro, quer da musical, da pictórica, da gastronómica, enquadrada no espaço patrimonial da nossa História, desde a Igreja Matriz do século XI ao Museu do Sr. Padre Cândido, que possui muitas peças de enorme raridade, à Biblioteca Municipal que estará sempre aberta proporcionando um conjunto vasto de acções literárias muito interessantes, continuando a divulgar a vida e obra de Aquilino… concentrar num espaço pequeno, o da zona histórica um conjunto de iniciativas culturais alargadas, regionais e tradicionais. Daquilo que é nosso. Esse é o objectivo!

Já está desenhado o programa?

Carlos Silva: É a primeira vez que o vereador vai desenvolver esta actividade. Já no estrangeiro vi algo parecido, na Suiça. Não copiamos mas inspiramo-nos nos bons exemplos. É um projecto ambicioso, muito complementar. Está “desenhado”. Agora carece da correcta gestão temporal para evitar colisões entre as diversas actividades propostas. Sequência ininterrupta sem colisões é um verdadeiro desafio. Aproveitamento adequado dos plurais espaços é outra aposta, com muita luminotécnica, sonoplastia, multimédia… Temos muitas personalidades destacadas que nos honram com a sua assiduidade e com as suas acções, nomeadamente no âmbito da literatura e de Aquilino Ribeiro, até à poesia de expressão popular regional. Todas elas decerto darão o seu contributo. Com toda esta gente pretendemos trazer muita gente a um espaço pequeno como Sernancelhe.

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Em conclusão, Sernancelhe está como sempre: a bulir…

Carlos Silva: Há uma frase do meu antigo presidente José Mário Cardoso, proferida em 2002, que me ficou para sempre: “Caro vereador, se a Cultura custa dinheiro, imagine quanto não custará a ignorância…” Essa é a nossa aposta no cabal entendimento de que a Cultura é um factor determinante para o desenvolvimento da nossa região.

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