Em Folgosinho é que é bom…!

por Rua Direita | 2015.11.09 - 14:48

 

Folgosinho é uma freguesia do concelho de Gouveia. Foi vila e sede de concelho entre 1187 e 1836, 649 anos. Tem hoje 500 habitantes, segundo o censo de 2011. Atingiu o seu pico demográfico em 1940 tendo vindo a sofrer, como todo o território português, um recuo que hoje atinge os -14%.

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Há bastante juventude. Mas há muito mais… Se até aqui era conhecida pelos famosos pitéus do restaurante “O Albertino“, se era conhecido por ser berço de Viriato, já na Antiguidade era uma via para Roma, tendo ainda hoje os seus vestígios no “Troço de calçada romana de Galhardos”, que ainda apresenta mil e quinhentos metros numa zona de forte inclinação da Serra de Folgosinho. Mas tem também o seu castelo medieval cujas primícias remontam a D. Sancho I, que lhe concedeu foral em 1187.

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Além disso, Folgosinho tem hoje e desde há três anos a sua Festa da Castanha, implementada pelo autarca de Gouveia, Luís Tadeu que, e por coincidência aí tem também suas origens.

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A seu convite lá fomos passar o sábado e no Adro de Viriato nos deliciámos com a genuinidade de uma festa tão tradicionalmente beiroa, tão espontânea e tão centrada nos produtos da terra. Dos excelentes queijos aos fumeiros nada faltava, mas o culminar das propostas gastronómicas dos seus muitos expositores centrava-se na homenageada, a castanha. Havia-a para venda, mas havia também uma proposta gastronómica muito nela centrada e desde a “doçaria”, que foi objecto de concorrido concurso com propostas muito criativas, até ao pão de castanha – uma delícia – ao caldo/creme de castanha, espesso e sápido e só por si riquíssima refeição capaz de entusiasmar o maior comilão, até à farinheira com massa de castanha e, como não podia deixar de ser, porque a Terra, se bem que rochosa e fria é também fecunda na sua oferta, o arroz de sanchas ou míscaros, a sair do lume apreceituadamente no seu aconchegante pote de bom barro. Diz quem bebeu ser o briol de alto coturno, a jeropiga à feição e a água-pé de três assobios… para acompanhar o magusto final de castanha na brasa assada.

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f17Muita música, as concertinas tradicionais, o bailarico e, fundamentalmente, o carinho e a galharda forma de receber do autarca, orgulhoso da Terra e do evento que criou e já vai no seu terceiro ano.

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Trocámos com Luís Tadeu algumas palavras…

Num dia tão meteorologicamente bom, com tanta gente e tanta animação, o que temos nós aqui?

Temos aqui uma grande Festa da Castanha, de produtos da freguesia e do concelho. Temos gastronomia de excelência com muita jeropiga, castanha e doçaria…

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Esta Festa da Castanha é nova ou já tem alguns anos?

Está no seu 3º ano e visa essencialmente promover a castanha, incentivar os produtores e estimular e criar condições para todo o seu mais amplo aproveitamento. Hoje de manhã, nesse sentido, tivemos um workshop onde se abordaram, por um lado o novo quadro comunitário e os apoios dele decorrentes para os produtores, por outro lado as doenças e as pragas que estão a afectar o castanheiro e também as vertentes do aproveitamento do fruto. Não se justifica restringir o potencial da castanha ao tradicional magusto, mas antes, ampliá-lo na sua pluralidade de possibilidades.

E porém, dando uma volta pelas três dezenas de expositores, constatámos a existência de outros produtos…

Sim, algum queijo, enchido, bastantes compotas e licores, jeropiga, doçaria e panificação. Por exemplo, pão feito com farinha de castanha…

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Pão feito com farinha de castanha? Uma especialidade local?

Era uma receita de antigamente, caída em desuso e agora recuperada, de modo a que, agora e ao longo do ano, possa ser fabricado e comercializado.

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E contudo, a castanha não é um dos vossos ex-libris…

Não o é ainda mas pode vir a ser. Temos muito boas condições para isso. Já tivemos muito mais castanheiros do que temos hoje. Convém não esquecer que a castanha já foi a base da alimentação da população. Aquilo que estamos a empreender é a recuperação e a dignificação desse produto, na importância que já teve e nas suas vertentes mais diversas, sendo que a mais notória e popular é a gastronómica.

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Há uma sensibilização por parte dos restaurantes, nesse sentido?

Começa a haver e eu hoje fiquei muito surpreendido e ao mesmo tempo muito feliz por ver no workshop que decorreu de manhã mais de 40 atentas pessoas locais. Foi muito bom e fiquei gratamente surpreendido. E tanto mais quanto hoje havia várias actividade pelo concelho, como por exemplo uma montaria ao javali e, ainda assim, conseguimos congregar esse número de interessados. Foi muito estimulante e é um sinal…

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Quais são os próximos passos?

Serão os de incentivar a plantação de mais castanheiros. A câmara municipal vai apoiar mais plantações. Por outro lado vamos sensibilizar e apoiar o melhor aproveitamento da castanha. As pessoas tendem a cingir-se ao magusto, sendo que há muito mais a fazer no plural aproveitamento das suas inúmeras mais-valias, trazendo um maior retorno aos seus produtores.

Sabemos também que o vosso queijo é do melhor que se faz em Portugal…

Quanto ao queijo, não há qualquer dúvida. É muito bom e, também aí estamos a trabalhar com um conjunto de produtores a quem efectuamos o HACPP, pagamos a certificação do queijo, por forma a minimizar-lhes a despesa de modo a termos mais produto e a penetrar em força em novos mercados…

Sendo concelho de Gouveia fronteiro com o concelho de Mangualde, quais são neste momento as relações existentes inter-autarquias e autarcas?

Muito boas. Dou-me muito bem com o presidente da câmara de Mangualde, João Azevedo, e tenho pessoas amigas na vereação de Mangualde. Posso dizer-lhe que na próxima semana vamos ter um encontro para tratarmos de assuntos comuns e de interesse para os dois concelhos.

Quer deixar alguma mensagem para e por exemplo os viseenses? Se vierem a Folgosinho e a Gouveia o que encontram?

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Venham a Gouveia. Encontrarão muitos motivos de interesse e darão por muito bem empregue o tempo aqui passado. Na gastronomia, no bom acolhimento, nos nossos vinhos premiadíssimos, na excelência do queijo e na qualidade das compotas, das pêras, das maçãs mas… temos muito mais. Por exemplo e na vertente cultural o Museu Abel Manta, o Museu da Miniatura Automóvel, que é único no país e para além disso, temos a freguesia de Melo, com Virgílio Ferreira, para um turismo de cariz literário que será, no próximo ano, um cabeça de cartaz das nossas actividades, pois iremos comemorar o Centenário do seu Nascimento, de final de Janeiro de 2016 a Janeiro de 2017 vamos empreender um ano inteiro de comemorações, centrado na maior divulgação do Homem e da Obra.

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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