“É mau trato social quando se cortam reformas aos pensionistas”

por Rua Direita | 2014.06.03 - 11:20

Não há só maus tratos físicos, maus tratos psicológicos, Daniel Serrão, médico e especialista em Ética da Vida, lembrou que há também maus tratos sociais. “Quando um governo corta nas reformas dos pensionistas está a infligir um mau trato social”. A afirmação foi proferida no primeiro dia das Jornadas da Cidadania, 29 de maio, em que o médico, que é também conselheiro do Papa para as questões da Vida, foi uma das ‘estrelas’ do evento que decorreu em Moimenta da Beira.

Dissertando sobre os “alertas contra a discriminação e maus tratos contra idosos”, Daniel Serrão lançou apelos à sociedade para que esteja atenta aos casos de “solidão sénior”, que aumentam de dia para dia.

“A solidão é o maior de todos os maus tratos. Uma sociedade que não olha pelos mais velhos, que os marginaliza e até os esconde, é uma sociedade que permite e promove mesmo a eutanásia social”, acusou o médico.

“Nenhum ser humano deve morrer em solidão”, disse alto e bom som, aconselhando que devia ser criada uma “geração de pacíficos”, que promova o bem estar entre todos, em especial para com os mais idosos.

“O homem é violento por natureza, e por isso é preciso que seja criada uma geração de gente pacífica”, sugeriu o médico, lamentando que os idosos sejam encarados como “gente incapaz”. Mas lembrou que os três homens mais ricos e mais ‘poderosos’ em Portugal (Américo Amorim, Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo) “têm todos mais de 82 anos”.

Antes e depois de Daniel Serrão, outros oradores convidados falaram para a plateia que quase sempre encheu o auditório municipal. De manhã: Maria do Rosário Reis e Ana Margarida Cavaleiro, ligadas á problemática dos doentes de Alzheimer; depois, Eliza Bento da Guia, médica, e Cristina Requeijo, enfermeira, que falaram sobre “envelhecer com qualidade”. Moderou o debate, José Agostinho Correia.

À tarde: Pedro Móia, da CCDR-Norte; Acácio Pinto, deputado da Assembleia da República; Paulo Noronha, da Comunidade Intermunicipal do Douro; António Marques, economista; Luísa Hipólito, da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte; e Maria do Carmo Bica, da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local. Moderou o debate António Pedro Dias.

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