Documentário da RTP reconstitui Mosteiro de S. João de Tarouca

por Rua Direita | 2014.05.07 - 22:07

 

“Era impossível não escolher São João de Tarouca”. Foi com esta afirmação da jornalista Maria Júlia Fernandes que arrancou a apresentação pública da série da RTP “Escrito na Pedra”. Mais de uma centena de pessoas aceitou o desafio e no passado domingo, 4 de maio, viu em estreia absoluta “A Pedra de Pedro”, um documentário que visita o Mosteiro cisterciense e onde a reconstituição 3D ganha especial relevância.

Considerado um dos cinco lugares míticos da história da cultura portuguesa, a reconstituição tridimensional do Mosteiro, numa parceria com a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (UM), veio proporcionar uma nova leitura sobre as ruínas, fruto de mais de dez anos de investigação (1998-2009), que teve por base a Arqueologia e uma equipa que, em permanência, escavou cerca de 3500 metros quadrados de área, numa intervenção da responsabilidade da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN).

“Não há boas histórias, sem boa investigação” e o resultado dos conteúdos multimédia resultam, nas palavras da responsável da UM, Manuela Martins, desse minucioso trabalho de escavação da DRCN e de múltiplas vontades e multidisciplinaridade, que fazem deste documentário uma peça fundamental na valorização e divulgação do Vale do Varosa.

Pedro de Friães, presbítero no Mosteiro de São João de Tarouca, serve então de mote para o episódio de “Escrito na Pedra”. Uma pedra com o seu nome, encontrada num dos edifícios do mosteiro, é motivo para o início da viagem ao interior da vida monástica.

Tudo começa na epigrafia, com o investigador José d’ Encarnação a realizar a leitura da pedra. A partir daqui, como o próprio assinalou durante a sessão de apresentação, tudo gira em torno de cumplicidades e da vida sempre associada ao Mosteiro, no passado e no presente.

Conhecimento, paixão e identidade foram os termos escolhidos pelo vice-presidente do Município de Tarouca, José Damião, para descrever o concelho e a importância do documentário, que valoriza Tarouca e o Vale do Varosa, uma ideia corroborada pelo presidente da Assembleia Municipal, Domingos Nascimento.

Também presente na sessão, coube coordenador do Projeto Vale do Varosa, projeto que é desenvolvido desde 2009 sob a égide da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN), dar início a uma tarde diferente, que arrancou na Casa do Paço às 15h00 e fez paragem, obrigatória, no Mosteiro de São João de Tarouca. Luís Sebastian conduziu uma visita pela Igreja e pelas ruínas recentemente musealizadas e onde é já possível identificar a cozinha, o refeitório, a sala do capítulo, o calefactorium, o scriptorium, o locutorium, num espaço outrora dividido entre a ala dos monges e a ala dos conversos e que sofreu alterações ao longo dos séculos, desde o início da sua construção no séc. XII.

Quem acompanhou a visita, percebeu, com o posterior visionamento do documentário, o abandono a que o Mosteiro foi votado e a grandeza que outrora ostentou.

Ainda sem data marcada para emissão na RTP, “A Pedra de Pedro” revelou-se mais do que um documentário, constituindo-se antes como o momento em que o espetador é transportado na História, até um tempo longínquo, o tempo da fundação de Portugal, e, a partir daí, percorrer um longo caminho, o caminho do Mosteiro de São João de Tarouca, até ao século XXI.

valedovarosa@culturanorte.pt

 

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