Confraria da Castanha: O Magriço teria gostado…

por Rua Direita | 2014.11.10 - 18:28

 

Álvaro Gonçalves Coutinho, o Senhor medieval de Penedono, um dos 12 de Inglaterra que o nosso vate Luís Vaz de Camões tão expressivamente descreve no Canto VI de Os Lusíadas, o Magriço, teria apreciado muito o IVº Capítulo da Entronização da Confraria da Castanha que decorreu na nobre vila de Penedono no pretérito sábado, dia 8 de Novembro, das 10 às 18H00.

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A Confraria foi inexcedível pela sábia mão do seu Mordomo-Mor, Alberto Correia e todos os ilustres Confrades. A Câmara Municipal de Penedono igualmente pela mão do seu autarca, Carlos Esteves. A Cooperativa Agrícola do Távora idem pela mão do seu presidente, João Silva. A Federação Portuguesa das Confrarias brilhou representada pela sua presidente, Olga Cavaleiro. A família do “nosso” Escritor Aquilino Ribeiro, esteve bem presente na figura de seus netos, Mariana e Aquilino Machado. Os municípios de Sernancelhe e Moimenta da Beira, também Confrades, tinham a sua digna participação nos respectivos vereadores da Cultura. Várias Confrarias de todo o Portugal disseram “presente” e as quase duas centenas de membros integrados neste Capítulo foram a máxima expressão do prestígio que a Confraria da Castanha soube granjear nos seus oito anos de existência.

Logo o acolhimento à chegada foi “substancial e gastronomicamente” aprazível com um lauto “amuse-bouche”, cortesia da edilidade. Abertas as portas do Salão Nobre, a cerimónia enriqueceu-se com as palavras de Alberto Correia, de Olga Cavaleiro, de Carlos Esteves e com a magnífica prelecção proporcionada por Aquilino Machado, que integrou o castanheiro na paisagem literária de seu avô, fazendo uma sábia digressão no contexto de uma estratégia territorial de desenvolvimento sustentável.

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De seguida, em cortejo batido pelo frio do dia, rumou-se à Igreja Matriz de S. Pedro onde foi feita a saudação e benção das insígnias pelo P. Luciano Moreira, procedendo-se à entronização dos oito novos Confrades, a saber: Mariana Machado, Aquilino Machado, Ester Vargas, Cristina Maria Ferreira, Margarida Isabel Beato Pratas, Faustino Fernandes Lopes, Veríssimo Coutinho Santos e este V. criado.

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No decurso da cerimónia e homília, o grupo coral da paróquia “Exultate Deo” a todos brindou com seis harmónicas interpretações.

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Já de pleno direito Confrades, de insígnia ao peito (uma bela e pesada castanha em fino estanho) e chapéu na cabeça, em cortejo se retornou aos Paços do Concelho. A chuva, em rijas cordas a empurrar, lestos nos levou ao “Terras do Demo de Honra”, aprimorado com castanha assada sobre manto de fino e serrano queijo em mel de rosmaninho acobertada. Pena foi a meteorologia ter dificultado o labor profissional de José Alfredo Fotógrafo, o mestre da arte.

Seguiu-se um almoço quase régio num restaurante local, momento para consolidar a fraternidade, aplacar o palato, degustar os finos néctares e ouvir falar quem sabe.

Por mim o afirmo, foi um inesquecível dia e uma honra grandiosa a conferida. O espírito de uma Confraria foi ali evidenciado em todas as componentes que lhe sub e sobrejazem. A genuinidade do convívio não deixou dúvidas. A fidalguia do acolhimento deixou suas impressivas marcas.

Viva a Confraria da Castanha. Longa vida aos seus Confrades!

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Curiosidade final: Uma receita de Creme de Castanha

“A castanha “Soutos da Lapa”, martaínha ou longal, colhida em seu tempo, pilada ou já congelada, é sempre ingrediente primeiro. Depois a cebola, quanto baste dela, partida à maneira. E os cogumelos que podem ser comprados na feira. Raminho de salsa, aos bocadinhos, não pode faltar e o azeite virgem para temperar. Sal da marinha, só um dedal de mão pequenina e água da fonte que será sempre elemento matriz. Depois é o segredo que não se revela e o cheiro bom que vem da tijela.”

 

(As fotos são de José Alfredo. Excepção das menos boas, que são minhas)

 

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