Aquilino e Araújo Correia… vizinhos “de além do rio”

por PN | 2014.10.12 - 20:50

 

A Tertúlia de João de Araújo Correia anda activa…

 

E desta feita, na airosa vila de Santa Marta de Penaguião, realizou o seu IV Fórum sob a égide do diálogo entre os dois escritores, Aquilino Ribeiro, de Carregal, Sernancelhe e Araújo Correia, de Canelas do Douro. No fundo, dois conterrâneos, dois coetâneos, dois republicanos e, fundamentalmente, dois grandes escritores.

O presidente da Câmara, Luís Reguengo Machado e a vereadora da Cultura, Sílvia Fonseca Silva foram os anfitriões no aprazível espaço do Auditório Municipal. Helena Gil e Hercília Agarez, pelo GEIA, fizeram as honras da casa. António Ponte, director regional da Cultura do Norte marcou presença institucional.

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Bem recepcionados, pena foi que a conferência inaugural a cargo de João Bigote Chorão não se realizasse por impossibilidade súbita de presença do ex dirigente da Verbo Editora. Helena Gil e Luís Reguengo Machado deram as boas vindas, Jerónimo Costa, do CEAR, leu um texto de Fernando Baptista e passou-se à primeira mesa redonda do dia que teve como moderador Gaspar Martins Pereira e contou com as intervenções de José Braga-Amaral, Henrique Almeida, do CEAR e Anabela Oliveira (UTAD). Visualizou-se um filme da RTP, 1973, “João Araújo Correia na 1ª pessoa”, com entrevista conduzida pelo jornalista Mário Dias Ramos. Depois do coffee break, foi inaugurada a exposição com o título e tema “Montes Pintados”, de pintura e fotografia alusiva ao território duriense balizado na obra literária em questão.

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artistasDe seguida, Helena Gil deu a palavra a António José Borges e António Baptista Lopes, respectivamente o responsável da Âncora Editora, que procede à reedição da obra de Araújo Correia e ali apresentou o seu primeiro trabalho: “Contos Bárbaros”, o segundo, da FLUL, um filho da terra.

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Após o almoço, sucedeu-se o painel com o investigador tondelense Valle de Figueiredo, Ana Ribeiro (UM) e o autor destas linhas, com moderação de Hercília Agarez.

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Finalmente encerrou-se esta jornada de 11de Outubro, com a 2ª mesa redonda moderada por Vítor Nogueira e que teve como prelectores, António Ponte (DRCN), Augusto Fernandes (CEAR) e Agostinho Santa.

 

Foi um dia festivo e de homenagem merecidíssima a dois grandes vultos da literatura portuguesa contemporânea. Eventos deste teor mantêm viva a chama e difundem longe o nome e a obra destes grandes mestres da escrita. O diálogo entre Aquilino Ribeiro e Araújo Correia foi também a oportunidade de encontrar bons amigos como Albino Matos, notário e filólogo, Ana Madureira professora, Manuel Ferreira, vereador da autarquia de Lamego, João da Inês Vaz, em representação do CEAR, etc.

Estiveram presentes familiares de Araújo Correia.

Permito-me terminar com as últimas palavras da minha comunicação:

“A prova da seriedade e durabilidade destas escritas, “libertadas da acrobacia insustentável de quem quer construir obra séria e duradoura”, está patente na revisitação e retorno que todos nós e cada vez mais que nós a elas fazemos, nelas redescobrindo, a cada leitura, o infindo prazer da novidade, que não se anacroniza, antes se presentifica, ajudando-nos a olhar e ver a realidade de sempre.

E essa realidade patenteia-nos a extensão de um diálogo continuado, animado e renovado em tertúlias onde já não figuram os evocados em sua plenitude presencial, mas estão omnipresentes na sua obra e em todos quantos, ao os lerem, os perpetuam não os esquecendo.”

Parabéns aos organizadores/direcção da Tertúlia e um abraço aquiliniano a Valle de Figueiredo, Henrique Almeida e Augusto Fernandes, estudiosos com ecoante e ouvida voz na matéria.

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