Abrunhosa-a-Velha para o guia Michelin!

por Rua Direita | 2014.07.27 - 10:03

 joao eduardo1low

Abrunhosa-a-Velha tem no nome tradição, e di-lo, diz que é a autêntica, a primicial, e que é terra de “prunu” que brunho e abrunho deu. Abrunhosa-a-Velha é uma aldeia que já foi vila e sede de concelho. Tem 600 habitantes e um rio, que em Coimbra chamam de “basófias”, que nasce lá alto, na serra da Estrela e vai descendo e engrossando para ser o Mondego, o 5º maior rio de Portugal.

cantinholow

eduardo marcolow

Abrunhosa-a-Velha tem um forno comunitário, um pátio de convívio baptizado de “Cantinho dos Poetas”, onde ao lado de Luís de Camões, está Fernando Pessoa escrito em bela azulejaria a sussurrar sua Mensagem: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce…” . E no mesmo pátio há um banco de madeira para os poetas se sentarem sob um azulejo que auspicia o fado português no cantar da Liberdade: “Pergunto ao vento que passa / notícias do meu país / e o vento cala a desgraça / e o vento nada me diz.”, de Manuel Alegre, o bardo de Águeda.

chef américo sousa 1low

Abrunhosa tem artesãos, locais de convívio, um asseio exemplar, um hotel recatada, o Mira Serra, inesperadamente atrás de altos muros, numa placidez encantadora, uma piscina comunitária e tem amigos que gostam de fazer as suas farras e de partilhar os seus gostos, seu saber e os bons sabores que, com as mãos que entalham a madeira, rasgam a terra, faceiam a pedra, nascem do fundo dos tachos bem “adubados e nutridos”.

chef joao tomé sopa barbolow

O Mondego dá barbos; o monte, pobrinho e rochoso, dá a pastorícia e os cabritos para a caldeirada. Os suínos, na loja cevados, dão o presunto e os enchidos, a terra o trigo e o pão, a hortaliça e o feijão.

chef jose carvalho feijáo frade com açorda bacalhaulow

Mas Abrunhosa-a-Velha tem também o Eduardo Albuquerque, o presidente da Junta, “craque” de futebol outrora e agora, rigoroso, brioso, disciplinado e organizado autarca que parece ter sido talhado para estar à frente daquela freguesia.

chef constantino arroz feijao com pernil de pres grelhlow

Ontem, sábado, organizaram o Iº Encontro de Gastronomia Amadora. Os homens vestiram os aventais, arregaçaram as mangas, fecharam o centro da aldeia, deixaram os carros ao longe e cozinharam, cozinharam, cozinharam… E fizeram um gordo “manguito” aos Chefs gaulese muito estrelados!

gente

O conviva chegava, por 3 euros comprava uma senha que trazia um prato de louça e talheres. Passava pelo forno comunitário e encontrava o Chefe Américo a amassar e cozer o pão, as bolas, de carne, de bacalhau, as pizzas… Depois ia ter mais acima com o Chefe Tomé que ostentava uma Sopa de Barbo (na véspera pelo Mondego dado) de três assobios. Às espaldas, o Chefe Carvalho recriava o Feijão Frade com Açorda de Bacalhau que desde sempre vira seus pais e avós fazer lá em casa para as ceifas e outras empresas. Depois, volta ao lado e o Chefe Constantino destapava a panela onde o arroz de feijão com hortaliça, apicantado, saboroso, esperava o glorioso momento de amortalhar o fatiado pernil de “reco” caseiro a doirar à brasa viva. Uns metros à direita, e atrás de sua barba sabedora de tão branca, o Chefe Gonçalves orgulhava-se da sápida Caldeirada de Cabrito.

grupo

Todos ufanos de sua arte e na galhardia do seu conviver, eles todos sabem que o que têm de unido e franco é tão bom que tem de ser partilhado. E assim, deste querer comum, nasce mais uma tradição, a manter decerto, por Terras de Azurara, onde a dinâmica das suas gentes e seus autarcas porfia em ser beiroa na arte secular do caloroso acolhimento. Até para o ano!

 

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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