ABRIL A JULHO NOVA TEMPORADA NO TEATRO VIRIATO

por Rua Direita | 2016.04.02 - 10:56

 

 

Apresentamos uma programação forte e multidisciplinar. Trata-se de uma programação onde conseguimos ter, com o mesmo peso, propostas de Teatro, Música e Dança. A nível de Teatro as propostas são fortíssimas, a maior parte delas já foram criadas e são dirigidas por encenadores maiores que se fazem acompanhar de elencos de grandes atores. Acolhemos obras de Nuno Cardoso, Tiago Rodrigues e de Nuno M- Cardoso. Na dança temos uma oferta diversificada, com algumas surpresas mas também com a apresentação de coreógrafos consagrados, como João dos Santos Martins, António Cabrita e São Castro. Na música, para além de um café-concerto com Ana Deuse Nuno Tricot, teremos um momento maior com o concerto da Orquestra Gulbenkian. Ao longo da temporada apresentamos três estreias: O Museu da Existência de Rafaela Santos e Fernando Giestas, Revisitar, uma nova visita guiada para o Museu Nacional Grão Vasco criada pelas artistas Leonor Barata e Patrícia Portela e 2035, peça encenada por Fraga em conjunto com a comunidade.

Paulo Ribeiro, durante a apresentação da programação de ABR a JUL’16

 

A temporada abre com dança, mais propriamente com a apresentação de Rule Of Thirds (09 de abril), de António Cabrita e São Castro, uma semana depois da estreia deste espetáculo na Culturgest, em Lisboa. Os coreógrafos inspiraram-se no trabalho fotográfico de Henri Cartier-Bresson, e criaram uma peça poética para quatro bailarinos. No início da primeira quinzena, ocorre a primeira estreia pela mão da associação Amarelo Silvestre, da encenadora Rafaela Santos e do dramaturgo Fernando Giestas. Em Museu da Existência (15 e 16 de abril) os criadores porcuram construir um museu a partir de objetos que dão vida às pessoas e às suas histórias. Esta peça surge depois de um processo criativo com cinco famílias de Viseu, que ao longo de duas semanas recebem micro-performances, dentro das suas próprias casas. Em antestreia, o coreógrafo Paulo Ribeiro dá a conhecer Ceci nest pas un film – Dueto para maça e ovo (22 de abril). Com este espetáculo, o coreógrafo proporciona uma reflexão sobre a evolução do cinema e da dança ao longo do tempo. O mês de abril encerra com um Reencontro (30 de abril) único entre quatro coreógrafos que marcam a chamada Nova Dança Portuguesa. Vinte anos depois do projeto Quatro árias de ópera, criado para o Ballet Gulbenkian, Clara Andermatt, Vera Mantero, João Fiadeiro e Paulo Ribeiro reencontram-se e assumem o desafio de serem dirigidos pelo jovem coreógrafo João dos Santos Martins, nascido na transição dos anos 80 para os 90. Neste evento, será também apresentado, de forma informal, o projeto sediado na FCSH da Universidade Nova de Lisboa, TKB: A Transmedia Knowlegde-Base for Performing Arts.

 

Associando-se ao programa de comemoração dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia de Viseu, o Teatro Viriato traz até Viseu, mais propriamente à Sé de Viseu, a Orquestra Gulbenkian (06 de maio). Uma oportunidade de conhecer o prestigiado trabalho desta orquestra. O jovem coreógrafo João dos Santos Martins, que também participa no Reencontro no dia 30 de abril, recorreu à história da dança, aos seus contextos e ideologias para criar Projeto Continuado (2015) (07 de maio), uma coreografia com a qual procura sistematizar, experimentar e ensaiar diferentes modelos de organização coletiva, segundo relações de dependência, independência e interdependência. Três anos volvidos desde a apresentação de Visitas Dançadas, a coreógrafa e bailarina Leonor Barata regressa ao Museu Nacional Grão Vasco, agora na cumplicidade da artista multidisciplinar Patrícia Portela, com Revisitar (11 a 31 de maio), uma performance que procurará ver a coleção do museu com um novo olhar e novos gestos, propondo assim uma nova viagem. Em mais uma incursão pelo teatro clássico francês, a companhia Ao Cabo Teatro e o encenador Nuno Cardoso (Artista Residente no Teatro Viriato 2016) recuperam e renovam o texto de Molière, O Misantropo (20 e 21 de maio), dando-lhe uma nova compreensão da carga performativa e simbólica. Para o público familiar, 27 e 28 de maio, o Teatro Viriato sugere o conjunto de leituras encenadas Boca Aberta, com as quais se pretende dar a conhecer obras clássicas, lançar questões e desafios que estimulem a imaginação, mas sobretudo despertam para a importância da palavra. A partir da leitura de Eurípedes, Sófocles e Ésquilo, o encenador e diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, recriou três tragédias gregas: Ifigénia (26 maio), Agamémnon (27 maio) e Electra (28 maio). Três espetáculos diferentes criados com a urgência do nosso tempo em diálogo com o reportório da tragédia grega que continua tão atual.

 

A área do teatro continua a ter destaque no mês de junho, que inicia com a nova criação de Nuno M Cardoso que apresenta um díptico de peças do dramaturgo Simon Stephens. Águas Profundas [Wastwater] e Terminal de Aeroporto [T5] (03 de junho) são duas peças com uma linguagem dura sobre relações, decisões, desolação e fuga, assim como pessoas e quotidianos banais que são transformados em situações limite. Numa fusão dinâmica entre música tradicional e sonoridades eletrónicas, o coletivo Macadame (04 de junho) recupera os temas populares portugueses e cria um universo musical muito próprio e envolvente. No concerto em Viseu, será possível conhecer os dois álbuns do grupo: Firmamento e Pão quente e bacalhau cru. Inspirados pela poesia de autores internados em manicómios ou que em algum momento da sua vida passaram pela dor psicológica, Ana Deus e Nicolas Tricot desenvolveram o álbum Bruta (08 de junho). No palco do foyer, os músicos dão a conhecer os temas deste trabalho, assim como temas trabalhados a partir de um autor da região de Viseu. Oito meses de trabalho criativo entre o encenador Fraga e um grupo de pessoas não profissionais, culminam com a estreia de 2035 (16 a 19 de junho), um espetáculo construído a partir das leituras de O Albergue Noturno, de Máximo Gorky, e Os Últimos Dias da Humanidade, de Karl Kraus. No âmbito do Espaço Aberto, o Teatro Viriato acolhe as Apresentações do Lugar Presente (21 a 26 de junho), um momento simbólico, no qual a escola de dança encerra o ano letivo. Levantando o véu à temporada de setembro a dezembro, o Teatro Viriato antecipa a divulgação da estreia em Portugal de Steamboat Switzerland Extended, no dia 30 de setembro, um coletivo que se inspira nas misturas explosivas e eletrizantes das sonoridades do Heavy Metal, e às quais incorpora também elementos da música contemporânea. Na área do Teatro, outubro inicia com Só há uma vida e nela quero ter tempo para construir-me e destruir-me (07 e 08 de outubro), um projeto a desenvolver com a comunidade escolar de Viseu da autoria de Ana Borralho e João Galante.

 

A pensar nas férias letivas, o Teatro Viriato sugere de 27 de junho a 01 de julho, para crianças entre os 10 e os 14 anos, a oficina DECA! Laboratório de Diabolo, que desafiará os participantes a explorarem a relação entre corpo e objeto, valorizando a pesquisa de uma linguagem pessoal.

 

Em digressão pela Europa, a coreografia A Festa (da insignificância), de Paulo Ribeiro, regressa ao Teatro Viriato sob a forma de instantes fotográficos captados pelas lentes de quatro fotógrafos. José Alfredo, Carlos Fernandes, Joaquim Leal e Paulo Sabino assistiram a diferentes apresentações do espetáculo e imortalizaram a intensidade, a beleza e as cumplicidades poéticas criadas entre público e intérpretes. Ao longo desta exposição será possível observar o objetivo maior desta criação de Paulo Ribeiro, o de Dar Corpo à Utopia (09 de abril a 22 de juho).

 AFRodrigues

Projecto na área da comunicação social digital, 24 horas por dia e 7 dias por semana dedicado ao distrito de Viseu

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