“A Sé de Lamego no Museu” marca início das celebrações da Semana Santa

por Rua Direita | 2014.03.18 - 16:08

Congregar esforços que ajudem a combater a crise económica, o aumento da emigração e o despovoamento da região foi a preocupação que serviu de pano de fundo à assinatura do protocolo [Em]COMUM, entre a Diocese de Lamego e o Museu de Lamego, e que deu origem à exposição “A Sé de Lamego no Museu”. A mostra marca o início das celebrações da Semana Santa, que este ano começa também a assumir-se na vertente do turismo religioso, como um espaço de cultura complementar ao programa religioso.

Como assinalou o Diretor do Arquivo-Museu Diocesano, Pe. João Carlos Morgado, a Semana Santa é “uma Solenidade anual que mobiliza a inteira sociedade, crentes e não crentes. Nela se procura um aprofundamento da fé, um enriquecimento cultural, um tempo de turismo e lazer que (re)descubra tradições seculares e costumes artesanais ou gastronómicos. Ou tudo ao mesmo tempo, porque na verdade há uma interligação profunda entre todas estas vertentes da peregrinação humana”.

A mesma ideia foi defendida pelo Diretor do Museu de Lamego, Luís Sebastian, relembrando ainda que o Turismo Cultural é positivo para toda a região, dada a sua potencialidade de criação de emprego, atração de novos turistas e de recuperação de tradições perdidas.

Esta íntima ligação entre a cultura e economia foi também destacada pelo Diretor da Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN), António Ponte, que vê na cultura “um ativo que pode regenerar economicamente a região”, tendo-se ainda congratulado pela parceria entre as instituições, em prol do desenvolvimento do concelho de Lamego. Em causa a recente criação da Rede de Monumentos de Lamego, que une Museu de Lamego/DRCN, Diocese de Lamego e Município de Lamego, na abertura e gestão articuladas dos espaços/monumentos à sua guarda. Como registou Luís Sebastian, “é importante que a cidade funcione como um todo”, em prol da qualidade na hora de receber o turista.

Também presente no evento, a vereadora do Município de Lamego, Marina Vale, relembrou que “preservar o património é preservar a identidade” e que o trabalho de parceria vai beneficiar a cidade e “o conhecimento do seu valiosíssimo património”.

A cerimónia de inauguração da exposição “A Sé de Lamego no Museu”, que decorreu no dia 16 de março, não terminou sem a troca simbólica dos textos do protocolo de colaboração [Em]COMUM.

“A Sé de Lamego no Museu” e o Projeto [Em]COMUM

Patente no Arquivo-Museu Diocesano de Lamego até 30 de abril, “A Sé de Lamego no Museu” é o primeiro resultado visível do projeto [Em]COMUM, protocolo que, como referiu o Diretor do Museu de Lamego, veio formalizar e trazer organização ao que habitualmente já vinha sendo feito ou, como referiu o Pe. João Carlos Morgado, “conjuga esforços, congrega instituições e irmana vontades comuns do Estado, da Igreja e da Sociedade Civil na divulgação do património”.

A mostra, assumida como uma oportunidade para refletir sobre a musealização do sagrado, reúne um conjunto de obras há quase 100 anos à guarda do Museu de Lamego, mas inicialmente distribuídas pelas dependências da Catedral e que a 1ª República, com a Lei da Separação do Estado da Igreja, viria a nacionalizar.

Uma visita pelo espaço, que começa desde logo por um cubo que narra o percurso dos objetos, tendo como ponto de partida e de chegada a Catedral lamecense, lança o visitante através dos séculos e do papel que a Sé sempre desempenhou como espaço de criação artística, a que os sucessivos bispos e cabido deram especial atenção.

Para a memória dos grandes empreendimentos na catedral ficam nomes como o de Grão Vasco, cujas tábuas remanescentes estão hoje à guarda do Museu de Lamego e que “A Sé de Lamego no Museu” regista como um dos maiores nomes da arte portuguesa, ao serviço da catedral entre 1506 e 1511.

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