Os assanhados

por Paulo Neto | 2015.04.22 - 18:38

 

 

 

Nam sejas ligeiro a t’assanhar, e irar: porque a ira no sêo do ignorante, e sandeu repousa e descansa.”

O Livro de Ecclesiastes, capitolo VII, 10.

 

 

Mal António Costa apresentou o seu punhado de medidas, o “país” alaranjado atremoujou-se e acolitado pelos azulados, parece ter ficado com emergente urticária.

No meu magro discernimento, Coelho & Portas não se deviam preocupar com as propostas/promessas de Costa. Estão a valorizá-las… Deviam ralar-se, e muito, com aquelas que fizeram e não cumpriram. E foram às dezenas.

Mas… diz o meu sábio povo: “Ovelha ruiva como é assim cuida“. E aquele “par de dois” no temor de serem em breve a pontapé corridos, começam já, clamantes e vociferantes, a fazer aquilo em que são melhores: a chicana política dos javardolas.

E vai daí, para escaparem à discussão dos seus contínuos e repetidos embustes, recuam para diante e passam a disparar, em rajada, sobre todas as sombras que mexem, mesmo e ainda as de Alcácer Quibir…

Tudo isto, claro está, no linguarejar poluto da política abusada.

Ah! quão necessária seria uma linguagem nova e limpa… e não o cacarejar estrénuo dos vendilhões do templo…

 

O medo corporiza diversas formas. Em seu auge, será terror e pânico. Hoje, as hostes de Coelho & Portas pareciam possessas desse terror e prenhes desse pânico.

Oh senhores… deixai a procissão sair da sacristia, permiti-lhe ao menos que alcance o adro!

Ainda nem a conegazia s’acomoda sob o pálio e já vós tão céleres e hostis estrepitais?

Lêde Sun Tzu, a sua “Arte da Guerra” e ficai a saber que exército atemorizado tem a batalha meia perdida.

De facto, quão torpe há-de ser a consciência de alguns, no tão esconso semideiro da vil mentira em que refocilam…