Ontem o pão. Hoje a paz…

por Paulo Neto | 2015.04.11 - 17:46

Escrevemos ontem sobre os apaniguados deixando para hoje a outra face da moeda: os apaziguados.

Os apaziguados são os sossegados, os pacificados.

Bizarramente ou não, as duas palavras têm mais em comum do que aparentam.

Para lá da forma, para além da composição, detêm uma relação semântico-causal assazmente interessante.

Os apaniguados, quando alcançam o acto porfiado e seu estatuto inerente e decorrente, apaziguam-se. Apaziguados e seráficos, serenam.

E porque serenarão, tais almas penadas do pedir?

Porque se candidataram e persistentes alcançaram o favor poderoso que é garante certeiro do estipêndio.

Porque atraíram o aceno, adejante e acariciante, no cachaço impado do mimo, que simboliza o provento previdente da dotação para que foram providos, para um porvir mais ou menos lato, se bem que passível das vicissitudes que ora arrastam ora afastam a enxurrada de ineptos que são e que a meteorologia da vida, periódica e sistematicamente, como as marés, qualquer que seja o oceano portador, traz e leva da praia, de modo mais efémero ou perene…

… sempre, contudo, com a comummente fraca impressão, que nem indeléveis marcas na areia húmida conseguem deixar, neste litoral ensolarado, onde os trauliteiros ostentam os inchados umbigos, nos túmidos ventres, mantidos com o presigo da prebenda, mais a suposta paz do suposto dever cumprido…

… como justos vencedores, entediados e ociosos no olimpo humano…

… vencedores, pelo menos e perante si próprios, face às ambições delineadas e ao triunfo obtido…