O Portugal ao “pé-coxinho” de Almeida Henriques

por Paulo Neto | 2015.04.18 - 11:39

 

Foi com o maior pesar que soubemos pela LUSA que tinham sido “chumbadas 56% de um total de 175 das candidaturas ao Desenvolvimento Local de Base Comunitária”, logo na pré-qualificação tendo sido aprovadas 76 e reprovadas 99. Alegando a entidade decisora que “83 não reuniam condições de qualificação e 16 não tinham, sequer, condições de admissibilidade”.

A Região Centro teve 22 candidaturas aprovadas e 44 chumbadas, tendo sido as 35 candidaturas apresentadas na vertente urbana todas reprovadas. Entre elas, a de Viseu feita em parceria com o CERV, Conselho Empresarial da Região de Viseu, cujo presidente é João Cota, o ex-presidente da AIRV.

Lembramos que até aqui a apresentação de candidaturas e a gestão dos dinheiros comunitários era feita pela ADDLAP tendo, pela primeira vez, sido fraccionada para dar oportunidade ao CERV de fazer a sua gestão. Foram feitos vários seminários sobre o assunto, trouxeram-se secretários de Estado, foram delegações em comitiva aos lugares de decisão, mas… pelos vistos e lamentavelmente, debalde…

Foi criado um consórcio para estratégia de desenvolvimento local e anunciado em Fevereiro deste ano, a VISSAIUM 21, tendo na altura Almeida Henriques anunciado ser “uma prova da maioridade da sociedade de Viseu e um teste à sua capacidade”. Almeida Henriques e os seus “partners”, infelizmente para a sociedade viseense reprovaram no teste. A comissão executiva deste consórcio foi liderada pelo CERV em quem todos nós depositáramos a maior esperança e a mais inteira fé. Faltou-lhe, talvez, a “maioridade” exigida. Era em grande parte com base no êxito desta candidatura que, nas palavras do autarca “Viseu quer defender e projectar o seu estatuto e o seu desígnio de Melhor Cidade Para Viver”. Esperamos que tal e tão fundamental desiderato não fique agora comprometido, até e porque este eixo é a essência de um programa autárquico nas urnas sufragado. Na altura, o autarca destacou ainda  “defender esse desígnio pelo investimento nas pessoas e nos territórios enquanto realidades humanas, económicas e culturais” enquadrado em problemas tais como “o elevado desemprego jovem, a falta de qualificações profissionais de desempregados, a dependência de rendimentos sociais e o aumento acentuado do envelhecimento populacional.” E acabava as suas declarações referindo a importância que esta candidatura tinha para “reabilitação do edificado”, rematando “Estamos ansiosos para que os financiamentos do Portugal 2020 se abram definitivamente para activar o seu funcionamento.”

Ontem, em conferência de imprensa, o autarca desabafou o seu “desconforto” pela reprovação desta tão ansiada candidatura, cujo resultado apodou de “absoluto paradoxo” e mais disse que o Portugal 2020 ”não está a começar bem: começa com o pé esquerdo, ou, para quem não goste da expressão, com o pé-coxinho”.

Numa crítica implícita ao governo “laranja”, o autarca foi mais longe “é um bocado decepcionante ver que trabalho bem feito é literalmente deitado para o caixote do lixo” e que tem alertado “para a deriva centralista dos novos fundos comunitários” e para o centralismo do poder que “é um desrespeito pela autonomia do poder local. É preciso corrigir a miopia centralista”, advertiu.

Recordamos que Almeida Henriques deixou o lugar de secretário de Estado da Economia deste governo para se candidatar à CMV, devendo por isso, seguramente, saber do que fala.

Perante os factos e os eventuais e consideráveis prejuízos daí advenientes, o Rua Direita não quer deixar de expressar aqui a sua total solidariedade com Almeida Henriques e João Cota, os homens certos nos lugares certos, que apesar de tudo terem feito para o êxito desta candidatura foram mal compreendidos pelos seus correligionários laranja do poder central.

Um forte e solidário abraço.

 

 

 

(Foto DR, CMV facebook)