Ninguém é Elizabeth Niangarora?

por Paulo Neto | 2015.04.08 - 16:26

Ou… o menosprezo por África

 

Se eu fosse africano talvez odiasse os europeus. Belgas, ingleses, portugueses, franceses… todos foram muito “amigos” de África. E muitos continuam a sê-lo. A Alemanha e a França, principalmente… que continuam hipocritamente a condenar, com suave brandura, os genocídios, os assassínios, as guerrilhas, as guerras… enquanto, na “candonga” despudorada mas só semi-clandestina, continuam os imensos negócios do armamento, do petróleo, dos diamantes e etc.

Talvez por isso, com uma mão lavando a outra, todos “chutam para canto” perante a execução de 148 pessoas, estudantes, na universidade de Garissa, no este do Quénia. A comunicação social quase a ignorou e, honra seja feita, foram as redes sociais quem mais “massacrou” as tranquilas consciências do restante mundo.

Piores que todos – pois têm mais responsabilidades – os chefes de Estado que há bem pouco tempo marcharam de braços dados nos Campos Elíseos, em Paris. Brancos e pretos; católicos e muçulmanos… todos ficaram muito bem no retrato. O retrato da hipocrisia mediática, num mundo onde o parecer releva com larga margem o ser

Deixo-vos com a fotografia da jovem Elizabeth Niangarora, com uma vida à sua frente, sonhos e esperanças… Os bárbaros assassinos deram-se à supina malvadez de arrastar seus familiares para assistirem, frente a frente, à sua eliminação.

Elizabeth é o rosto do Quénia…