“É a hora!” – sonha Coelho

por Paulo Neto | 2015.03.28 - 10:12

 

 

Toda a gente criticou Coelho por ter afirmado, em Tóquio, que…

“Portugal, como mostrou nos últimos anos, tem uma resiliência política e social muito grande e esse é um factor distintivo” (Esta verdade é de La Palisse)…

“grande resiliência, com uma grande previsibilidade política, económica e social”

“tudo isto, associado aos grandes esforços de reforma económica” que o país tem concretizado, “apontará para que Portugal possa ser realmente uma das nações mais competitivas do mundo

 

Muito bem dito. Há palavras que não custam a proferir!

Resiliência temos cabonde . Suportamos tudo. Até os dislates e alucinações do proferente. Previsibilidade também. E não é preciso ir à Maya para saber que temos décadas de desgraça pela frente. Quanto a ser uma das nações mais competitivas do mundo, este retomar do mito pessoano, reinventado, do 5º Império, sendo um bocadinho esotérico e até “rosacruciano”, fica bem entre umas taças de saké.

E até rejubilamos por Coelho ter lido “ Fama Fraternitatis” (1614) de Christian RosenKreuz… Já em 1638 H. Adamson (em The Muses Threnodies) acerca da segunda visão referia…

Coisas por acontecer nós podemos prever acertadamente…

E no mapa, não dizia Pessoa que Portugal era a cabeça (pensante) e rosto (atento) da Europa?

Fita com olhar esfíngico e fatal,

O ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

É a hora! Coelho continua certo porque não apontou datas e como Portugal foi uma grande potência durante meia década, no século XVII, pode vir a sê-lo, de novo, no século XXV ou XXVI. Quem sabe?

 

Assim, a lenda se escorre

A entrar na realidade,

E a fecundá-la decorre.

Em baixo, a vida, metade

De nada, morre.

Achamos acertadíssimo que Coelho continue a inspirar-se em Pessoa, até porque precisamos de mitos como de pão para a boca e nunca esqueçamos… O mito é o nada que é tudo.

Além disso, Coelho feito Gama, bem pode dizer aos japoneses, apesar da Fitch manter Portugal no nível “lixo”…

Aqui ao leme sou mais do que eu:

Sou um povo que quer um mar que é teu…

Mesmo que a reduzida confiança no cumprimento das metas do défice e a revisão em baixa do potencial de crescimento da economia, sejam ondas alterosas da procela que faz dançar a nau “no mar sem fundo”. Porque, segundo Maria Luís, “os cofres estão cheios” de dinheiro… emprestado, mas isso é de somenos .