Coitado do Centro Histórico, que já começa a enjoar

por Paulo Neto | 2015.04.15 - 20:37

 

Andamos há anos a ver desfraldar a bandeira do centro histórico. Não há tartamudo nem gato-sapato que não tenha mirabolantes ideias sobre o assunto, nem o espírito e objectivo da salvação de Viseu centrifugado a partir desse núcleo.

Todos os partidos têm grandes visões, não há autarca que não opine acerca… Todos os subsídio-dependentes apresentam sugestões. O engraxador das 4 Esquinas têm a sua ideia, o Zé Cauteleiro manifesta sua perspectiva, a Idália Peixeira gostaria que fosse deste modo…

Desde que se criou aquela “coisa-participativa” há que ter os neurónios a fervilhar, propostas “prêt-à-porter”, inovação, celeridade, eficácia, eficiência… um casbah!

E porém, ele lá permanece, inalterado, com ligeiras mudanças desde o tempo das muralhas afonsinas, a ver desfilar a procissão dos iluminados com as candeias da maravilha e o incenso da purificação.

Com tanto fogo-faralho, tanto “parle-à-pied”, tanto dinheirinho gasto, tanta publicidade, tanto colóquio, convenção, conferência, seminário, encontro, palestra e etc.-e-tal, não seria o tempo de vermos qualquer coisinha?

A próxima, e estamos certos de que não será “pour épater le bourgeois”, subordina-se ao tema: “Práticas de Reabilitação de Centros Históricos: recomendam-se?

Se a pergunta é de retórica ou não, ignoramo-lo… Se se recomendam? Talvez sim. Mas não seria tempo de passar deste “charivari” folclórico à concretização de algo palpável, com cabeça, tronco e membros e… resultados concretos no terreno? Talvez qualquer receita do género: “Menos conversa e mais actos?”

Ou será mesmo um “teatro” feito de propósito, uma fatiota à medida do corpo, um empatar crónico, para se ver, finalmente, que esgotados os dinheiros herdados, anuladas as ideias de nascença apoucadas, o Centro Histórico é mais uma patranha como a da Universidade Pública, o Mercado 2 de Maio, a auto-estrada para Coimbra, o comboio Aveiro-Salamanca, as avionetas para Tires, et all…?