Afinal, quem é o candidato Henrique Neto?

por Paulo Neto | 2015.03.25 - 14:01

 

É o 1º candidato oficial a presidente da República para as próximas eleições.

O homem:

Nasceu em Lisboa em 1936, no Beco do Carrasco, Paço dos Negros. É oriundo de uma família de operários na indústria vidreira. Fez o curso Industrial e Comercial a trabalhar desde os 14 anos como aprendiz na indústria da madeira e muito mais tarde estudou Gestão na universidade de Navarra. Casado, tem três filhos e vive em S. Pedro de Moel.

O empresário:

Em 1975, com o engº Joaquim Meneses fundou a Ibermoldes que muito se desenvolveu tornando-se  uma das maiores organizações internacionais nas áreas dos moldes, uma holding com mais de 12 companhias industriais e 1.000 empregados. Em 1992 criaram a SETSA, empresa de engenharia pioneira e especialista em novos produtos com tecnologia mundialmente inovadora.

Foi vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa – AIP. Está reformado e vendeu a sua participação nas empresas, afirmando “não sou um homem rico”.

O político:

Foi opositor ao regime fascista, chegando a ser o candidato por Leiria, em 1969, da Oposição Democrática, MUD. Foi membro do PCP de 1969 a 1975. Em 1993, a convite de Jorge Sampaio, entra no PS. Na VIIª Legislatura, a de Guterres, foi deputado à AR, de 1995 a 1999.

Desde cedo entrou em ruptura com Pina Moura e Jorge Coelho. No seu blog www.pontoblogue.com tece duras críticas a José Sócrates: “Este gajo é um aldrabão, é um vendedor de automóveis”, diz que “se tiver uma paixão é Portugal”. Ainda sobre Sócrates e Almeida Santos, na mesma fonte, escreve: “São uma máfia que ganhou experiência na maçonaria”.

Henrique José de Sousa Neto, em recente entrevista ao DN, não poupa quase ninguém:

Sobre António Costa: “Uma interrogação”, “não iria apoiar a minha candidatura em nenhuma circunstância, por diversas razões, entre elas, os diversos interesses que existem no PS”;

Sobre Seguro: “Um homem bom”;

Sobre Sócrates: “Um desastre, um vendedor de automóveis”;

Sobre Cavaco Silva: “um erro de casting“, “um dos principais culpados pelo mau processo de integração europeia”;

Sobre Mário Soares: “eu nunca fui um soarista” e “nunca gostei de Mário Soares”;

Sobre Marcelo Rebelo de Sousa: “o candidato mais forte da direita” e “com grande capacidade de movimentação popular”;

Sobre Rui Rio: “pessoa muito racional, mas independente, a pensar pela sua cabeça e menos susceptível de ser manipulado”;

Sobre Passos Coelho: ” cometeu demasiados erros” e “distribuiu mal os sacrifícios, prejudicou os mais fracos e privilegiou as classes médias altas, as grandes empresas, os grandes grupos económicos, em prejuízo da economia”.

Para rematar este breve perfil, Henrique Neto, que este mês completou 78 anos — uma bonita idade — afirma ser a sua candidatura “completamente independente, sem apoio dos partidos e com o objectivo de produzir grandes mudanças na política portuguesa…”. A ver vamos.

Seja como for, à esquerda do PSD nada se adivinha, Guterres não vem, Vitorino tem lóbis a mais e… quanto ao PSD, desde Marcelo a Rui Rio, passando pelos episódicos Jardim e Santana, tudo está na bicha e de ticket na mão, à espera de ser chamado. No PCP reina o silêncio. No CDS… será quem o PSD mandar.

Henrique Neto, por seu turno, e respeitadas as infinitas distâncias, faz lembrar a candidatura espontânea de José Costa à CMV, ao arrepio do aparelho e de qualquer bom senso. Durou 24 horas, o tempo adequado ao ambicioso número 2 do IPV para fazer um “figurão”…

 

(foto DR)