A oportuna oportunidade do dr. Cota

por Paulo Neto | 2015.03.15 - 21:42

 

O estimável dr. Cota — nunca sei com quantos “tês” se escreve — empresário, político e presidente, por quem nutro a maior simpatia e admiração, periodicamente conforta-nos e deleita-nos com um artigo de opinião no seu semanário.

Geralmente, antes ou depois de uma daquelas preciosas conferências, congressos, colóquios, seminários congregadores da nata regional-nacional dos gestores bem-pensantes.

Desta feita, num artigo de duas magras colunas — quantidade nem sempre é qualidade, claro — o articulista fala muito de “mérito“, conceito que sempre aplaudimos de pé e no qual o partido que representa é fértil em modelares exemplos.

Depois do mérito vem a “oportunidade“. Já lhe perdi a conta, mas creio que repete obsessivamente o termo umas seis ou sete vezes, como se de uma imagem obsidiante se tratasse e centrada na macro e irradiante frase:

Ser empresário é também estar muito atento às oportunidades.”

Também concordamos que é oportuno o conselho. E mais do que “estar muito atento” às ditas é oportuno captar oportunidades… Mas isso já o sabíamos e o estimável Cota tem tido a oportunidade de o mostrar. É oportuno na AMV, na AIMCIMVDL, na AG do IPV, na AIRV, no CERV e há-de ser oportuno, se tiver oportunidade, na gestão do 2020, que muito se tem oportunamente esforçado por captar para o Conselho Empresarial da Região de Viseu a que preside, com toda a oportunidade.

Quase a terminar a sua loquaz e lúcida opinião, ainda nos alerta, oportuno:

Estamos inseridos na União Europeia, feita de diversidades mas um enorme espaço de oportunidades.

La Palisse nunca conseguiria construir este sintagma… A informação é preciosa, mormente para os mais distraídos que ainda não tivessem adregado a constatar a nossa inserção, como pertinentíssima é a referência às suas diversidades.

Ó preclaro amigo, para a “coisa” ficar mesmo perfeitinha e de prémio Nobel eu só lhe tirava a adversativa, pois o “mas“, ali, de facto, não é nada oportuno…

Porque é exactamente nas diversidades que residem as oportunidades. Ou não será?

Mas um empresário – mesmo presidente – não tem que ser filólogo, pois não?