A caridadezinha para o retrato

por Paulo Neto | 2015.04.07 - 11:22

 

Fernando Figueiredo publicou no “Viseu Senhora da Beira” um texto contundente sobre o executivo camarário viseense e seu modo mediático de dar a quem precisa.

Ler aqui…

http://gamvis.blogspot.pt/2015/04/o-autarca-novo-rico.html

Achamos louvável o papel social da autarquia – perante um Estado impiedoso e descuidado – na ajuda aos carenciados, nomeadamente os mais idosos, com habitações degradadas, ínfimas reformas, maleitas várias, muita solidão…

Há idosos a morrer sem terem a quem pedir ajuda, a quem recorrer, muitas vezes perante a insensibilidade e a ignorância dos serviços da Segurança Social, nem sempre capacitados para exequibilizar respostas para todos quantos delas precisam. A mais das vezes tendo-as politicamente direccionadas.

Por isso, é louvável que ainda existam instituições, como por exemplo a Igreja Católica, a Cáritas, certas autarquias, etc., que de forma “invisível”, numa discrição assente na grandeza do dar, o façam apenas e só para minimizar o sofrimento, a necessidade, a indigência, a pobreza de muitos.

Almeida Henriques gosta de dar. Bem sabemos que dá o que não é dele. Mas fazê-lo, ainda por cima à frente das máquinas fotográficas e de filmar é de uma abjecta intenção tão meramente demagógico-populista-eleitoralista, que acaba por sair todo “borrado” do retrato.

Quem dá para ser visto a dar, adultera toda a essência do acto, pois ignora o princípio que é o do amor pelo próximo e o seu afecto pelos desprotegidos do destino e da fortuna, mais os estigmatizando e marginalizando, do que os incluindo numa sociedade tão egoísta, tão sem valores, tão capaz de todas as vilanias.

Esta imperiosa necessidade de “holofotizar” o que faz e até o que não faz, tornando-se tipificada ou comportamento padrão, não pode ser uma postura normal, degenerando em disfunção. Logo, foro de domínios mais profundamente complexos.