VIVA AQUILINO!…

por Alberto Correia | 2014.09.12 - 10:40

 

(INVOCAÇÃO SOBRE O DIA 13 de SETEMBRO)

Aquilino Ribeiro faz anos!… Fará sempre anos, mesmo que não os possa contar já pelos dias do Calendário, mesmo que, como em sua vida, estranhe a sua celebração, jamais se tendo habituado a esse festivo costume, desde menino.

Mas o que nós celebramos neste dia é a memória, a memória actualizada da sua mensagem que, verdadeiramente, se confundiu sempre com a sua vida que foi de permanente e voluntariosa acção, de empenhada conquista, de incessante luta, de infrene trabalho, de sofrida defesa da honra, curtos temperos trazidos das afectividades que com intensidade viveu e da magreza de ócios que partilhou com amigos de fidelidades não transgredidas, companheiros de caça, de tertúlia, de ideal.

Esse exemplo de vida ficou. Lição. Depois ficou a obra. A generosidade dela.

Mais de meio século em retrato. Terras do Demo multiplicadas que permanecem minguadas de gente que delas se foi retirando, como em seu tempo. El-rei continua a não passar por lá. Os apóstolos da igualdade de que ele falou também arredios se mantêm. Sumiram-se os rebanhos dos montados que o fogo abrasou, desertaram os lobos que S. Francisco chamou irmãos, os outros, da metáfora, esses ainda andam por lá, infelizmente.

Poucos sabiam ler e escrever em seu tempo. E eu julgo que os tempos não vão muito diferentes. Os estudantes não levam na bolsa um livro de Aquilino. Os mais velhos dizem que não entendem. Desculpa de mau pagador. Também não entendem as “letras” das músicas anglófonas, talvez nem alguns dos cantores delas, e mantêm-se horas inteiras a escutá-las.

Razia cultural, desmate das tradições, vazios de alma mais danosos que o esvaziamento das aldeias porque já ninguém quer voltar dessas Franças e Araganças para onde empurrados foram. “Bem-feita”!… Diziam os antigos. Só que isto é uma tragédia.

Nenhum “Malhadinhas” se senta agora num muro sombreado das carvalhas de Barrelas nas horas mornas de uma tarde de mercado.

Mas hoje é dia de anos. É preciso que Aquilino fique surpreendido como nos tempos em que a afabilidade da esposa lhe depunha, sorrindo, um presente sobre a mesa.

Mesa de amigos, tem de ser.

Porque não é?! Pergunto eu. Porque alguns sabem que não é.