VISEU . RURALIDADES – Mestre Albino, Pucareiro

por Alberto Correia | 2014.08.26 - 10:29

VISEU . RURALIDADES

(Textos ilustrativos de m antigo viver rural nas margens de Viseu ilustrados com imagens de Arquivo de Foto Germano)

 

20 – MESTRE ALBINO, PUCAREIRO.

Albino Ribeiro (1890-1985), pucareiro de ofício, não é de Viseu. Nasceu mais longe, num povinho de S. Pedro de Paus, na dobra da Serra que desce para o Douro, onde pouco tempo viveu, que homem das sete partidas se tornou.

Saiu da terra, ainda criança, com o pai, pucareiro de ofício como ele há-de ser. O pai carregou a tenda, a roda, o saber. Acharam pouso em Ribeira de Arcas, termo de Castro Daire. O pai assentou a roda, cavou o chão de uma soenga e o burrico da casa depressa andava com a louça no mercado. E porque avaros os tempos, então, o pai regressa à sua terra. Albino, quase núbil, fica em Ribolhos, na vizinhança, oleiro por conta de outrem. E exílio teriam sido seus dias, não fora a graça de Glória que então era criança mas que um dia haverá de ser sua mulher.

Albino correu mundo. Andou por Seca e Meca, contava ele mais tarde. Foi soldado. Camponês no Ribatejo. Volta a Ribolhos, esquecendo a sua terra. Glória é então uma mulher. Casaram.

Depois a roda-viva da vida. E a sua roda baixa de pau de castanho, o campo pesado da roda corrido com a mão, o esquinote, a scanabita, a tripeça, a soenga cavada ao lado do caminho, o barro amassado e o giro da roda, o suor, e a fornada armada e um burrico chegando à boca da aldeia – Quem merca panelas!… – e a feira dos quinze, na vila. Carregado, o burrico de Albino entrou muitas vezes na fronteira de Viseu. Talhas, panelas, caçoilas, tendedeiras, assadores de castanha, pucarinhos. O Adro cheio de mulheres, nas aldeias, a Nordeste.

Mestre Albino, que assim agora é chamado, mestre que, segundo o conceito de Aquilino é quem é perfeito em seu mecânico mester, veio a Viseu, muitas vezes, à Feira Franca que, em seu tempo era assim que se dizia. Albino, pucareiro, nesse tempo modelava, quasi como se artista fosse, um miúdo figurado que, no geral, fantasiava a sua serra. Mas o “Infante D. Henrique” de que inventa impressiva figurinha, foi em Viseu que o concebeu.

 

Soenga – Cova onde se coloca a louça para cozer.

Esquinote – Pequeno instrumento de madeira utilizado na modelação.

Scanabita – Pequeno instrumento de madeira usado na modelação.

Tripeça – Banco de três pés onde o oleiro se senta quando trabalha na roda.