Uma boa música que distraia os dias

por Maria José Quintela | 2014.03.29 - 13:08

não se deve acumular o excesso que não nos serve só pelo medo do que venha a faltar. o regaço do universo é fértil e generoso. felizmente nem todos os rios são irmãos do sangue que se faz manto de destroços. alguns são água pura de beber e matar a sede. obviamente falo de fé e de danos. relâmpagos e desaparições. por vezes a inocência ainda espreita para se espantar. o que dizem de nós sem saber. o que somos e não dizem. o que não sabem e dizem de si. são muitas as variantes e as invocações em vão. e tantas as surpresas quantas as voltas ao sol. tudo o que aqui é excesso só pode ser escassez além. de alguém. de resto um desequilíbrio homologado por minoria. em rigor ninguém se pode queixar de monotonia. que o tédio é outra coisa. coisa de quem pensa.

e eu penso: uma estrada plana é um roteiro de sílabas mornas. e os dias nascem todos incomuns. certo mesmo é a dúvida ser companheira fiel de uma vida. no limite talvez o enigma de deus seja o mesmo enigma da morte. mas ninguém espere por uma prova mediática. sim este é o lado da fé. não da resignação. quando muito um atrevimento súbito. qual assalto fugaz a uma fonte secreta de saber.

a felicidade é pouca. e pouco duradoura. sabe-se de intuição. só o nega quem está em estado de graça. ou seguro da absolvição. estados efémeros. tudo depende da viagem e do destino. o importante é uma boa música que distraia os dias.