T´Chingange

por António Monteiro | 2014.01.19 - 22:21

Entre monossílabos de capitalistas, adivinhamos com lucidez que a nossa carta de alforria de cidadão, é uma descarada mentira; uns homens altos de mando disfarçados de gente-boa, comportam-se como estroinas no comando de um governo que nos faz sentir cada vez mais, escravos em pleno século XXI. Pálidos, com as mãos cruzadas nas costas, nós, os escravos, ziguezagueamos os caminhos em ordeiras filas, fazendo grandes carreiros de sobrevivência como a formiga kissonde, sem desrespeitar as margens beneméritas; por isso bastas vezes, eles, os donos do pedaço, são agraciados com diplomas abolicionistas.

Focinhando nuns lameiros de essências desagradáveis, atentamos que uns quantos janotas, vestidos de seda, roupas gritadoras, fumam charutos a acompanhar lanches com vinho do porto, furtando-se, disfarçados em trouxa d´ovos, aos complicados olhares no encontro dos espelhos. Com o sofisma de “a bem da nação”, dão-nos boleia em uma carruagem sem freio e, sem mais nem porquê, amarram-nos a tributos tipo troika esfolando-nos as aparas e raspas como se fossemos ricos rapazolas.

Esfolam-nos como se todos, fossemos filhos de vendeiros abastados dados a pândegas de parasitagem. Num viveiro de larvas sensuais, os janotas, chamam sobre si e a si, conselheiros fibrados na política, ávidos de sensações extremas e, no folgo de largos vícios com todos os inerentes segredos, como um beijo, bebem gota a gota, mesmo do homem mais avarento, todo o dinheiro que este pode dar de si; retalham-nos aos pedaços com o forte contributo desse tenebroso grupo financeiro multinacional chamado de Goldman Sachs escondido nas cortinas de todas as desgraças. Quase indiferentes, fecundamos a honestidade com um ar de triste bolor.

Quase indiferentes, fecundamos a honestidade com um ar de triste bolor.

Um mundo recheado de muita hipocrisia fez de mim um eremita lendo nas palavras as intenções fraudulentas, já quase, como uma premonição; presságios que me amedrontam.

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