Tal pressa, Isabel…

por PN | 2016.08.28 - 12:31

 

 

Um aneurisma nunca tem nada de bom… Por vezes, definitivamente põe um ponto final naquele organismo que elegeu para morada.

Dizem que acontece algures na quase infinita rede multiforme de canais por onde nos circula a vital seiva. Que é uma dilatação de um deles, no cérebro, na aorta… sei lá eu onde.

Anteontem, uma amiga, uma colega, uma conterrânea teve a fatalidade de um “coiso” desses lhe pôr termo à vida, à jovialidade, à alegria de existir, aos planos para a reforma, aos planos feitos orgulhosamente com os filhos, um casal, um deles há pouco casado, num relato que ouvi da boca da mãe orgulhosa, para aí há um mês…

Conheci os seus pais que por sua vez já tinham sido amigos de meus pais. Dois garbosos professores, ele com nome de escritor, a senhora com um nome de baptismo inusual.

Trabalhámos juntos, na mesma instituição, anos suficientes para partilharmos cumplicidades e desacordos, alentos e desalentos, dúvidas e certezas, lutas e festas.

O telefonema de ontem foi lacónico e meramente informativo: “A Isabel …… morreu com um aneurisma. O funeral é logo, às X horas.”

Fiquei atordoado, quase incrédulo, angustiado.

O fim a que todos temos implacável direito, de tão inesperado, traz pela mão a inelutável efemeridade deste nosso tão vão existir.

E tristeza, também.

Não fui ao teu funeral. Não ia lá fazer nada…

Guardo antes aquela nossa meia hora da ridente conversa de há dias.