Somos Palavras

por António Soares | 2015.06.27 - 15:52

 

Queremos que as palavras que nos arremessam sejam o suficiente para nos lacerar a alma. Queremos sofrer quando nos atiram um dicionário de insultos. Queremos que as palavras tenham esse poder porque percebemos que se palavras nos podem magoar, também nos podem alegrar, cativar, desarmar, amarrar, incendiar, gelar ou apaixonar.

É a razão que dá sentido aos livros, às cartas de amor, às mensagens escritas em toda a parte.

Mas as palavras são dependentes do estado de alma e do estado do tempo. São dependentes da dependência de dependerem de alguém. São efémeras e por vezes fugazes, quando tantas vezes as desejamos perenes e imortais.

Brincamos com as palavras como nos brincam com as emoções. E por isso respondemos à letra. Se nos atiram um dicionário, nós respondemos com um romance. Se perdemos num diálogo, procuramos defesa num solilóquio.

No fundo é assim que queremos que seja. Para sempre assim. Amamos as palavras e o poder que nelas depositamos. Granadas ou pombas brancas.

Somos mais irracionais do que pensamos, mais frágeis do que queremos, mais escritores e leitores do que sabemos.