Os Manolo Blanhik de Hillary Clinton não deixam dúvidas

por Graça Canto Moniz | 2014.02.04 - 11:54

Sim, sou católica. Praticante? Sim: bem ditas as missas do sábado e domingo ao fim do dia, depois de noitadas pecaminosas… Não fossem estas seria uma católica preguiçosa (para não dizer outra coisa). Procurava resposta no fim-de-semana passado para um fenómeno sobrenatural que tem vindo a acontecer comigo: a minha ligação com Hillary Clinton. Ela não sabe, como é óbvio. Encaixa-se naquele trecho “das coisas visíveis e invisíveis“, que oramos a dada altura na cerimónia litúrgica. Thank God, não estou insana. Ainda há quem diga que Deus não dá respostas, ora essa.

Esta ligação que, para já é unilateral, deixará de o ser em Janeiro de 2016 quando Hill tomar posse como Presidente dos EUA e eu estiver no meio da multidão, em Washington, a gritar até à rouquidão pelo nome dela. Sonha, Graça, sonha. Gostava de privar com a senhora Clinton para tentar (sublinhe-se o tentar) explicar o impacto que daquele discurso, depois de perder as directas para Obama, teve em mim. “No way, no how, no McCain”, safa. Que intensidade.

Bem, eu sou católica mas não sou totalmente tola, apenas moderadamente tresloucada. O facto constitutivo deste fascínio metafísico pela senhora começou quando comprei a biografia escrita por Carl Bernstein, “Hillary Clinton. Uma mulher no poder”. Foi então que começou o nosso bonding invisível político-intelectual, com uma frasezinha: «uma das cartas de Jones para Hillary em Wellesley aludia à enfâse dada por Edmund Burke à responsabilidade pessoal e levantava a questão de saber «se pode alguém ser um realista burkeano acerca da história da natureza humana e ao mesmo tempo ter sentimentos e pontos de vista liberais”. Na resposta, Hillary meditou: «É uma questão interessante a que colocou – pode alguém ter mente conservadora e coração liberal?».

Mas não foi só a frase e o clique que teve em mim, há outros aspectos que admiro em Hillary mas que são contas de outro rosário. Depois de ler o livro (confesso que ainda não acabei) comecei a perceber que, apesar de Hill não ter anunciado oficialmente a candidatura às eleições de 2016, há um movimento nacional nos EUA nesse sentido. Foi lançada também uma série (Political Animals) com uma colossal Sigourney Weaver a representar uma adaptação de Hill que recomendo para quem gosta do estilo House of Cards. Coincidências? Ou o meu poder político metafísico foi accionado quando comprei aquele livro? A senhora Hilton até já foi capa da Time recentemente, aparecia apenas o pezinho dela, com uns Manolo Blahnik, a esmagar alguém. Depois desta capa não tenho dúvidas: ninguém para uma mulher capaz de calçar uns Manolo Blahnik por isso o mundo vai ter uma Madam President em 2016. Mark my word.

P.S.: Hillary Rocks!

Graça Canto Moniz é filha do ano revolucionário de 1989 mas é, ela mesma, muito pouco dada a revoluções. Jurista e devoradora de livros, séries, filmes, paisagens e viagens.

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