O tempo encolhido

por PN | 2016.04.11 - 12:02

 

 

Hoje, o infinitamente breve enleou na intenção do adeus o braço só semi-erguido…

E agora, que 7 segundos são a duração máxima para a audibilidade de uma mensagem – dizem os estudiosos – que te posso eu dizer que ouças?

Contraído o tempo, somos objectos desaparecidos, voláteis membros de uma tecnologia comprimida na competição estratégica.

Qual sentido para o futuro? Endogenia para a redescoberta, agora, que o tempo está capturado, frágil e precário?

Emerge a nossa tensão na aceitação do efémero e na tirania da urgência.

Percebo enfim que a estética do mercenário esmagou as éticas da duração…

E como Benjamim aprendo que “a essência de uma coisa aparece na sua verdade quando está ameaçada de desaparecimento.”

E a incerteza, nesta tirania do imediato, reduziu-me os 7 segundos a um tempo desconhecido.

Inútil. Inabitável. Perdido. Do esquecimento…

O tempo do significante sem significado do “adeus”.