O Repto (para Paulo Neto)

por Jose Cruzio | 2014.11.27 - 21:26

 

A uma preleção que evoca a sabedoria milenar chinesa – que  muito tem que se lhe diga; uma cultura que nos deu o Tao,  Confúcio, bem como Sun Tzu, tão eloquente n’ “A Arte da Guerra” e o estado atual do seu modus vivendi – e  elaborando uma de inumeráveis possíveis teses do uso do texto para a explicitação do significado de uma imagem  poética, “desenhada” com  a luz, como diria Boorstin, no início de um dos capítulos de “Os Criadores” (1993:480) da Gradiva/Lisboa, responderei evocando  três pensamentos de Oscar Wilde. Não pretendo abrir um conflito entre a percepção milenar oriental e a  contemporânea ocidental, mas criar uma possível antí-tese que poderá ser-lhe complementar.

 

“E quem as criou, a essas maravilhosas figuras de movimentos rápidos, fê-lo para seu próprio prazer, e nunca perguntou ao público o que ele queria, nunca permitiu ao público o que lhe ditasse o que devia fazer ou o influenciasse de qualquer forma mas antes e continuou a intensificar a sua própria personalidade e a produzir o seu próprio trabalho individual”  de “A Alma do Homem sob o Socialismo” (2011:119).

 

E de “ O Retrato de Dorian Gray”, os outros dois pensamentos:

“Os que encontram significados disformes em coisas belas são corruptos sem agradarem, o que é um defeito.”;

“Os que encontram belos significados  em coisas belas são os cultos. Para esses há esperança.”

 

Se bem que o “belo” seja sempre relativo, consoante o indivíduo e a respectiva percepção estética; ainda que difira no contexto cultural e ideológico que  impera, não esqueçamos, como diria Susan Sontag, também está subjacente na produção/leitura de cada imagem.

 

E termino com uma citação de  Gaston Bachelard, retirada de “A Terra e os Sonhos do Repouso”:

“A imaginação não é mais do que a pessoa arrebatada nas coisas.”

Que haja imaginação. Haja algo mais. É o que pretendo. Seja com um texto “anti-tese”,  sem a imagem , ou em resposta a este repto, com ambos.

 

WILDE, O. (2011).”Pensamentos”.Edições Relógio d’Água: Lisboa

 

FOTO: 6_pequenos delitos_penúltimo ensaio da peça_josecruzio

Artista Plástico e docente de Artes Visuais, nascido em 1975. Vem de Coimbra e reside, actualmente, em Viseu.Ainda, acrescenta-se a vocação de "flâneur" na vida quotidiana. Observa tudo e todos e regista para "memória futura".

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