O MELHOR AMIGO DO HOMEM – UM CÃO

por Alberto Correia | 2015.08.08 - 19:58

 

               Homenagem à Escola de cães-guia para Cegos (Mortágua)

Era uma manhã ainda em começo neste sábado, 8 de Agosto, quando o meu amigo Rui Bondoso travou a sua bicicleta perto de mim numa álea do Parque Aquilino Ribeiro junto ao ângulo posterior da Igreja dita dos Terceiros, esse bonito templo que sobra da edificação conventual que ali demorou por muitos anos.

Detivera-se ao lado, junto à pequenina floresta de carvalhos, um jovem invisual com a sua cadela-guia, de nome Joana, que requerera esse habitual tempo de pausa para satisfação de suas necessidades fisiológicas. E pareceu, ao Rui Bondoso e a mim, que o jovem se inquietava um pouco com a demora da companheira e oferecemos nosso préstimo. Que não era necessário, tranquilizou-nos, e lá seguiu, sorrindo, acompanhado do “cão-guia”.

E ambos lembrámos o trabalho heroico e pioneiro da Escola de Cães-guia para Cegos que teve seu início em 1995, em Mortágua, tendo-se constituído em 2000 a Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual (ABAADV), a detentora da mesma, que tem desenvolvido um tão meritório trabalho na educação dos cães-guia que, neste momento, já terão servido mais de uma centena de invisuais. Apoios do Estado que tem, sem dúvida, mas graças, em ampla escala, aos patrocinadores, aos sócios e a tanto trabalho voluntário onde é justo distinguir o das Famílias de Acolhimento dos cães-guia.

E junto à pequena floresta de carvalhos lembrámos o esforço que é necessário fazer para educar os cães-guias, para que cumpram essa missão de partilha de vida com o companheiro de quem seguem os passos pela terra dos homens.

E eu não deixei de comentar: – Como é bem mais difícil educar os homens!…

Que uns e outros irmãos são, que Javé ambos criou, ao cão, no quinto dia da criação, ao homem, no sexto dia, quando se requeria, parece, a perfeição.

E dei por mim a lembrar os cães que acompanharam a minha infância e a adolescência, na aldeia. E lembro-me do Jordão, já era velhinho e eu ainda era pequenino, mas lembro a macieza do seu pelo cinzento, o olhar doce, a mansidão. Lembro-me do Chico, nome que já trazia, das corridas ao desafio, desse génio de guardador de uma cesta de merenda, de um casaco esquecido, da porteira fechada pelo anoitecer. E o Fiel, esse nome que lhe calhava bem, como aos outros, essa virtude em cada dia testada e defendida.

E os homens?!… Basta ver o que vai por aí fora, por esse mundo de Cristo!…

Basta ver o que vai ao pé de nós!

E estou a lembrar-me de um homem, amigo de mil anos, irmão (que o não tive de sangue) um dia lhe chamei. E como ele um dia tão torpemente me traiu…