O Amor em Dois Actos

por António Soares | 2015.07.28 - 10:10

 

 

1º Acto: O Início

 

Agora, sem saberes, estou a pensar em ti.

 

Persegues-me os sonhos, perscrutas-me os sentidos, estou viciado em ti.

Embriago-me de ti ao adormecer para ressacar de ti ao acordar.

 

Deixo uma janela e uma corrente de ar abertas para o estômago. Deixo entrar as borboletas.

 

Dou por mim a querer tudo e a temer nada, a desejar uma esperança que apraz e uma certeza que não cansa. Não encontro razões na razão e nem as procuro. Perco-me do mundo para me perder e encontrar em ti.

 

Desprezas a sorte porque a sentes segura e ignoras que te falhe ou falte, que se esconda ou desvaneça.

Eu estarei aqui para garantir que será assim.

 

2º Acto: O Fim

 

Agora, sem saberes, penso em ti.

 

Persigo o que resta dos meus sonhos e dou ouvidos à razão dos meus sentidos. Viciei-me em mim.

 

Embriago-me e mantenho-me ébrio para me esquecer de te lembrar. Fechei as janelas e expulsei as borboletas. Nada cresce no teu deserto.

 

Não temo nada mas temo tudo. Não encontro razão para as razões que me deste e muito menos para as que deixaste de dar.

 

A sorte abandonou-te.

Eu também.