nenhum corpo é um lugar de repouso

por Maria José Quintela | 2013.12.12 - 13:18

o delírio habita o relento. onde tudo é o que parece. sem ponta de reminiscência do sentido de ser à beira de um espasmo. sai-te caro o devagar com que descartas o tempo. luxuosa displicência que alastras aos gestos estudados.

uma palavra desenhada à revelia pode ser um hino redentor ou um tumor no pensamento. determinante é o sentido e o som. o tempo e o lugar. quase sempre é uma encruzilhada. feliz ou fatal. e nenhum desmentido.

o pior é desatar a dor do corpo. esse estorvo que carrega um pedaço de sonho roubado aos gestos quotidianos arrumados por hora de agenda e não por ordem de importância.
e tu viajas insanamente à roda de ti. ora definhado por uma luz ora ampliado por uma sombra. como uma mola de ir e vir.

o pior é essa dor sem localização. procuras em todos os lugares esconsos do teu corpo e nada ressalta. beliscas a pele e certificas que não é essa a dor do alarme. talvez por isso atires às vezes o corpo contra um qualquer vazio. em algum lugar há-de morar essa dor.