Multiplicar as Vozes

por Rui Macário | 2014.06.08 - 21:45

Ontem (dia 07/06/2014), no Museu Grão Vasco, um conjunto extraordinário de pessoas [Laura Castro – Directora da Escola das Artes/UCP-Porto; Pedro Coutinho – Docente do Instituto Politécnico de Viseu; Cláudia Marisa Oliveira –  Docente da Escola Superior da Música, Artes e Espectáculo; João Luís Oliva – Investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX] debateu um conjunto de questões em torno à Verdade, Realidade, Arte e Museologia. Sendo parcial na afirmação, devo dizer que há muito tempo não retirava tanto prazer de ouvir alguém (neste caso, a totalidade dos alguéns mencionados).

Viseu recebeu e contribuiu para uma plateia atenta, do mesmo modo que nas semanas anteriores havia contribuído para, e recebido outras plateias, para outros eventos (decorrentes do Viseu A). Não sendo ainda o sugestivo clima de Verão a imperar, há apesar de tudo mobilização e em particular capacidade de incentivar outros que não os nós que na cidade habitam, a deslocar-se aos espaços e estruturas que possuímos. Esse continua a ser o maior fascínio que possuo quanto ao que a cidade oferece e promove, numa fase em que estando vincado o potencial turístico (pelo qual se debate e no qual se investe), somos já (há algum tempo, claro) território de agentes que conseguem congregar outros agentes e a esses “contagiar” com os projectos e iniciativas que vão por cá ocorrendo.

Se nos voltarmos apenas para o que vem de fora, ou promovermos apenas para quem de fora virá, perderemos o ensejo de “solidificar” quem cá está a desenvolver o seu trabalho. No entanto, se promovermos unicamente o que cá existe para os que por cá habitam ou por cá se movem, nunca escaparemos (excepto individualmente ou em nome de uma ou outra singular instituição) do planalto beirão que nos conforma. Não sendo este um paradoxo, é um risco e de caminho estreito. As redes ligam mas prendem e quanto mais estreita a malha maior a probabilidade de melhor ligar e melhor prender. Ainda vão sendo cometidos erros e por vezes às palavras ditas e escritas atribuem-se sentidos mais duros que os supostos, no entanto é pelas vozes que existem e pelo aceitar de que há várias, que poderemos tornar-nos maiores e melhores na nossa conduta e “certificação” enquanto espaço de apelo social, académico, criativo e vivencial.

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto), Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso). Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

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