Moderato Místico ou La Vie d’Artiste (de Piazzolla a Ferré)

por PN | 2014.03.07 - 13:50

Talvez tenha querido apenas dançar um tango. Foi no corpo assomo. Um frenesim tão canalha. A voz de Gardel fininha que a gravação amaneira. É giro estonteante. Só por demais agudo. Ensaiar passos sem par é punheta a pés tocada. Mas o ritmo… Num enleio uma mulher. Leve corpo asa negra olho doido boca gorda perna fina. Porém, onde? Ah! Há… A puta da Rua Escura as lapas cinza da Sé um candeeiro do Malho. Sapatos de verniz ressuscitados de brilho persistente e sola só esfolada. Hora selecta a da escolha. Outro que não Gardel. La femme adultère de Ferré cravara adaga. Yo Yo Ma e a Milonga del Angel ou o genuíno? Claro. Piazzolla. O gravador a pilhas e a incursão. Essencial passar do corpo o som à máquina. Soledad? Cherchons la pute.

Boa noite, a menina dança? Um titúbeo. (Vamos, niña… no te gusta?)

De chinelos?

Não. Descalça.

Oh que estranho tal roçar. Balada para un Loco ou Tangata del Alba?

Ainda demoras?

Um rodopio de Libertango. Ventre a ventre chocalham os brincos e um caracol te olha. A nádega apropriada. Um requebro. Três passos estacados e se miras Grão Vasco outro olhar se apelourinha. Quedo, é rançoso o suor de Martha la Mule. O gravador detém-se em Tres Minutos com la Realidad e um basbaque ébrio reclama a puta.

Ainda demora? oscila

Não!

Fuga y Mistério. Filho duma cadela.

Te calla!

20 euros por 3 tangos 2.50/2.41/6.51. Pouco mais de 12 minutos. O bêbado de alpercatas vomitadas demorará mais do que isso. Mas dentro de ti Los Pajaros Perdidos.

Obrigado, menina. Me vóy à mi muerte.

Adiós Noniño. Uma valsa, amanhã? Faço-te 10 euros, com meias de vidro.

Bien sûr, ma canaille. Maintenant, je rentre. Tu sais, Matilde, L’Esprit de Famille…