Mapa de dias redondos

por Diana Silva | 2013.12.03 - 18:52

Há Dias Redondos, gravados em Pedras, e tanto brilham que apetece ficar nelas. Há Dias em que a Terra é tão redonda, um dado tão rolado, que sentimos não poder parar. Dias Redondos dispensam a alma, talvez porque neles haja saída para alhures. É nesses Dias Redondos que se sente a impressão de que tudo se compõe ( equivale a dizer que nada se compõe? ). Há, sim, Dias em que é elegante tê-los, quando nos concedemos o luxo de os ter; em que aguardamos e nos perguntamos a que temor ou a que amor se mistura a espera. É então que compreendemos – com emoção – que a beleza daquela sensação decomposta consiste precisamente em resistir a todas as interpretações possíveis; em contentar-se de estar e de permanecer alhures. Porque não se navega na Noite. Só nos Dias Redondos. Andam os homens de um lado para o outro, num espaço que criam, preenchido pelas suas casas, pelos seus móveis – o que nada tem a ver com o Universo. E, no entanto, ele existe, por si próprio, indiferente a ( quase ) Tudo. Sempre me recusei a submeter-me ao domínio dos cartógrafos, mudando sempre de curso a meu bel-prazer e sem aviso, dando comigo em descampado que não vem no mapa e que atravesso, feliz; ou num outro parque anónimo a desembocar em ruas onde muitas vezes ( me ) acontece ouvir risos. É então, quando rompem grossas, globulares e abundantes lágrimas, que sabemos o que é que o Dia, hoje, tem de bom. Pedras, e Colo de Raízes. E um Céu Imenso, Inteiro, a aturdir Dia a apetecer redondo.