Letras @CORdadas14 – Keith Lowe, 2013

por Miguel Alves | 2015.03.23 - 23:07

 

 

Keith Lowe, 2013

(Prémios English Pen´s 2013 e Hessel Tiltman Prize de História)

 

Keith Lowe nasceu em Londres em 1970. Cresceu em Hampstead e estudou literatura inglesa na Universidade de Manchester. Após doze anos como editor de história na editora Cassell, resolveu tornar-se escritor a tempo inteiro. Está traduzido nas principais 15 línguas do mundo.

KL tem-se notabilizado pelo seu trabalho em torno da II guerra mundial. “Inferno: A destruição de Hamburgo, 1943” (2007), fê-lo entrar no rol dos grandes historiadores da atualidade. A sua escrita caracteriza-se por uma clareza, limpidez, transparência e proximidade que nos transporta para os factos descritos, como se eles estivessem a decorrer ao nosso lado.

A circunstância de documentar detalhadamente acontecimentos historicamente muito recentes com uma escrita com essas carateristicas, provoca em nós um triplo impacto emocional e cognitivo:

– Como foi possível, “há dias”, a Europa ter sido o palco de uma das maiores barbáries da história da humanidade?

“Não existe vergonha. Não existe moralidade. Apenas sobrevivência. A fome universal tornara irrelevante a moralidade pessoal. A devastação por todo o continente, desfia necessariamente toda a compreensão”.

– Como foi possível a sua reconstrução física, humana, social e política, estas duas últimas em menor densidade, em tão curto espaço de tempo?

“Que a Europa se tenha conseguido erguer deste lodaçal de violência e destruição transformando-se num continente próspero e tolerante, não parece nada menos que um milagre”.

– A angustia de termos de nos perguntar se algumas das origens, causas e condições que a ela conduziram estarão, ou não, suficientemente equacionadas, assimiladas e sob controle, na fortaleza de conforto e bem estar que agora somos na Europa, embora em graus muito diversos.

“A ideia de “stunde nul” (hora zero), é igualmente dúbia. Não houve, sem dúvida, um esquecer do passado, por muito que os estadistas alemães o tenham desejado”.

No ano, em que se comemoram os setenta anos do final desta hecatombe europeia, igual impacto me têm também provocado uma serie de documentários no canal História, saída de arquivos “impensáveis”, com imagens, testemunhos e histórias de vida reais que nos situam na mais inimaginável psicose coletiva, no cavar fundo da componente selvática da natureza humana e no pior que ela pode produzir e alguma vez levou a cabo.

“Sem olhar aos seus habitantes, todas as localidades devem ser arrasadas pelo fogo e destruídas para privar o inimigo de instalações onde se possa alojar. As localidades que permanecerem intactas devem ser posteriormente destruídas pela força aérea” (Hitler durante a invasão da Rússia). “Nem uma pessoa, nem uma cabeça de gado, nem um quintal de cereal, nem uma via férrea pode ficar para trás… O inimigo tem de encontrar um país completamente consumido pelas chamas e destruído” (Himmler na fase de inversão da invasão da Rússia).

Quero hoje @CORdar a última obra de KL: “Continente Selvagem”, a Europa no rescaldo da II guerra mundial, 2013.

Este livro é composto por quatro partes: O legado da guerra, a vingança, a limpeza étnica e a guerra civil.

Sobre este livro, quero apenas debruçar-me sobre duas das suas componentes: Na primeira, sintetizar e agregar alguns números para se ter uma ideia mais concreta da hecatombe humana e social que a mesma acarretou. Na segunda, revisitar uma das guerras civis mais violentas que dela resultaram, por ela ter implicações severas e atuais no desenvolvimento, ou rutura, do projeto europeu que atualmente se desenvolve num elevado patamar de dúvidas, perplexidades e riscos: a guerra civil grega que ocorreu entre os anos de 1442 e 1945, quando a mesma esteve ocupada pela Alemanha nazi e no período pós ocupação até 1949.

O número de mortos civis resultantes da II guerra mundial oferece naturais disparidades, consoante os países e a sua intervenção nas operações militares, como se verifica nos dados que se seguem. Os resultados da guerra eram no seu final tão devastadores que Nossack classificou o esforço de medir, estimar, quantificar os seus resultados como “uma tentativa de banir os mortos através dos números”. Pelo esquecimento forçado e inconsciente, de forma a permitir a aquisição e o agregar de energias para a gigantesca tarefa da reconstrução física, moral e social de um continente profundamente mutilado (…”tinham fome e estavam de luto. Antes que pudessem ser motivados a começar a reconstrução, precisavam de tempo para dar livre curso á sua raiva, para refletir e chorar”).

 

Bielorrússia ¼ da população
União Soviética 27 milhões
Ucrânia 7/8 milhões
Polónia 6 milhões
Alemanha 2 milhões
Jugoslávia 1 milhão
França 500.000
Hungria 450.000
Grécia 410.000
Itália 300.000
Reino Unido 300.000
Holanda 210.000
Bélgica 86.000
Estónia/Letónia e Lituânia 8/% do total da população

 

“No centro de toda esta destruição encontrava-se a Alemanha. Foram destruídos 3,6 milhões de edifícios, um quinto de todas as residências do país. Era impossível preparar uma pessoa para aquela realidade. Podíamos ver a destruição física. Mas o efeito da ampla perturbação económica e da destruição política, social e psicológica … escapava-nos por completo”.

Merece uma especial referência o holocausto da cultura e povo judaico, que se cifrou na morte de 5.750.000 judeus: “A II guerra mundial também ofereceu raros exemplos de Estados que agiram de forma honrada em relação aos judeus perante a séria pressão dos nazis*1. A maior parte das pessoas contabilizava os familiares e amigos que tinha perdido durante a guerra. Os judeus contabilizavam os que restavam. A Europa era um espaço de luto. As famílias e as comunidades tinham sido substituídas por uma série de chagas abertas. É impossível transmitir mais que um mero vislumbre do significado de uma tal tragédia. A história convencional não está equipada para descrever aquilo que Nossack chamou “outra coisa… a estranheza em si… o essencialmente impossível”

Revisitemos agora a guerra civil grega:

A Alemanha invadiu e ocupou a Grécia em 1941, após uma derrota desastrosa das tropas gregas e britânicas. Churchill, porém, nunca escondeu a sua ambição de voltar, tendo-o feito em 1944 ao desembarcar no Peloponeso.

Há na história, factos felizes e raros que o são por, aparentemente, mero acaso. Churchill protagonizou sozinho um deles que diz tudo da sua perspicácia política e sentido penetrante do futuro estratégico da Europa. Em 1944 teve lugar entre ele e Estaline uma conferência, na altura pouco importante e pouco conhecida, em que este apresentou ao líder soviético num simples papel as percentagens das esferas de influência a atribuir a estes dois países. Nesse “documento malandro”, como é conhecido, toda a Europa de leste (Roménia – 90%, Bulgária – 75%, Hungria – 50% e Jugoslávia – 50%), ficava sob a influência soviética e apenas um outro país da região cairia na esfera britânica e também com a concordância dos Estados Unidos, embora à posteriori: a Grécia – 90%. Poucos dias antes, Roosevelt havia enviado a Churchill um telegrama em que este dizia que apenas seria acordado aquilo em que os três estivessem de acordo. Estaline, aparentemente distraído, colocou um V (visto) no alto do papel (ver fotografias seguintes).

 

 

Porém e com os acontecimentos, o poder britânico na Grécia, nunca foi um facto consumado. Tal como na Itália e França, havia no país forças de resistência que haviam combatido o invasor alemão e que na Grécia eram forças guerrilheiras (Andartes): o maior deles era a Frente Nacional de Libertação (EAM) e a sua ala militar o Exército de Libertação do Povo Grego (ELAS), ambas dominadas pelo Partido Comunista Grego, leal a Estaline.

As origens:

O aparecimento, durante a guerra, da EAM/ELAS, foi um fenómeno completamente novo e original na Grécia por nela não haver tradição de movimentos ideológicos e de massas antes da ocupação. A brutal ocupação do país pelos alemães, italianos e búlgaros, associados à fome e a todo o tipo de privações gerou movimentos de profunda radicalização na população como um caminho de sanidade face a um país enlouquecido pela guerra e pela destruição. Toda esta avalanche conduziu ao enorme sucesso da EAM, potenciado pelo facto de a sua existência ser clandestina durante a ocupação: Instituiu uma “justiça do povo”, criou grupos culturais nas aldeias, garantiu a educação, criou escolas, publicou jornais e deu às mulheres o direito de votar pela primeira vez em 1944. Gris Woodhouse, agente secreto britânico em solo grego escreveu nesta altura: “A EAM/ELAS estabeleceu o ritmo na criação de algo que os governos da Grécia tinham negligenciado: um estado organizado nas montanhas gregas”.

Porém, estas duas organizações tinham na sua génese algo menos visível e que não era tão virtuoso social e politicamente. A EAM combateu sempre ferozmente todos os seus grupos rivais que também lutavam contra o ocupante alemão chegando à tortura e assassinato de muitos dos seus membros. Como consequência, a grande maioria dos sobreviventes destes grupos acabaram por juntar-se aos batalhões de segurança de direita e ligados aos antigos colaboracionistas (…”a maior parte dos líderes da EAM estava mais preocupada com a luta de classes do que com a guerra de libertação nacional. Mesmo que alguns inocentes sejam mortos, não terá importância a longo prazo. Existem várias provas que sugerem que a repressão tinha uma organização mais centralizada e que ultrapassava os excessos de chefes indisciplinados impossíveis de controlar, num país fragmentado pela guerra. Eram concebidas listas de nomes pelos comités para aprovação e depois passadas a esquadrões de assassinato que as executavam. Alguns lideres locais do ELAS parecem ter exigido uma quota fixa de reacionários que seriam executados. Por vezes aldeias inteiras eram consideradas traidoras e os seus habitantes massacrados e mortos. Um tal terror desorientou a população, por se tratar de um fenómeno completamente novo e que conduziu muitos para os braços dos alemães, em particular para os batalhões de segurança apoiados pelos nazis. Fui ter com os alemães. Que outra coisa poderia fazer se não havia mais ninguém a quem recorrer. Foram ambos detidos e levados para uma prisão da EAM. Depois de uma semana, um guarda foi às celas e chamou vinte nomes. Foi-lhes dito que iriam ser levados para o quartel general do ELAS mas, na realidade, foram obrigados a marchar montanha acima até uma gruta onde foram degolados”).

Os britânicos sempre tentaram equilibrar a influência destas forças de esquerda com armas e organizações de resistência alternativas, nunca o tendo conseguido face à sua enorme popularidade. “Vastas zonas do país mergulharam em diversos graus de caos durante vários anos e depois do fim da guerra”. Na prática, Estaline controlava o país, mau grado a escassa percentagem que Churchill lhe havia destinado sobre este país e sobre a qual ele havia colocado um displicente V(isto).

Após a libertação de Atenas e com o primeiro “governo de unidade nacional” de George Papandreu, estas organizações sempre desconfiaram das razões britânicas para o seu apoio ao país: queriam proteger os antigos colaboracionistas em vez de levá-los a julgamento, recolocar oficiais ferozmente anti comunista na direção e comando das forças de segurança e abrir caminho àquilo que vieram a ser os batalhões de segurança da extrema direita. Além disso, desconfiavam das simpatias monárquicas de Churchill.

Em Dezembro de 1944, os ministros da EAM demitiram-se em massa do governo de unidade nacional, facto que exponenciou o ciclo de violência que havia começado poucas semanas antes. “A EAM/ELAS tinha passado vários anos a combater o ocupante e a estabelecer o seu próprio poder na Grécia: porque se haveriam de se curvar perante os britânicos? Foi a única vez, durante a guerra ou depois dela, que as tropas aliadas na Europa ocidental se viram a combater contra grupos de resistência que, supostamente, eles próprios tinham libertado. Com uma verdadeira soberba colonialista, Churchill informou o general Scobie que este era livre “para agir como se estivesse numa cidade conquistada onde estivesse a decorrer uma revolta”.  

A violência que se instalou no país foi inaudita e os ataques entre as duas frentes cruzou-se com a população civil que foi vitima dela da forma mais absurda e indiscriminada. Este facto mais acicatou a animosidade contra os britânicos. “Quando os médicos britânicos visitaram um posto de primeiros socorros nos subúrbios de Kypseli, tiveram de fingir que eram norte americanos para evitar um linchamento às mãos dos atenienses furiosos. Alguns dos que tinham sido feridos quando a Royal Air Force metralhou uma praça local, disseram-lhes que “tinham gostado dos ingleses, mas agora sabiam agora que os alemães eram uns cavalheiros”.

É deste período a afirmação do embaixador britânico em Atenas que lapidarmente escreveu: ”…tais atitudes, combinadas com a infeliz tendência de alguns oficiais britânicos para tratar este país fanaticamente apaixonado pela liberdade como se fosse composto de nativos sob a soberania britânica”.

Em Fevereiro de 1944, o país estava exaurido em sangue e morte. As duas partes assinaram um tratado de paz em Varkiza. O ELAS aceitou dispersar e entregar as armas e o governo prometeu levar a julgamento os colaboracionistas. Foi declarada uma amnistia para os crimes políticos entre Dezembro de 1944 e Fevereiro de 1945 para “os crimes da lei comum contra a vida e a propriedade que não fossem absolutamente necessários á realização do crime político em causa”. Estranho articulado este!

Com este acordo, ambas as partes cometeram erros que se vieram a revelar fatais no futuro. A EAM ao abandonar o governo permitiu que processos decisivos contra ao quais tinha lutado viessem a ocorrer: o assalto ao comando e controle da Guarda Nacional pela direita e o avanço dos batalhões de segurança. Ao entregar as armas, permitiu “a chacina e barbaridade medieval” para com grupos de Andartes que se haviam recusado a fazê-lo. Finalmente, ao absterem-se de participar nas eleições de 1946, mesmo contra o conselho soviético para o não fazerem e que viria a ter resultados desastrosos quando Estaline se recusou a apoiá-los quando a Grécia foi inundada pelo apoio inglês e americano já em pleno Plano Marshall e eles procuravam apoio no exterior, entregaram a vitória nessas eleições às mãos da direita monárquica que permitiu o regresso do rei por via de um referendo considerado suspeito e muito duvidoso nos seus métodos. Também os britânicos não foram menos ingénuos politicamente: sucumbiram ao exército monárquico que expressamente exigiu o rearmamento dos batalhões de segurança e todo o tipo de milícias que viriam a ser libertadas de campos de detenção no exterior de Atenas. Sob a pressão do ELAS, os britânicos aceitaram o apoio de todos os grupos por mais dúbios que estes se apresentassem. Por outro lado, as forças de direita, fingindo embora cumprir o acordo, acreditaram e bem, que os britânicos os apoiariam quaisquer que fossem as circunstâncias. Nos anos que se seguiram, instalou-se um tempo considerado de “Terror Branco como uma vasta orgia terrorista monarco-fascista e uma total escravização do povo grego por imperialistas estrangeiros. A direita grega realizou um esforço concertado para garantir que controlava as forças armadas do país, a guarda nacional, a gendarmeria e a polícia”*2.

Quando Estaline se recusou a continuar a apoiar os comunistas gregos, estes voltaram-se para Tito, líder da Jugoslávia, que os apoiou até 1948. Porém, aquando da cisão entre este e Estaline, os gregos apoiaram Estaline levando Tito a abandoná-los também e traçando-lhes em definitivo o seu destino: o colapso absoluto em 1949.

“Talvez o aspeto mais chocante de todo este período da história grega tenha sido a disparidade de critérios do sistema judicial. Em Setembro de 1945, de acordo com números oficiais, a quantidade de simpatizantes de esquerda detidos era superior à dos colaboracionistas em mais de sete para um. No final dos anos 60 ainda havia centenas de homens e mulheres nas prisões gregas, cujo único crime era terem sido membros de grupos de resistência que combateram contra os alemães. Em nenhum país foi tão duro como na Grécia. Nos 25 anos seguintes, o país foi governado por uma combinação de políticos conservadores, exército e sombrias organizações paramilitares norte americanas. Entre 1967 e 1974, o país foi governado por uma ditadura militar (ditadura dos coronéis). Durante este período foi aprovada uma lei que garantiu o derradeiro insulto aos homens e mulheres que tinham combatido pela libertação da Grécia durante a Guerra: os guerrilheiros da EAM/ELAS foram formalmente definidos como “inimigos do Estado”, enquanto os membros dos batalhões de segurança, que tinham combatido ao lado dos alemães, foram elegíveis para a obtenção de pensões do estado”.

A guerra civil grega foi o primeiro grande episódio da guerra fria, a histórica herança europeia e mundial da II guerra mundial. Traçou as fronteiras da Cortina de Ferro e forçou os americanos a abandonar a sua política isolacionista através da Doutrina Truman que garantia “conter a torrente comunista que ameaçava varrer a Europa”. O Plano Marshall, pesem embora as suas fortíssimas componentes económicas, era sobretudo um programa “quase inteiramente político”.

A guerra civil grega não foi apenas uma tragédia local, mas um acontecimento de repercussões planetárias. Para o cidadão comum grego representou apenas “uma nova camada de miséria na sua vida”, apanhado entre as visões extremistas dos seus conterrâneos e os interesses estratégicos da geopolítica.

 

Repetir-se-à a história?

Em parte, isso já ocorreu. Não será estranhos terem sido os britânicos e americanos os primeiros a lembrarem, induzirem e aconselharem a UE uma espécie de “cuidado com a Grécia”! Por serem frequentemente galopantes, os acontecimentos históricos têm muitas vezes início, como vimos acima, em minúsculos incidentes. Se bem nos lembrarmos, na recente história das relações entre a Grécia e a UE, passou-se subtilmente do paradigma de que a UE estava agora mais preparada para fazer frente á saída de um dos seus membros da UEMonetária, para o atual que consiste na afirmação clara de que a Grécia tem que permanecer no nosso seio (“A Europa sem a Grécia, é um cidadão sem bilhete de identidade”), disse alguns anos Giscard d´Estaing, presidente da república francesa.

Por outro lado, o povo grego votou como votou. A “soberba colonialista” local de Churchill, coube agora ao Ministro das Finanças alemão (“os gregos elegeram um governo irresponsável”). Será a democracia um regime e modelo político irresponsável?

Ninguém aceita que o seja, logo, há que ajudar o governo grego a levar a cabo uma pedagogia política e social nada fácil de conseguir, num povo com as raízes e traumas históricos de que é detentor e porque tem passado.

Não o fazer, é condenar um povo “fanaticamente apaixonado pela liberdade”, que se opôs a Estaline, (quem o fez mais?), mesmo quando, aparentemente, este aconselhava os seus aliados a manterem-se na área do poder, que viria a ser, posteriormente, todo dele sabe-se lá com que preço, se tivessem seguido o seu conselho.

A Grécia é o berço da alma europeia e da democracia que todos tanto prezamos, por ser o melhor, porque o menos mau de todos os regimes políticos. Ela há-de ser capaz de ler corretamente o sentido da história, agora num contexto de plenas liberdades, direitos e obrigações que são a sua matriz genética, a sua marca de água e agora pertença de uma parte importante da humanidade onde ela tem forçosamente que incluir-se.

Por seu lado, a UE deverá perceber que uma nova “porta” terá que abrir-se, agora para uma realidade diferente nos pressupostos e forçosamente alterada na ação.

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*1. Portugal não é aqui citado na pessoa de um dos heróis europeus nesta matéria: o nosso conterrâneo Aristides de Sousa Mendes. A política do Estado Novo foi a que foi e ficou bem expressa na forma como lidou e tratou um dos heróis da história moderna de Portugal.

*2. Proclamação por rádio do Exército Democrático da Grécia, 24 de Dezembro de 1947.

Outras obras de Keith Lowe:

“Inferno: A destruição de Hamburgo, 1943” – 2007.

“Tunnel Vision” – 2001.

“New Free Chocolate Sex” – 2005

Psicólogo clínico. Mestre em Políticas e Gestão de RH pelo ISCTE em 1995. Membro da Associação Portuguesa de Psicologia, Sociedade Portuguesa de Grupo-análise, sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Rorschach e métodos projetivos e membro da Sociedade Internacional de Rorschach. Docente no ISCE de 1999 a 2007. Aposentado. Ex Dirigente da DGRSP nas funções de Diretor dos Estabelecimentos Prisionais de Viseu, S. Pedro do Sul e Lamego. Foi Diretor do Estabelecimento Prisional de Sintra e Adjunto do Diretor do Estabelecimento Prisional de Lisboa.

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