Letras @CORdadas – (Honoré de Balzac – 1779/1850)

por Miguel Alves | 2014.10.23 - 00:07

 

 

(Honoré de Balzac – 1779/1850)

 

 

Balzac nasceu em Tours. É tido como o pai do realismo (res/coisa; realis/realidade) na literatura moderna. A sua obra retrata toda a sociedade francesa do seu tempo, de modo particular a burguesia florescente após a queda de Napoleão em 1815. A sua obra maior é conhecida como a “Comédia Humana” e que Balzac escreveu durante vinte anos. Trata-se de uma obra colossal e inédita constituída por 95 romances, algumas novelas e contos. Tenta parodiar a Divina Comédia de Dante, querendo com ela significar que a vida mais não é que um palco onde fazemos a representação dos muitos vícios e poucas virtudes da humanidade. Situa-se na Paris da sua época e, tal como a Divina Comédia (três actos), também ela está dividida em três partes, onde leva a cabo a descrição dos diversos perfis da condição humana todos lutando pela sobrevivência. O modelo narrativo é sempre o mesmo: primeiro descreve o cenário onde as coisas irão acontecer, depois as caraterísticas físicas dos personagens, a sua profissão e as suas idiossincrasias pessoais e psicológicas. A multiplicidade destas figuras e a sua descrição é simplesmente soberba e quase arrebatadora. Balzac terá criado cerca de 30.000 personagens no conjunto da sua obra.

O realismo parte do princípio clássico de que a arte é uma imitação/reprodução da realidade. Mesmo sendo produto da imaginação humana, ela deve ter semelhanças com a ela, estabelecendo-se entre ambas um compromisso por forma a torná-la crível através dessa coerência interna. Este compromisso com a verdade foi o grande contributo do realismo para a cultura ocidental, fazendo dele um movimento que transcendeu o seu tempo.

O realismo foi um movimento artístico e literário, surgido nas últimas décadas do século XIX na Europa e sobretudo em França e teve com origem a reação à artificialidade do neoclassicismo e do romantismo que até aí tinha vigorado nas artes. O realismo pretendeu retratar a vida e os costumes das classes media e baixa, rejeitando o heroísmo e o sentimentalismo. Correspondeu à ascensão social e política da burguesia e teve como suporte filosófico o positivismo*1, ambos suportados no progresso científico desse tempo. Também é considerado uma reação ao elitismo de vanguarda originado nas teorias do realismo socialista oriundo da União Soviética que pretendia ter um papel decisivo no desenvolvimento moderno.

Balzac é tido como um dos monstros sagrados da literatura de todos os tempos. Escrevia obsessivamente durante a noite (por regra entre a meia noite e as oito horas da manhã), rodeado de candeeiros e estimulado por café. A sua literatura e talento são torrenciais, quase excessivos, embora controlados. Balzac considerava o romance como “a vida privada das nações” e ser necessário remexê-la completamente para ser um bom escritor. Quando concebeu a ideia de um conjunto de obras que retratasse o conjunto de todos os aspetos da sociedade que veio a ser a Comédia Humana, correu para o apartamento de sua irmã e afirmou: ”estou prestes a tornar-me um génio”. Assim aconteceu.

Vitor Hugo, outro enorme vulto das literaturas francesa e universal, dizia dele que era “um homem oceano” por nele se encontrar tudo e sempre genial. Por oposição, Marcel Proust, que chegou a fazer estudos sobre a sua obra, terá concluído de forma diferente ao referir “a vulgaridade de Balzac”.

Segundo alguns críticos da obra de Balzac, ela é uma obra a que falta estilo por Balzac não ser um artista e “como literato ser detestável e ridículo”. O seu texto é pomposo, retórico e cheio de “metáforas empoladas e banais. Falta-lhe ainda sobriedade”. Mesmo naquilo em que é excelente, discorre “sem gosto nem medida. À dissolução do pensamento, sucede a intemperança do artista, que não se cansa daquilo que lhe agrada”.

Balzac tinha uma natureza “vulgar, robusta e exuberante” e que, fisicamente correspondia apenas a metro e meio. Imaginou-se um homem de negócios, tentando inventar combinações matemáticas que gerassem fortunas. São conhecidas as suas investidas nesse mundo, nas áreas editorial, gráfica, e exploração de minas (processamento de escória), tendo chegando ao cúmulo de querer cortar vinte mil hectares de carvalho na Ucrânia para transportar e vender a madeira em França. Era desprovido do senso prático da vida, endividando-se permanentemente. A sua existência, relativamente curta, foi também tumultuosa em termos emocionais. Morreu cinco meses após o seu último casamento.

Seu pai, jurista, escreveu um tratado sobre “os meios de prevenir roubos e assassinatos e de restaurar os homens que cometem crimes a um papel útil na sociedade” (afinal a reinserção social não foi descoberta agora). Nesse tratado deixou evidente, já nessa altura, que os “métodos de prisão” não eram a melhor forma de prevenir a criminalidade (esta também parece uma descoberta recente). Por influência de seu pai, concluídos os estudos, foi trabalhar como estagiário num escritório de advogados de Victor Passes, onde terá tido a primeira e muito aguda consciência dos meandros da condição humana. Essa experiência, foi a base para a escrita do seu romance “Le Notaire”. Aí viu: ”as rodas oleosas de cada fortuna, a disputa horrenda de herdeiros sobre corpos ainda não totalmente frios e o coração humano às voltas com o Código Penal. Velhos libidinosos arruinando famílias para sustentar jovens amantes, maridos arrumando meios para livrar-se das esposas, herdeiros brigando de foice para apossar-se de heranças, um velho coronel tentando desesperadamente demonstrar que estava vivo enquanto o interesse económico da sua ex-mulher o mantinha oculto como se fosse um fantasma” (todos nós também já vimos disto!). Foi após esta experiência e depois de ter rejeitado a sucessão no escritório, que Balzac decidiu ser escritor: “Eu seria como todos os outros. Tenho fome e nada me oferecem para satisfazer o meu apetite”.

Vamos hoje @CORdar uma das suas obras mais marcantes de Balzac e incluída no conjunto da Comédia Humana: “Ilusões perdidas”. Li uma edição em dois volumes sem data da Livraria Editora, Guimarães e Cª, tradução de Baldemónio (Eduardo de Barros Lôbo).

Ilusões perdidas são o resultado existencial de Luciano Chardon, mais tarde Luciano de Rubemprè (nome aristocrático da mãe que veio a adotar). Luciano é amigo de David, filho de um pai sovina, impressor, “desses a quem os operários incumbidos de juntar as letras chamam urso na gíria tipográfica: um batedor, enfim. Séchard, de seu nome, um negociante que topa tudo, mas não paga a nada. A avareza, como o amor, tem o dom da vista dupla sobre os futuros contingentes: fareja-os, espreme-os. Meu pai eu vou casar e vinha pedir-lhe… Pedir o quê? Não me peças nada, meu rapaz. Casa-te, faze lá o que entenderes; mas dar-te qualquer coisa, meu amigo, estou a apitar! David compreendia o pai e tinha a sublime caridade de o desculpar”. Eva é sua irmã e por quem Luciano se apaixona. David persegue uma nova forma de fabricar papel de melhor qualidade e a custos mais baixos. Irá consegui-lo ao longo de uma teia de episódios multiformes que passará pelos tribunais e em cujo processo ficam expressas algumas componentes humanas e psicológicas determinantes de David e Luciano. Luciano chega a falsificar a assinatura de David que é preso por não pagar as dívidas de Luciano em Paris.

Entretanto, Luciano encanta uma figura da alta sociedade de Angoulème, Senhora Du Bargeton, com quem foge para Paris movido pela ambição do sucesso e por um elevado auto conceito sobre si próprio, o seu destino e capacidades. Aí é introduzido na alta sociedade parisiense onde, a par do seu ingénuo deslumbramento e o fracasso do seu potencial literário o conduzem à expulsão desse meio. Neste abandono por parte da Senhora de Bargeton, foi decisivo o papel de sua prima a Duquesa de Espard a quem fez ver a verdadeira identidade de Luciano.

Nesse percurso cruza-se com um grupo de homens com ideias políticas e ocupações diversas (Cenáculo) onde emerge na sua componente maior a estrutura humana e psicológica de que é possuidor, em contraponto com as ideias de serviço à sociedade e à arte que os seus membros defendiam e partilhavam. Impaciente pelo sucesso rápido e avesso ao trabalho árduo e persistente, aceita ingressar no jornalismo, decisão a que os membros do Cenáculo se opõem.

Entretanto apaixona-se por uma jovem atriz com quem leva uma vida dissoluta de fausto e luxo. “As actrizes também pagam os elogios; mas as mais finas pagam aos críticos porque o silêncio é aquilo de que elas têm mais medo. Assim, uma crítica, feita para ser combatida no dia seguinte, vale mais e paga-se melhor que um elogio simples, que esquece logo”. Nesse caminho e motivado por interesses oportunistas escreve para um jornal de orientação política liberal, factos que o tornam alvo de violentas críticas no meio jornalístico.

Abandonado e só, sem recursos e desprotegido regressa a Angoulème carregado de ilusões agora definitivamente perdidas.

Quem são estas duas pessoas, figuras, predominantes nesta obra de Balzac? Duas estruturas e perfis humanos e psicológicos invariantes na história da humanidade, visíveis e identificáveis em todas a épocas.

David: “David tinha as formas que a natureza dá aos entes predestinados a grandes lutas, ostensivas ou secretas. …revelava principalmente nos olhos o fogo incessante de um único amor, a sagacidade do pensador, a ardente melancolia dum espírito que pode abranger os dois extremos do horizonte. O pobre rapaz não ousava dizer uma palavra que parecesse mendigar um agradecimento; achava todas as palavras comprometedoras, e calava-se guardando uma atitude de réu. …eu havia de parecer sempre um operário no meio dessa gente, mal jeitoso, contrafeito, a dizer tolices ou calado como um prego. …um homem que chegava a fazer por amizade as mesma reflexões que ele (Luciano) acabava de fazer por ambição. …encontrarás inclusa uma letra à tua ordem de duzentos francos e a noventa dias. Olha que nós não temos absolutamente nada. O meu carácter, os meus hábitos de trabalho, as ocupações que me agradam, tornam-me impróprio para tudo o que é comércio e especulação. Um inventor é frequentemente um palerma”.     

Luciano: “Luciano tinha começado a aprendizagem das pequenas baixezasadotara como linguagem, única e exclusiva, o sorriso do bailarino. …mas não seria de recear que, ao alargar em torno de si o círculo da sua ambição, se visse constrangido em não pensar senão em si para se poder aguentar? …soava para Luciano a hora da política e dos cálculos. Ele é dos que querem a colheita sem o trabalho; gastará dinheiro sem o ganhar. Ele só tem coragem para duas horas. Há em ti um espírito diabólico com o qual justificarás a teus olhos as coisas mais contrárias aos nossos princípios. A tua vaidade é tão grande que até à tua amizade a tens. Transfere para a região das ideias tudo o que exiges das tuas vaidades. Loucura por loucura, pões a virtude nas tuas ações e o vício nas tuas ideias. Primeiro que o galo tenha cantado três vezes, há-de este homem ter traído a causa do trabalho pela preguiça e dos vícios parisienses. O que tu querias era que as ervilhas nascessem para ti já feitas com molho de manteiga. Faça essa operação aos seus escritos, e verá que tem menos três colunas. Quanto mais o Cenáculo desviava Luciano desse caminho, mais o seu desejo de conhecer o perigo o convidava a afoitar-se. Não poderia ele porventura fazer dignamente o que os jornalistas faziam sem consciência e sem dignidade?… só o jornalismo me podia dar de comer. Não sabia que estava entre dois caminhos distintos, entre dois sistemas representados pelo Cenáculo e pelo jornalismo. O Cenáculo, esse céu de inteligência nobre, teve de ceder a uma tentação tão completa. Tu podes ser um grande escritor, mas nunca hás de passar de um tipo! Talvez em breve te seja útil, porque os odientos precisam de todo o mundo e há de servir só para poder contar com a tua pena quando lhe for necessária. Podes fazer parte de uma panelinha cujos camaradas atacam os inimigos uns dos outros e se ajudam mutuamente”.

Ultrapassando os detalhes históricos, políticos, sociais e romanescos desta obra, alguns relacionados com o próprio percurso de vida do autor (as incursões políticas, sociais e económicas de Balzac, por exemplo), ela é considerada a mais importante da Comédia Humana e navega, na nossa perspetiva, em três áreas cruciais que emergiam na sociedade do seu tempo e que hoje permanecem decisivas: 1. A inovação/economia; 2. A justiça; 3. O jornalismo/media/escritores/editores.

  1. A inovação e a economia

Balzac descreve com mestria uma das grandes conquistas dessa época: a imprensa escrita e a evolução no fabrico do papel.

“Espiava com maravilhosa sagacidade os efeitos extravagantes das substâncias transformadas pelo homem em produtos aproveitáveis, em que a natureza de certo modo é domada nas suas resistências secretas e daí deduziu belas leis industriais. Ao que ele chamou a segunda natureza das substâncias. Todas as grandes aquisições da indústria e da inteligência se têm feito com excessivo vagar por acrescentamentos despercebidos, exatamente como a natureza procede. Andam trapeiros a apanhar por toda a Europa os trapos, panos velhos, e a comprar os restos de toda a espécie de tecidos. Esses restos, separados por qualidades, encontram-se nos armazéns de negociantes de trapos por grosso, que fornecem as fábricas. Por ora, ainda o papel se faz com trapo de cânhamo e de linho; mas esse ingrediente é caro e a sua carestia retarda o grande movimento que a empresa francesa há-de adquirir. O fabricante lava os trapos e redu-los a uma calda que se passa, exactamente como as cozinheiras fazem aos molhos num passador, por um caixilho de ferro chamado fôrma coberto de uma tela metálica em cujo centro se acha a filigrama que dá o nome ao papel. A mão de obra na China é uma insignificância, cada dia de jorna custa quinze cêntimos. O papel da China não se fabrica nem com seda nem com Broussonatia. A sua massa provém da trituração de fibras de bambu. Para operar uma mudança sensível na sua população, um país exige um quarto de século e grandes revoluções nos costumes, no comércio e na agricultura. Por toda a parte vai acabando a solidez dos materiais”.

  1. A justiça

A Justiça é um ordenador do funcionamento e da coesão social. Sendo a violência, o conflito e a litigância componentes intrínsecas da condição humana em todas as sociedades e em todos os períodos da sua história, a sua coesão e equilíbrio exigem instâncias legítimas e legitimadoras que dirimam os seus fatores de atrito e os disfuncionamentos que deles podem resultar.

“Nós queremos desmascarar as fraudes destes homens, que desenrolam as mais temíveis fortificações da má-fé, que se escondem atrás dos artigos mais inocentes e claros do Código para se defenderem- O Tribunal não sancionará uma pretensão que faria passar a imoralidade ao coração da justiça. Não deveria promulgar-se uma lei que, em certos casos, vedasse aos procuradores exceder em custas a soma que constitui objeto do processo. Não será ridículo submeter uma propriedade de um centiaire ás mesmas formalidades que regem uma propriedade de um milhão? Patifes!… apoquentam um tão bom homem! E chamam eles a isto justiça! A meu ver, talvez fosse melhor desistir da apelação. Mas isso seria o caminho mais curto, e os procuradores não gostam disso. Os ricos nunca foram presos por dívidas. Há duas histórias: a história oficial, mentirosa que se ensina nas aulas, ad usum delphiní; e a história secreta; em que estão as verdadeiras causas dos acontecimentos, uma história vergonhosa”.

  1. Jornalismo/media/escritores/editores

Os media condicionam hoje todas as áreas da sociedade a ponto de quase construírem uma segunda realidade ou, em muitos caso, deformarem, adaptarem e reajustarem a existente a interesses não coincidentes com os seus. Também a literatura e a sua edição está muitas vezes sujeita a mecanismos e processos nem sempre coincidentes com o real valor do publicado, antes a mecanismos de mercado que não têm como finalidade o desenvolvimento cultural e o enriquecimento da humanidade, mas a meros processos cuja finalidade é o lucro, independentemente dos mecanismos adaptativos e de consumo que podem gerar e produzir nos seus consumidores.

 “Se não fosse tão novato na vida literária, havia de saber que, nos autores, o silêncio e o mau modo atraiçoava a inveja que causa uma bela obra, assim como a admiração anuncia o prazer inspirado por uma obra medíocre que lhes tranquiliza o amor próprio. As opiniões literárias estão em desacordo tanto num campo como noutro com as opiniões políticas. Se o senhor é eclético, ninguém será pelo seu lado. Para que lado vai? …porque serias covarde e infame por sistema. Aí tens em duas palavras o jornalismo. A amizade perdoa o erro e o movimento irrefletido da paixão; mas deve ser implacável para o caso pensado e rixa velha de traficar com a alma, com o espírito, com pensamento.

Eu encontro-me com jornalistas no teatro, horrorizam-me. O jornalismo é um inferno, um abismo de iniquidade, de mentiras, de traições que se não pode atravessar e donde se não pode sair, senão protegido como Dante pelos divinos louros de Virgílio. Por um exemplar que um editor recuse ao meu jornal digo mal de um livro que acho bom. Quanto mais concessão se fizerem ao jornalismo, mais exigente ele será. O jornalismo tem mil pontos de partida. É uma grande catapulta, posta em movimento por pequenos ódios. Eu nunca ceio sem medo com jornalistas franceses Afigura-se esta noite que estou ceando com leões e panteras, que me fazem a honra de encolher as garras. Para um jornal é verdadeiro tudo o que é provável. Um jornalista é um acrobata. No jornalismo como na política, há uma infinidade de circunstâncias em que os chefes nunca devem ser chamados. Dentro de dez anos há-de ser preciso dez tantos de papel que hoje se consome. O jornalismo vai ser a loucura do nosso tempo.  

Todos caem na vala da desgraça, na lama do jornal, no chafurdo da livraria. Andam por aí esses mendigos a pedinchar artigos biográficos, cantigas, noticiazinhas de jornais ou livros encomendados por lógicos negociantes de papel impresso; que preferem uma borracheira que se venda em quinze dias a uma obra-prima que leva tempo a vender-se. Essas larvas vivem da vergonha e da infâmia. …levei seis meses a fazer artigos para um jornal que os dava por seus, e que a eles deveu o ser folhetinista. Quanto mais medíocre é o homem, mais depressa triunfa.

A intriga levanta menos paixões contrárias que o talento, as suas surdas manobras não despertam a atenção de ninguém. E depois a intriga é superior ao talento faz de coisa nenhuma alguma coisa, enquanto o talento pode fazer a desgraça do homem”.

A projeção do eu ideal de cada um de nós e a sua disputa com o eu ideal do outro, explica muito da relação entre a intriga (inveja) e o talento (substância) das coisas e das pessoas. Por isso, as paixões (violência, crítica, as torpezas, as insídias, as vilanias) que uma e outra desencadeiam ou não. O eu ideal projeta a “perfeição”; por isso, colide com a perfeição alheia que se quer neutralizar. O ato de neutralizar quase nunca é uma boa ação (será por isso e por ser tão comum, que ele “não desperta a atenção de ninguém”)?

Em Portugal, tal como “em França o sucesso é a razão suprema de todas as coisas sejam elas quais forem. O facto em si nada vale e a forma é tudo. Tudo se desculpa e justifica numa época em que se transformou a virtude em vício”. E o inverso, dizemos nós.

Mesmo através de um literato francês do século XIX, o retrato do BES Portugal e da PT Portugal estão aqui! Para infelicidade deste país atónito, estupefacto e quase deprimido e impotente.

 

*1 Positivismo é uma corrente filosófica surgida em França no início do século XIX. Seus expoentes maiores foram Augusto Comte e John Stuart Mill. Engloba correntes desse século e algumas surgidas durante o século XX. Propõe para o homem valores apenas humanos rejeitando a metafísica e a teologia. Defende que as ciências devem ser interpretadas apenas à luz do homem e da ética humana. O conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Qualquer teoria apenas o é será se for comprovada por métodos científicos válidos. São elas a razão exclusiva do desenvolvimento da humanidade e que a podem levar á sua evolução

 

Outras obras de HB:

 

Obras em pesudónimo:

Le Cicaire des Ardénes – 1822

La Dernière Fée – 1823.

Le Centenaire -1824

Obras publicadas em anonimato:

Du Droit d´aîness – 1824

Histoire impartiale des Jesuites – 1824

Contos:

La Grande Betèche – 1832/1837

Um Episódio de Terror – 1842

Peças de teatro:

Pamela Giraud – 1839

L´École des ménages – 1842

La Marâtre – 1848

La Comédie Humanaine:

A mulher de trinta anos – 1829/1832

Le Curé de Tours – 1832

Eugènie Grandet – 1833

Le Contrat de Mariage – 1835

A procura do absoluto – 1838

Le cousin Bette – 1846

Le cousin Pons – 1847.

 

 

 

 

Psicólogo clínico. Mestre em Políticas e Gestão de RH pelo ISCTE em 1995. Membro da Associação Portuguesa de Psicologia, Sociedade Portuguesa de Grupo-análise, sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Rorschach e métodos projetivos e membro da Sociedade Internacional de Rorschach. Docente no ISCE de 1999 a 2007. Aposentado. Ex Dirigente da DGRSP nas funções de Diretor dos Estabelecimentos Prisionais de Viseu, S. Pedro do Sul e Lamego. Foi Diretor do Estabelecimento Prisional de Sintra e Adjunto do Diretor do Estabelecimento Prisional de Lisboa.

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