LETRAS @CORdadas – Henry Miller 1891/1980

por Miguel Alves | 2014.12.25 - 15:17

Henry Miller nasceu em Nova Iorque, filho de pais alemães. Foi um escritor libertário e subversivo na perspetiva da sua época e que se notabilizou (anos trinta) por uma escrita marcadamente erótica na fronteira da pornografia. Por isso, teve sérios problemas com a distribuição dos seus livros, alguns dos quais estiveram proibidos nos Estados Unidos e em outros países do mundo.

No final dos anos trinta viaja até Paris com a sua segunda mulher. Seduzido com esta cidade, aí regressa até ao início da segunda guerra mundial. Divorcia-se mais tarde e casa com Anais Nin. É neste período que escreve Trópico de Câncer.

No conjunto particular da sua obra enquadrada na literatura chamada erótica/obscena, merece especial referência a trilogia “Sexus, Plexus e Nexus”, também conhecida com “Crucificação Encarnada”.

O conjunto desta obra é considerado como reflexo da sua própria vida nessa época, circunstância que o próprio negava embora fosse pouco convincente e poucos acreditassem nisso. Ele próprio refere: “fiz uso, nesses livros, de eruptivos assaltos ao inconsciente, tais como sonhos, fantasias, burlesco e trocadilhos pantagruélicos”. O resultado é caótico, excêntrico e provocador de frequente e enorme perplexidade.

Não li nenhuma destas obras de HM, mas li uma outra que recentemente a editorial Presença lançou e que foi publicada pela primeira vez em Portugal nos cinquenta anos da fundação desta editora: ”Big Sur e as laranjas de Jerónimo Bosch” (1957). Trata-se de uma edição que contém numa terceira parte uma outra obra de HM: “Paraíso Perdido – Conrad Moricand“.

Fiquei seduzido pela escrita de HM, pelo espanto que a sua qualidade e profundidade provocam e por ser uma obra que pode ser considerada nos antípodas daquela porque é mais conhecido e que o tornou famoso. Mesmo assim, editora fez questão de não esquecer o conjunto da sua obra ao citar na capa desta edição que “HM arrasou de uma vez por todas as próprias bases de toda a hipocrisia humana: morais, sociais e politicas” (The Nation).

Não é apenas este seu livro que foge aos temas do erotismo. HM escreveu, entre muitos outros, uma obra que resultou de uma viagem que fez á Grécia antes da eclosão da segunda guerra mundial e que escreveria mais tarde já em plena guerra: “Colosso de Marússia”. Nele HM expressa de forma deslumbrada e encantatória o seu espanto pelo colosso da história e cultura ancestrais do povo grego, contrapondo-as à indústria e cultura da guerra e, em simultâneo, ao americano médio nova-iorquino que ele próprio era. Uma atitude de humildade humana e intelectual pouco comum e nada frequente no povo americano.

Comecemos, então, pelo título desta obra notável que hoje resolvi @CORdar, por ser de um escritor em relação ao qual existem muitos anticorpos resultantes de uma visão parcial, segmentada e até preconceituosa da sua literatura.

Big Sur, a que HM dedica a primeira parte deste livro, é uma região da Califórnia onde HM viveu entre 1944 e 1962. É uma das regiões mais típicas dos USA e este livro relata a vida quotidiana de HM, as suas relações familiares, os amigos, os vizinhos e os estranhos que por lá deambulavam e por ela se sentiam atraídos: escritores, pintores, escultores, personagens sofisticadas e vagabundos mais ou menos iluminados. Trata-se de uma área do tamanho do Principado de Andorra (480km2), isolada, pacata, com carateristicas míticas e um clima e carácter únicos “é uma região onde os extremos se cruzam, uma região onde estamos sempre conscientes do tempo, do espaço, da grandiosidade e da eloquência do silêncio. Quanto tempo conseguiremos deter os invasores? Sempre foi uma costa selvagem e rochosa, desolada e inacessível para o homem do asfalto, eloquente e encantadora para os Taliesins”*1. Quem foram os primeiros a viver aqui? Talvez os trogloditas. Os índios vieram mais tarde. Muito mais tarde. As mães aqui parecem tão fecundas quanto o solo. Ao todo passaram por cá quase cem pintores, dançarinos, escultores e músicos desde que cá cheguei. Artistas que se reconciliam á partida com o facto de que, quanto melhores forem, menos hipóteses têm de ser aceites como são. Mas os entusiastas sabem que é precisamente o facto de não haver status quo aqui, que dá ao sítio uma qualidade paradisíaca. Se fores artista e quiseres viver aqui, o melhor é arranjares um mecenas, pois os artistas não podem viver ás custas de artistas e aqui quase todos são artistas. Até os canalizadores. Quem aflige o homem que tenta viver isolado são os visitantes ociosos”.

O subtítulo deste livro (as laranjas de Jerónimo Bosch*2,), remetem para um tríptico deste pintor e gravador flamengo do século XVI (1450.1516) existente no Museu do Prado: o Jardim das Delícias que retrata “toda a variedade do mundo”. Autores há que o caraterizam como sendo o quadro dos “deleites carnais”.

Big Sur é o objeto do amor derradeiro e representa a paz que HM fez com o seu país, ao escolher este local para viver até ao fim de seus dias. Big Sur foi para ele o Éden, o Jardim das Delícias final que HM compara ao que Bosch havia pintado numa tela e que permaneceu nos aposentos imperiais privados de Filipe II até à sua morte.

À segunda parte deste livro, HM chama-lhe “Paz e Sossego”. Nela relata com imenso pormenor as pessoas e famílias com quem contacta e socializa em Big Sur. Fá-lo com um pormenor, uma perspicácia e profundidade humana e psicológica raras, acutilante, comprometida e quase agradecida como se fossem para ele uma lição de vida e um privilégio. Exatamente por isso, esta obra é considerada uma das obras da maturalidade humana e literária do autor, depois de uma liberdade interior conquistada expressa no paraíso geográfico e psicológico que para ele é Big Sur e que o “Jardim das Delícias” de alguma forma também projeta para ele. “Quando Emil White aqui chegou não havia um único artista por estas bandas e as cabanas dos presos haviam sido completamente abandonadas. A sua cabana, era mesmo uma cabana, ficava perto da estrada, escondida por uma sebe alta que crescera abandonadamente e estava coberta de rosas e corriolas. Norman Mini era de uma humildade genuína e tocante. Tinha talento para fazer grandes coisas e começara a escrever por desespero depois de tudo o resto ter falhado. Era demasiado sincero, demasiado sério, demasiado verdadeiro para, para ter um grande sucesso. Era tão íntegro que inspirava até medo e suspeita. Para Walker Winslow o ponto forte eram as pessoas. Vivera como vagabundo, pedinte e mendigo a maior parte da sua vida. Tinha alma de santo. Quando não andava a meter-se em sarilhos, estava a ajudar os outros. Não havia nada que não fizesse para ajudar quem precisava: era uma muleta nata para fracos e necessitados. Não era um Gorky mas poderia ter sido outro Gorky Walker. Gerhart Muench costumava praticar num velho piano vertical que Emil White pediu empestado a alguém. Era frequente os condutores que estavam de passagem estacionarem diante da cabana de Emil para ouvirem Gerhart tocar. Quando se sentia suicida, Emil aconselhava-o a levar o piano para fora de casa, pô-lo na berma da estrada e tocar ali mesmo. Acreditava que se o fizesse muitas vezes, apareceria um empresário que lhe pagaria para fazer uma tournée. Gerhart nunca o fez. Hoje Gerhart é famoso por toda a Europa pelos seus concertos de piano. Encontro Harrydick na floresta, agachado a colher algo. Por vezes é apenas uma folha caída que apanha do chão. Olha-me para isto, não é magnífico! Diz ele. Magnífico? É uma palavra cara. Olho para o que ele tem na mão e já o vi mil e nunca reparei. Quando chegamos a casa começa uma diatribe acerca das coisas que encontrámos. Fala de forma, estrutura, propósito, acerca do impensável e inconcebível, da colaboração que se dá debaixo e acima do chão, sobre fósseis e folclore, sobre paciência e ternura, sobre as preocupações de criaturas pequenas, sobre a sua astúcia, capacidades, resistência e por aí adiante, até que sinto que ele não tem apenas uma folha caída na mão, mas antes um dicionário, uma enciclopédia, um compêndio de arte, filosofias e história num só volume. Nas termas, normalmente, cruzo-me com Oden Warton, um octogenário que teve o bom senso de se despedir de um emprego como diretor administrativo de uma empresa de aço onde ganhava cem mil dólares por ano quando tinha quarenta e cinco anos. Ao olharmos para ele pensamos que o mundo não ficaria virado do avesso se abdicássemos de tudo e vivêssemos como os lírios do campo. Oden não tem hoje um tostão furado. Mas Deus cuida dele. Esbanjar a fortuna que acumulou quando era um homem importante demorou alguns anos. Alguns gastou-os a caçar e pescar. Dias idílicos, pela forma como os descreve”.

Nesta segunda parte, HM escreve ainda sobre alguns períodos da sua vida (esta obra tem fortes componentes autobiográficas), nomeadamente: no ponto 6. discorre sobre alguns aspetos da sua vida como escritor, reflete sobre a inspiração para a escrita, as relações com o seu primeiro editor e os tribunais no que diz respeito á proibição de alguns dos seus livros. “Não nos devemos preocupar se os livros saem bons ou maus. Devemos escrever e não pensar em mais nada. Escrever, escrever, escrever. Tem de haver fogo, paixão um impulso ardente e obsessivo. Fechei os olhos mas as mensagens não pararam de chegar. Pensei que, se anotasse algumas palavras-chave conseguiria fechar a torneira. Mas não resultou. Fui inundado por frases inteiras, depois parágrafos. Páginas. É um fenómeno que me surpreende sempre, independentemente de quantas vezes acontece. Se tentarmos provocá-lo, falhamos redondamente. Se tentamos reprimi-lo, somos vitimizados. A última vez que aconteceu estava a escrever Plexus. Durante um ano, quando escrevi esta obra, vivi um dos piores períodos; a inundação era quase contínua. Vieram-me secções inteiras, especialmente as partes dos sonhos. Sentava-me à máquina e fazia o diapasão vibrar. Despejava como uma saca de carvão. Aguentava três ou quatro horas a fio. Quando acabei o livro, o mundo desmoronou-se em meu redor. Nos três anos seguintes não consegui escrever mais que uma página por dia. Pensei que nunca mais conseguiria escrever. Os meus amigos insinuavam que só conseguia escrever quando as coisas me corriam mal. Mais tarde foi o ditado que me arrasou. Era um fogo que recusava apagar-se. Lavrou durante meses ininterruptamente. Se me deitava e cometia o erro de apagar a luz, começava tudo outra vez, como ataques recorrentes de sarna. Estava arrasado. (Editores) Quando por fim aceitam publicar um dos nossos livros, atiramos-lhe o primeiro. Dirão então: “Porque não me mostraste este livro? É uma obra-prima. Muitas vezes os editores esquecem-se de que os leram ou os rejeitaram. Ao regressar aos Estados Unidos em 1940, com a guerra ainda para durar vi-me privado dos meus direitos de autor pelas obras publicadas em França. O meu primeiro editor morreu no dia em que a guerra foi declarada. Deixou um filho com 18 anos, Maurice, que não tinha cabeça para o negócio. Quando estava na ilha de Corfu, recebi um cabograma de Maurice onde se lia que “se continuasse escrever para a Obelisc Press, ele de bom grado me enviaria mil francos por mês”. Vivíamos pobres e poderíamos ter continuado a viver indefinidamente como pobres. Foi então num belo dia de nevoeiro em que a verdura viçosa da natureza parecia cantar numa alegria de clorofila que chegou uma carta de Maurice Girodias. A carta era grande e ao lê-la na diagonal reparei nisto: quarenta mil dólares. Não era uma ilusão ótica, Maurice Girodias estava na posse de direitos acumulados que me pertenciam e atingiam esse valor. Era impossível fazer a transferência desta quantia fabulosa para a minha conta bancária. Não podia lá ir para receber o dinheiro? Se não pudesse fazer a viagem, Girodias tentaria encontrar maneira de me enviar mil dólares por mês ou dois mil até. Não me peça para escrever isso, por favor. Só me está a arranjar mais problemas. Mas os meus rogos eram ignorados. Como podia imaginar que, anos mais tarde, um triunvirato judicial, ansioso por provar que eu era pecador, me acusaria de ter escrito aquelas passagens “por lucro”. Estas vacas sagradas, que viviam como reis, não conseguindo distinguir o trigo do joio, a declararem-me culpado, culpado de criar aquilo “para fazer dinheiro”. É preciso ter coragem para assinar um pedaço de minério puro que nos é estendido numa bandeja vinda diretamente da mina”.

No ponto 8, 13 e 15 relata as suas relações com o mundo político do seu país e naquilo que diz respeito a episódios relacionadas com os seus livros. “Pensei num episódio engraçado que acontecera nesse mundo de faz de conta que é Washington, DC. Alguém ligado aos círculos do poder, convidou-me para almoçar num clube famoso situado no coração da nossa capital imaculada. Todos traziam embrulhos que eram suspeitosamente parecidos. Eram todos pessoas de elevada posição cujo dever era estar alerta, investigar e levar a tribunal os culpados de lidarem com literatura pornográfica. Como eu era então, aos olhos do governo, o principal culpado, aqueles representantes da verdade e da elevação moral estavam prestes a prestar-me uma notável honra ao trazerem-me os livros transgressores para que os autografasse. Pareceram todos bons tipos, nenhum me parecendo ser perturbado ou debilitado, ferido ou deteriorado, pelos meus livros “porcos”. Insistiram, todos eles, que pensasse em algo “original” para escrever com o meu autógrafo. Um funcionário de aspeto mais imponente que os restantes, disse-me em voz baixa: “Este, se não se importa, gostaria que o dedicasse ao Secretário Fulano”. O último pediu-me que autografasse, sempre com a mesma cortesia, “se não se importar”, dedicando-o ao embaixador da União Soviética. Por esta altura, dando-me náuseas, pedi licença e fui á casa de banho vomitar. Consegui deitar apenas um pouco de bílis. Todos os cidadãos deste mundo têm representantes nas Nações Unidas, excepto alguns selvagens de África e da Austrália, os nativos americanos e milhões de chineses que, apesar de serem descendentes do povo mais antigo e culto que alguma vez existiu, não merecem confiança. (Amanhã, talvez a cantiga seja outra, mas hoje não. Hoje dizemos que não). Sabemos que os dois macacos lascivos do jardim zoológico, os dois macacos que estão a catar pulgas das costas um do outro, estão a fazer um trabalho tão bom quanto esta gente? Por muito livre que cada um deles possa ser para seguir a sua própria vontade, persiste um laço invisível que os une a todos. Pertencem a uma única família. As suas mãos bem desenhadas assemelham-se a gavinhas que procuram flores próximas onde se apoiarem.”

Nos pontos 9, 10, 11 e 12, HM embrenha-se em algumas das grandes questões da humanidade do seu tempo, como por exemplo o ensino, a educação, a elação entre pais e filhos, as relações entre as diversas fés religiosas, os sonhos e as necessidades humanas, a sorte e o destino. “Não podemos forçar as pessoas, especialmente os pequenotes. Só podemos guiá-los. Não, não estamos a educar as nossas crianças: estamos a empurrá-las, a forçá-las, a obrigá-las. A única disciplina digna é a auto-disciplina. O que aconteceu a estes jovens que em vez de estarem a agitar o mundo com os seus pensamentos e actos ardentes já procuram uma forma de fugir ao mundo? O que está a acontecer para que os jovens sejam velhos antes do tempo, frustrados e não libertados? O mundo  pertence aos jovens, não aos velhos, apesar de a natureza nunca envelhecer. Não há vazio como o de um lar de onde os nossos filhos partiram. Era pior que a morte. A força do exemplo parece ser considerada uma técnica menor na estratégia da vida quotidiana. São espíritos livres. Não foram doutrinados, ensinaram-lhes a pensar pela própria cabeça. Possuem uma curiosidade insaciável a respeito de tudo. Aliada a um salutar desprezo por factos mundanos. Como eu parece fadado a atrair inadaptados, neuróticos, psicopatas, alcoólicos, drogados, vagabundos, excêntricos e verdadeiros chatos. O resultado é o depósito (de afecto natural) estar sempre cheio. Mas a sua essência é a reverência pela vida. Quem faz mais do que lhe é pedido, nunca se esgota. Só quem teme dar é que é enfraquecido ao fazê-lo. A arte de dar é completamente espiritual. A elasticidade da alma que caracteriza os generosos é a proteção suprema do criador. É inútil subjugar ou até liquidar, os nossos inimigos, pois o amanhã nos trará outros novos. Se não conseguir fazer dinheiro, faça amigos. Mas não muitos, porque só precisa de um amigo verdadeiro para se proteger da sorte ultrajante. Uma resposta completa é sempre como uma adivinha. O problema das pessoas é nunca fazerem as perguntas certas. Uma resposta completa tem de omitir factos e números, mas inclui sempre Deus. Se o primeiro cristão foi judeu, é bem possível que o último também o seja. Sendo incapazes de os forçarmos a adaptar-se á nossa forma de vida, começamos finalmente a adaptarmo-nos à sua forma de vida. O que acima de tudo me confunde é a capacidade de o homem fugir ou ignorar tudo o que não se encaixa no seu padrão de pensamento, na sua lógica não questionada. Claro que temos problemas com os árabes, mas o que dizer da Formosa, da China, da Rússia? Falando de paz e progresso e preparando-nos para assassínios em massa, prometendo a tal grupo de cães danados os últimos modelos de máquinas de destruição total, enquanto cautelosamente limitamos outros a máquinas obsoletas. O abismo entre o conhecimento e a verdade é infinito. A verdade exige paciência, paciência infinita. A casualidade não é resposta. Se usarmos a palavra predestinação, sentimo-nos derrotados. Até hoje não fomos capazes de escrever a história de qualquer homem. Se tivéssemos escrito a história completa de um único homem, poderíamos ler nesta história a história de todos os homens; se houvéssemos registado fielmente a história de uma única coisa, descobriríamos nela a história de todas as coisas”.

Este livro tem ainda a terceira parte que acima referimos. Trata-se, poderá dizer-se, de um estudo de caso humano e psicológico: Conrad Moricand. Nele fica expresso, se for de facto completamente autobiográfico, o retrato profundamente humano e solidário de HM. A níveis verdadeiramente espantosos e que nos deixam pasmados e estupefactos pela paciência, compreensão, tolerância, abnegação, dádiva e amor que nele estão expressos.

A força do exemplo parece ser considerada uma técnica menor na estratégia da vida quotidiana.

Da vida quotidiana das pessoas e do país. Das elites nacionais relativamente ao cidadão comum. Sobretudo das elites financeiras que, pelos vistos elas sim, andaram a viver muito acima das suas e das coletivas possibilidades. Está por identificar política, económica e sociologicamente, o que fizeram os cidadãos em geral para a crise que, duramente, todos vivemos. O que essas elites fizeram é cada vez mais público. Deixa-nos estarrecidos pelo nível, dimensão e qualidade da ambição, ganância, ausência de escrúpulos e total ignorância do “outro” que todos somos. Muita sociopatia circulante!

 

*1. Taliesin West: localidade onde Frank Llyod Wright fundou o seu ateliê e uma escola de arquitetura na década de 30. Tanto a sua família como os bolseiros viveram aí em tendas rudimentares.

*2. Hieronymus Bosch/El Bosco: Pintor flamengo dos séculos XV e XVI, considerado o primeiro pintor fantástico. Foi um dos mais exímios observadores e pintores da realidade que coloria de uma forma soberba e única. As suas obras são em simultâneo fantásticas, diabólicas, satíricas e até moralizantes, abarcando os vícios, os pecados, os pavores e sustos de caráter religioso, próprios da sociedade medieval do seu tempo. A maior coleção de obras de Bosch encontra-se no Museu do Prado, por força das pilhagens de Filipe II, pelas mãos do Duque de Alba, aquando da sua ocupação da Holanda e por ele próprio também ser um admirador e colecionador do artista. O “Jardim das Delícias é a obra mais famosa deste pintor de entre as que Filipe II renuiu no Museu do Prado. “As Tentações de Santo Antão” de Bosch existente no nosso Museu de Arte Antiga será, porventura, a pintura mais valiosa do património nacional, seguramente deste Museu. À pintura de Bosch, é atribuída muita da inspiração que terá originado o movimento surrealista do século XX com Max Ernst e Salvador Dali.

 

Outras obras de HM :

 

Trópico de Câncer, 1934;

Primavera Negra, 1936;

Trópico de Capricórnio, 1939;

O Colosso de Marússia, 1941;

Sabedoria do coração (ensaios), 1941;

O sorriso ao pé da escada, 1948;

Os livros da minha vida, 1952;

Sexus, Plexus e Nexus, 1949, 1953, 1960.

 

 

Psicólogo clínico. Mestre em Políticas e Gestão de RH pelo ISCTE em 1995. Membro da Associação Portuguesa de Psicologia, Sociedade Portuguesa de Grupo-análise, sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Rorschach e métodos projetivos e membro da Sociedade Internacional de Rorschach. Docente no ISCE de 1999 a 2007. Aposentado. Ex Dirigente da DGRSP nas funções de Diretor dos Estabelecimentos Prisionais de Viseu, S. Pedro do Sul e Lamego. Foi Diretor do Estabelecimento Prisional de Sintra e Adjunto do Diretor do Estabelecimento Prisional de Lisboa.

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