Letras @CORdadas – Dino Segre (Pitigrilli) – 1893/1975

por Miguel Alves | 2014.07.21 - 13:54

 

Estamos em pleno Verão.

Apesar de se ouvir frequentemente que é nas férias que as leituras se põem em dia, não é muito verdade que se leiam, de facto, todos os livros que se levam para férias com a intenção otimista de os ler. Penso, aliás, que não é esse o tempo propício para se ler aquilo que verdadeiramente merece e necessita ser lido.

@CORdo hoje, por isso, um autor e uma obra que, apesar de ácida e mordaz mas verdadeira em alguns aspetos, se lê com gosto e ao mesmo tempo nos coloca numa situação algo paradoxal: a gargalhada espontânea num primeiro momento e uma espécie de dúvida, receio, quase pavor e até reflexão profunda num segundo momento e que nos remete para o lado de lá da cena da vida, para o que não parece mas que se calhar, em muitos casos, é.

É um autor que abarca e analisa processos onde muitos dos fenómenos e terminologia psicanalítica se podem encaixar, abordados a frio, de forma critica, espontânea e sem o crivo das conveniências. Conveniência que em setting próprio já não podem existir, para poderem ser analisadas nos processos profundos que lhe subjazem. Como por exemplo, o desejo, o amor e o ódio, a sublimação a racionalização, a frustração, a castração, o Édipo.

Pitigrilli trás para território livre e sem barreiras o desmascarar de algumas realidades sociais, na tentativa de produzir sínteses humanas profundas, sem censuras inconscientes, numa escrita de choque atrevida, que concilia em simultâneo alguma leveza, sentido crítico e profundidade, que podem provocar riso, algum incómodo e até dor e, nalguns casos, uma relativa repulsa na análise da condição humana.

Pitigrilli analisa e acentua o contraste entre a essência e a máscara da condição humana e recorta com uma acutilância ás vezes chocante o “paradoxo” de nos querermos convencer que a máscara corresponde à essência e a essência queremos que seja a máscara.

Refiro-me a uma edição da Editorial Minerva de 1945 de um livro deste autor: “a decadência do paradoxo”. Esta edição não clarifica se é um livro autónomo do autor, ou se um apanhado de transcrições de outros, já que no conjunto da obra de Pitigrilli não aparece nenhum livro com este titulo. Isto apesar de numa das primeiras páginas se referir: DO MESMO AUTOR: O HOMEM QUE PROCURA O AMOR (1955), DOLICOCÉFALA LOIRA (1940).

“Quem lê quer saber; quem não lê quer errar”

(Pe. António Vieira-1608.1697)

Pitigrilli foi um jornalista que trabalhou em quase todos os jornais da sua época. De nacionalidade italiana, morreu na Argentina onde se havia refugiado. Foi fortemente influenciado pelo existencialismo do pós segunda guerra mundial. Esta corrente de pensamento surgiu nos meados do século XIX com o intelectual dinamarquês Soren Kierkegaard e teve o seu apogeu após a II guerra mundial com Martin Heidegger e Jean Paul Sartre.

Os postulados desta corrente filosófica e de pensamento, são quatro: o primeiro, o da afirmação do ser humano como ser individual e não como entidade definida pelas teorias gerais sobre o homem e a humanidade. O segundo, o da afirmação que o homem não foi criado com uma finalidade e um qualquer destino, mas a ele cabe a criação do seu próprio destino, definindo os objetivos e finalidades da sua vida. O terceiro, caracteriza o mundo como irracional e absurdo, tornando a sua compreensão impossível pela inexistência de modelos que o expliquem. O quarto, defende que a falta de sentido da vida e do mundo e a consequente liberdade resultante dessa indeterminação, provocam a ameaça permanente de sofrimento, a ansiedade, a alienação, o tédio, a descrença em si mesmo e o desespero. Como corolário, o existencialismo proclama a liberdade do indivíduo como sendo a sua propriedade distintiva mais determinante, a par da sua individualidade que devem conduzi-lo á construção do seu próprio destino (“A existência precede a essência”).

“a decadência do paradoxo” tem os seus conteúdos divididos por três “capítulos”: o paradoxo, os que se amam e máximas e paradoxos. De todos eles vamos revisitar alguns e abarcá-los em quatro áreas fundamentais da existência humana e social: 1. O paradoxo. 2. O desejo, o amor e a paixão. 3. Como o autor os vê refletidos no homem e na mulher. 4. A vida individual e social e os seus paradoxos.

1. O paradoxo

 “O paradoxo é uma elegante gravata que faz um nó cego quando se puxa demasiadamente por ela. O paradoxo é o contraste entre o preço dos valores morais e os nossos preços para liquidação do inventário. Do paradoxo pode repetir-se o que um poeta respondeu a uma senhora que lhe perguntava se era muito difícil fazer bons versos: Minha senhora, é muito fácil ou é impossível. Ou são bons ou não prestam”.

É hoje um assunto de relevante interesse social e políticos a autenticidade do que se diz, se ouviu e se faz, bem como do crédito e confiança que pode circular entre os cidadãos em geral e, sobretudo, entre estes e quem os governa.

“O paradoxo não admite discussão nem tolera análises ou qualquer medida de prova porque a verdade, nas coisas humanas, não é bacteriologicamente pura; e não está toda de um lado, ou toda do outro; com os mesmos recursos tanto se pode sustentar um a tese como a tese oposta. Já Anatole France nas Sete mulheres de Barba Azul pergunta: que pode fazer a verdade fria e nua contra o prestígio cintilante da mentira? Se queres viver feliz, deves estar na verdade de todos: não existem duas verdades, a tua e a dos outros: existe somente a verdade dos outros. Ensina-se aos rapazinhos a dizer a verdade, para pô-los em estado de compreender a utilidade da mentira. Com ninguém nos atrevemos a ser tão descaradamente mentirosos como com nós próprios”: Daqui pode resultar que “…a celebridade, a chegada ao poder e o seu exercício resulta da vantagem de ser conhecido por aqueles que não nos conhecem”, porque “os homens têm a virtude dos seus defeitos e o defeito das suas virtudes”.

Cuidado com os paradoxos. Eles devem merecer-nos cuidada atenção e algumas vezes muito respeito: “O paradoxo é um luxo de fidalgo, um pensar fora de propósito; é pôr sob a lente do microscópio um ponto da questão, isolando-o do resto, é um panorama de paisagens novas, inesperadas e imprevistas; uma descoberta das condições, que constituem a substancia das coisas humanas. Põe em evidência um lado da verdade que, por tácito acordo, os homens resolveram hipocritamente desprezar. A razão é impotente perante o paradoxo. O paradoxo aproxima o mundo abstrato do mundo concreto”. O paradoxo pode remeter-nos, por isso, para o inconsciente na medida em que ele significa que, para além de todo o sistema das nossas relações com a realidade, existe um outro lugar onde elas carregam uma outra perceção dessa mesma realidade: é o território do inconsciente.

Se os paradoxo nos deve merecer atenção e reflexão, qual é afinal, a função do paradoxo? “O paradoxo não é tudo o que é contrário à verdade. Não vai contra ela: procura-a, aflora-a, acompanha-a, corta-lhe o caminho, ultrapassa-a. A sucessão dos sistemas filosóficos é uma série de paradoxos, logicamente explicados. Qualquer teoria não é outra coisa mais que a sistematização de um aspeto da verdade, desprezado pelo sistema precedente. E esse, será o ponto de partida para a teoria que aparece depois.” Em síntese, o paradoxo não é um absurdo: “são ideias contrárias à opinião, mas não à razão”.

2. O desejo, o amor e a paixão

O desejo é o desejo de ser amado, na medida em que é o narcisismo que domina a economia libidinal onde ele se situa na estrutura psíquica. O objeto do desejo não é escolhido senão na medida em que o EGO nele se reflete. O objeto do amor corresponde à projeção do EU ideal e resulta da partilha libidinal que entre ambos pode circular. A representação profunda do objeto amado, não e a que se situa ao nível da consciência. Ela tem um outro fator mais surpreendente que é o de ser a representação do desejo, mecanismo esse que comanda todo o processo apetitivo (wunschvortesttelung no original freudiano).

Falando de Freud, importa dizer que este neurologista e psiquiatra criou um modelo teórico e prático de abordagens da psicologia humana que contesta a realidade como nenhum outro sistema filosófico e de pensamento jamais fez. Essa contestação não se situa apenas na dupla subjetivação a que ele submete a realidade: não apenas o funcionamento, em simultâneo, dos órgãos dos sentidos como crivo da realidade e como ecrã dessa mesma realidade, mas também como a valorização da sua representação que, pela supremacia do processo primário – princípio do prazer, chega aoconhecimento através do qual se produz a relação com o mundo.

Falar de desejo, é falar de privação. Há a privação correspondente a uma carência real na qual o objeto de privação se situa ao nível do simbólico; há a privação frustração que é uma carência imaginária, cujo objeto se situa ao nível do real; há a privação castração que é uma carência simbólica e cujo objeto é imaginário (J. Lacan, Écrits II).

“Há um adjetivo que bate todos os recordes: o belo. A vida tem-me ensinado que a beleza não tem grande parte no amor. Quanto muito, tem a função de reclame. Tem um valor publicitário. Rasputine tinha uns olhos perturbadores e esse era o seu único atrativo. Potemkine, o grande amante de Catarina da Rússia, nada tinha que seduzisse. O conde de Neipperg que, aos 42 anos roubou a Napoleão Marie Luise que tinha 23, era cego de um olho e tinha nele uma pala preta. Mirabeau que foi adorado por Sofia, era bexigoso, tinha os olhos inflamados e foi um dos mais feios homens do seu século”.

“O amor resulta do encontro fortuito que tivermos com a mulher que realiza para nós o nosso tipo fundamental. Não se deve procurar um companheiro/a que tenha os nossos defeitos ou as nossas virtudes, na esperança de encontrar admiração, indulgência ou compreensão. Aquilo que a mulher menos nos perdoa são os seus próprios defeitos”.

“O segredo dos grandes amores está na antítese. Como Fernando Cortês, o conquistador do México, depois de ter aprisionado o rei, depois de rodeado de ódios e maldições, foi amado com loucura pela filha de Montezuna, o mesmo a quem tirara a coroa e a liberdade. Tito, o mais feroz dos anti semitas, o destruidor do Templo de Jerusalém, enamorou-se loucamente por uma judia, Berenice, a bela princesa da família de Herodes. Um dia, o grande poeta ouviu bater á porta. Como estava sozinho, ele foi mesmo abri-la. Era a leiteira. O poeta manda-a entrar. Ele pede-lhe que fique. Ela fica dezasseis anos. O poeta e a leiteira casam-se. A leiteira era a senhora Vulpius. O poeta chamava-se Wolfgang Goethe. Vitor Hugo beijava voluptuosamente os dedos de uma fressureira. Poetas como Horácio e Ovídio, generais como Alcibíades e Napoleão, tímidos músicos como Schubert, encontraram o seu comportamento sexual nas criadas de servir. O próprio Balzac nisso se especializou”.

 “O caráter dos grandes amores é a inquietação. As grandes paixões são incoerentes. O amor começa a ser grande quando se torna absurdo. No amor não há uma verdade científica. A única verdade é o que nós quisermos acreditar para nossa tranquilidade”.

“Que há nos homens que seduza as mulheres? Diz Pitigrilli: “A atração física, não é precisamente a beleza. Se fordes corcundas, mas tiverdes dentes lindos sereis amados talvez pelo vosso defeito. Podeis ser coxos, tendo um sorriso agradável. Podeis ser peludos com ar de pouca limpeza, tendo um pescoço de Hércules. Podeis ser um verdadeiro monstro: haverá sempre mulheres que vos desejem. Casanova nada tinha de formoso. O génio de Napoleão não impressionou nem Josefina, nem Marie Louise, nem Eleonore Danenuelle de quem teve um filho: Estamos em 1806. No aposento onde Napoleão a recebia, um relógio rematava o fundo da alcova. Eleonore, enquanto o Imperador a possuía, achava sempre forma de adiantar meia hora ao relógio. Quando este olhava para o relógio dizia: Já? E a mulher recuperava a liberdade. Aquele que ganhava as batalhas com o relógio na mão, deixava-se enganar por uma rapariguita. Faltava o amor naquelas relações e os seus filhos eram medíocres”.

“Os filhos do amor dão quase sempre otimos resultados. O filho mais são, mais forte e mais belo de Napoleão foi o que nasceu da mulher que mais amou: Maria Walewska. O que nasceu destinado á coroa e filho de Marie Louise, morreu minado pelos vícios e pelos bacilos. Uma senhora muito inteligente a quem perguntei porque é que as mães queriam mais aos filhos ilegítimos, respondeu-me “porque são mais lindos”. Alexandre Dumas era filho de uma costureira, Wagner era filho natural de um judeu. Sua filha, Cósima Wagner era filha de Franz Lizst. Leonardo d´Avinci e Erasmo de Roterdão foram filhos do Papa César Bórgia”.

3. O homem e a mulher

A imagem das pessoas e coisas que dominam a vida psíquica inconsciente, são imagens opostas às imagens reais e verbais dessas mesmas realidades. Nem sempre como processo de embuste consciente, mas como processo de ligação da linguagem inconsciente à linguagem consciente, já que os dois modelos de linguagem não têm estruturas comuns O homem e a mulher estão ligados por um drama e destino castrador: Elle est s´en l´avoir; Il n´est pas s´en l´avoir (J. Lacan, Écrits II). Nada que um Édipo bem resolvido não ultrapasse!

“A felicidade e a infelicidade é como um romance em capítulos e uma série ininterrupta de incidentes agradáveis e desagradáveis. A mulher é advogada por natureza. O seu sexo é, só por si, um diploma de formatura. A mulher sabe por instinto as malícias do sofisma, as falsidades da prova, o suborno das testemunhas, a astúcia do álibi. As mulheres são com as multidões: traem os que as amam. As mulheres demoram quarenta anos a chegar aos trinta. Para chegar ao seu bolso, é preciso passar antes pelo coração. Os amores eternos, não são mais que amores recomeçados. Um amor defunto não ressuscita. Quando volta é porque não era defunto. A única coisa triste no amor é o tornamos a vestir-nos. As mulheres empregam, a sua indulgência a perdoar-nos os erros que elas praticam. O nosso ciúme é para as mulheres, a medida do seu valor; convém fazer-lhes crer que valem pouquíssimo. As mulheres quando recebem o primeiro beijo, há algum tempo estudavam como retribuir. São como diversas ilhas: politicamente pertencem a um país e fisicamente a outro. A respeito da infidelidade, os corações dos homens são como os sapatos de verniz. Se da primeira mão não apertam, não apertarão mais. O pior corrosivo do amor é a sinceridade. Mentir sempre eis a divisa do amante que queira ser amado. Possuir uma mulher e ter de desposá-la, é como obrigar quem roubou uma buzina de automóvel, a comprar o carro inteiro. A paixão e o calor, no homem deixam resíduos. O amor e a luz na mulher, apagam-se”.

4. Os paradoxos e a vida individual e social

Os portugueses são conhecidos como respeitando pouco alguns valores importantes do funcionamento social, serem sedutores e, ao mesmo tempo, algo trapalhões e amigos de ludibriar o seu semelhante. Não seremos únicos porque: “a pontualidade é um furto ao tempo, a arte uma doença, o amor uma ilusão e o contacto de duas epidermes, a mulher uma esfinge sem segredos, a cólera uma descarga de adrenalina, o pranto uma solução de água e cloreto e sódio, a dança a ginástica do adultério, o beijo uma troca de bacilos, o advogado uma consciência alugada, os negócios o dinheiro dos outros, a guerra um jogo ente o marco e a libra esterlina”. Entre o euro do Bundesbank e o euro do resto da UE, diremos nós hoje.

E a coragem. Quem não gosta de se ter tido como tal? “Não tenhas o prurido da coragem. É melhor o medo, que é indício de superioridade. Os animais inferiores como a lombriga, não têm medo; o pássaro, sim”.

Pitigrilli elenca as definições incompletas do homem: “pela escola de Manchester, o homem é o homo economicus, para Rousseau é um contraente social, para Aristóteles um animal político, para Platão um bípede implume, porém para Diógenes também um frango depenado é um bípede implume”.

Em conclusão, Pitigrilli revela nesta obra, a sua visão globalmente pessimista da condição humana e não valorativa da sua qualidade superior, no mínimo, no mundo das espécies. Pitigrilli pode ser considerado uma espécie de psicanalista herético e sem vergonha:

“Vivam as pessoas honestas! Sempre são menos canalhas que as outras! Tenho medo das pessoas incorruptíveis. São as mais fáceis de corromper. As pessoas corruptas têm uma tarifa. Chega-se lá ou não. As primeiras deixam-se corromper não por dinheiro, mas por palavras. O grau de corruptibilidade das diversas consciências é como o ponto de fusão de diversos metais. A moral não é mais que um conjunto de preconceitos, de dogmas e de mentiras hereditárias, aceites sem exame crítico. O remorso é um ato de boa educação para com a consciência, uma apresentação de desculpas que fazemos a nós próprios; mas é inútil como todas as formalidades. Aqueles que todas as noites transcrevem num caderno as impressões e reflexões do dia, são como os que assoam o nariz e olham. Todos somos falhados, porque quisemos ser coisa diversa do que fomos. É muito belo erguer-se contra uma injustiça, denunciar um abuso, bater-se por um inocente contra o nosso próprio interesse. Isso dar-te-á o aplauso de uns quantos solitários, mas a sociedade nunca te perdoará. Os que gritam mais forte são sempre os menores, os obscuros, os inexistentes. Simpatizo por instinto com as minorias, com os fracos, com os que têm culpa: são tantos que devem ter razão! Somos todos assassinos em estado potencial. Se se pudesse condenar por intenções, poucos homens escapariam, ao cárcere. O sofrimento e a cólera não repelem, mas atraem. Têm força coesiva, não desagregadora.”

A complexidade da condição e existência humanas são muito mais que isto e muito para além dos paradoxos pessoais e existenciais de Pitigrilli.

Outras obras de Pitigrilli:

O cinto de castidade (1933)

Ultraje ao pudor (1939)

Moisés e o cavaleiro de Levi (1949)

O deslize do moralista (1951)

O colar de Afrodite (1953)

A virgem de 18 quilates (1957)

Psicólogo clínico. Mestre em Políticas e Gestão de RH pelo ISCTE em 1995. Membro da Associação Portuguesa de Psicologia, Sociedade Portuguesa de Grupo-análise, sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Rorschach e métodos projetivos e membro da Sociedade Internacional de Rorschach. Docente no ISCE de 1999 a 2007. Aposentado. Ex Dirigente da DGRSP nas funções de Diretor dos Estabelecimentos Prisionais de Viseu, S. Pedro do Sul e Lamego. Foi Diretor do Estabelecimento Prisional de Sintra e Adjunto do Diretor do Estabelecimento Prisional de Lisboa.

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