Letras @CORdadas

por Miguel Alves | 2016.06.24 - 20:58

 

 

 

 

(Luigi Pirandello, 1867 – 1936)

Académico de Itália, 1929

Membro da Academia Real Italiana, 1933

Nobel da Literatura de 1934

 

Luigi Pirandello foi um dramaturgo, romancista, poeta e contista, mas cuja maior contribuição no mundo das artes se situa nas peças de teatro que escreveu. A ele se deve a capacidade de transformar a fina, subtil e profunda análise psicológica da natureza humana que realizou, em excelentes peças de teatro. Algumas delas são consideradas como as mais importantes percursoras do teatro do absurdo. “Oh o teatro dramático! Eu vou conquistá-lo! Não consigo entrar em um sem experimentar uma sensação estranha, uma excitação de sangue através de todas as minhas veias…”.

Luigi Pirandello nasceu na villa Càvusu (caos), nos subúrbios de Girgenti uma cidade do sul da Cecília e oriundo de uma família abastada que exercia a sua atividade na indústria do enxofre. Sua mãe, pertencia à família dos Gramittos que, com os Pirandellos se envolveram na luta pela unificação italiana, lutando ao lado dos Garibaldi contra os Bourbons*1. Após a unificação, a sua família foi forçada a substituir o idealismo pela traição, ressentimento e frustração, perante os acontecimentos que lhe vieram a suceder. LP acabaria por assimilar esse ambiente de desilusão e que nos legou bem expresso em obras como “O Ressurgimento” primeiro, e depois o “O velho e o novo” e “O Humorismo”.

LP cedo começou a interessar-se pela escrita e pelos poetas italianos (G. Carducci e A. Graf), tendo a partir deles escrito os primeiros poemas. Antes disso, já havia escrito aos doze anos a sua primeira tragédia. LP foi um dos grandes renovadores do teatro do seu tempo e a sua obra está eivada de um sentido de humor muito elaborado e de grande originalidade. É nesta área criativa que se encontram algumas das obras mais importantes do seu legado: “Assim é se lhe parece” e “Cada um a seu modo”, são disso exemplos. “O Torniquete” (1899/1900) foi a sua primeira peça de teatro.

LP nunca renegou as suas origens da Cecília, tendo escrito parte da sua obra em siciliano.

LP frequentou o Ginnasio por insistência de seu pai e tendo em vista a sua entrada nos negócios de enxofre da família. Chegou a trabalhar nessa área, forçado pelos pais e para o fazer esquecer uma paixão que viveu com uma sua prima. Essa experiência iria constituir a base de elaboração criativa e matéria de desenvolvimento de algumas das suas obras.

Mais tarde, já na Universidade de Palermo, frequentou o departamento de direito que não viria a completar. Foi no período em que frequentou esse departamento que LP foi membro do de um movimento que iria evoluir para o Facci Siciliani. Não obstante não ter sido um membro ativo e interventor desse movimento, LP teve relações de amizade próximas com os seus principais ideólogos: Garibaldi Bosco, Enrico La Loggia, Franceso De Luca e Felice Giuffrida. LP Apenas se viria a instalar em Roma em 1887, quando, finalmente, decidiu escolher o departamento de letras para completar os seus estudos.

A propósito do período em que frequentou direito em Palermo deve também ser salientado que, mais tarde, LP foi um colaboracionista e apoiante do regime fascista de Mussolini. Com o seu apoio foi nomeado diretor do Teatro de l´Arte di Roma em 1925 e posteriormente na tournée mundial em que levou a cabo para a difusão da sua obra. Chegou a identificar-se como “sou um fascista, porque sou italiano”. A sua devoção pelo líder italiano levou-o a defender a anexação da Abissínia*2 por parte da Itália e oferecer a sua medalha do prémio Nobel para ser derretida em favor dessa campanha militar e na sequência do programa de angariação de fundos levado a cabo por Mussolini como reação às sanções económicas impostas à Itália pela Liga das Nações por ter invadido e anexado aquele país. Mais tarde viria a dizer “eu sou apolítico, sou apenas um homem do mundo” tendo entrado em litígio fraturante com o regime, facto que o levou a fazer em pedaços o seu cartão de militante e frente do próprio secretário-geral do partido fascista italiano. Na parte final da sua vida, LP esteve sempre debaixo de apertada vigilância e controle da polícia secreta do regime de Mussolini.

No departamento de letras da Universidade de Roma entrou em conflito com um professor de latim, tendo abandonado essa universidade e ido para Bona onde esteve dois anos. Aí estudou os românticos alemães, Heinrich Heine, Goethe, Tieck, Chamisso e traduzindo de Goethe as “Elegias Humanas”. Acabaria por doutorar-se em filologia romana em 1891.

Quero hoje @CORdar uma das obras mais importantes de LP. Trata-se de um romance com o título “Um, Ninguém e Cem Mil”, publicado pela primeira vez em 1926. É uma história que circula, essencialmente, à volta dos interesses de uma família abastada numa pequena cidade italiana (Richieri):

O pai já falecido, banqueiro. “Ei-lo na minha frente. Alto, gordo, calvo. E nos límpidos olhos azuis que pareciam vidro, o habitual sorriso brilhava para mim, com uma estranha ternura, que era um misto de compaixão e de troça, mas afectuosa, como se no fundo lhe agradasse que eu fosse digno dessa troça, por me considerar uma espécie de luxo de bondade que impunemente se pudesse permitir. Agora esse sorriso, oculto na barba cerrada tão ruiva, sob os fartos bigodes um pouco amarelados ao meio, era malicioso, mudo e frio. E essa ternura que lhe aflorava e brilhava nos olhos por causa desse sorriso disfarçado, parecia-me terrivelmente maliciosa, que me provocava calafrios”.

O filho Gengè que herda a sua fortuna, e sua mulher Dida: “Azedo de secreta vergonha e fazendo um esforço para encontrar na garganta uma voz que não parecesse demasiado estranha, perguntei-lhe: Dida, sabes qual e a minha profissão? Com uma cruzeta, admirada, repetiu: A tua profissão? E tive de saborear de novo o ácido daquela vergonha: Sim, o que é que eu faço? Dida ficou a olhar-me um instante e depois explodiu numa gargalhada: O que é que estás a dizer Gengè? Gengè tinha uma realidade para Dida, garanto-lhes que dificilmente se poderia imaginar uma criatura mais estúpida que o querido Gengè da sua mulher. Tinha-o construído à sua maneira, de acordo com o seu gosto, o seu capricho. Estupidozinho, mas muito querido. Ah sim, muito querido. Amava-o assim: queridinho, estupidozinho. E amava-o de veras. O meu horror desapareceu de repente com aquela gargalhada. Ah, claro – para os outros eu era um usurário; aqui para a minha mulher eu era um imbecil. Mas não era eu pior que meu pai? Ah, ele ao menos trabalhava. E eu? Que fazia eu? O bom filho que falava de coisas estranhas, bizarras mesmo, estimado por todos os consócios, amado por Quantorzo como um filho e por Firbo com um irmão; os quais sabiam que era inútil falarem-me de negócios e bastava chamarem-me, de vez em quando, para assinar; assinava e pronto. Como era possível que não me tivessem ainda matado? Bom, meus senhores, não me matavam porque até agora não me tinha separado de mim para me ver e vivia como um cego; portanto para os outros era natural que fosse assim, era assim que me conheciam; não podiam imaginar-me de outra maneira e todos podiam olhar-me quase sem ódio e até sorrir a este bom filho cruel. Tinha ficado parado aos primeiros passos de muitos caminhos, com o espírito de mundos. Eu não puxava carroça alguma; por isso, não tinha freios nem escolhos; via com certeza mais que eles; mas ir, não sabia para onde”.

Uma amiga de ambos, Ana Rosa: “Mal tive tempo de amparar Ana Rosa que caía para cima de mim. A notícia do estranho acidente na Abadia Grande e da minha precipitada saída com Ana Rosa nos braços espalhou-se como um relâmpago dando logo pretexto a maledicências.     Achei-me pois, sem nada saber, apaixonadíssimo por Ana Rosa e, por esse motivo, implicado no acidente do disparo na Abadia como nunca por nunca poderia imaginar. De maneira que, não parecendo admissível que ela, depois de me atrair a si, tivesse podido querer matar-me. Para a justiça, tentara matar-me para se defender da minha brutal agressão”.

Dois gestores do banco e da fortuna bancária e imobiliária da família, Firbo e Quantorzo: “Naquele banco, o último dos subalternos de Quantorzo ou de Firbo era mais patrão que eu. Firbo, que era pequeno, tinham-lhe nascido borbulhas nas costas e, embora não lhe visse a corcunda, toda a sua caixa toráxica era de corcunda, Sim, sobre aquelas compridas e finas patas de pássaro havia uma corcunda, mas uma corcunda elegante; sim, um falso corcunda elegante e bem sucedido. O que é que a tua mulher dizia de ti? Que és um libertino, um ladrão, um falsário, um impostor e que só dizes mentiras. Quantorzo sorria para demonstrar que a violência já não era necessária e que tudo acabara. Teria podido matar alguém, de tal forma a severidade excitada de Quantorzo me irritava”.

Um casal indigente (Marco do Dio e Diamante): “Não encontrou quem quisesse ter consideração por ele, e quando saiu da cadeia dedicou-se a arquitectar os mais extravagantes planos para se refazer da ignominiosa miséria em que caíra; em companhia de uma mulher que, num belo dia viera ter com ele, ninguém sabia como nem onde. Era digno de espanto e, ao mesmo tempo, de dó ver como ele conseguira seduzir aquela mulher e fazê-la viver como uma cadela fiel, aquele sonho ridículo de ficar milionário. A seriedade deles era tão cruel que se riam dela. Ou melhor, era feroz. E tornava-se tanto mais feroz, tanto mais á sua volta cresciam os risos. O escárnio dos outros tinha passado a ser o ar que o seu sonho respirava. Sem esse escárnio, corriam o risco de sufocar”.

A história do romance resume-se ao facto de Gengè acabar por demonstrar que não é o que todos pensam ser: oferece uma moradia ao casal indigente e liquída o banco recebendo todo o seu dinheiro: “Não meu caro – gritei-lhe e repente. E para vos demonstrar que tu, Firbo e todos os outros estão muito enganados, mas muito enganados a meu respeito. Falo, falo, digo asneiras, finjo-me distraído; mas não é verdade, sabes? Observo, observo tudo! Mas se tu nunca quiseste fazer nada! Pois não, mas não por leviandade. Antes pelo contrário. Ia demasiado ao fundo das coisas. Quando se vai demasiado ao fundo das coisas, não se consegue nada. …tentava demonstrar a  minha mulher que eu não era o imbecil que ela imaginava. …eu tinhas querido demonstrar que podia, mesmo para os outros, não ser aquele que toda a gente imaginava. A quem dizer eu? O que queria dizer esse eu, se para os outros tinha um sentido e um valor que não podiam ser os meus e para mim?”

“Um, Ninguém e Cem Mil”, é uma obra sobre a identidade pessoal e individual, da sua consciência-própria e alheia, da sua projeção que queremos/gostaríamos que tivesse no “outro” e da projeção que o “outro” faz de si próprio na identidade alheia. É, por isso, uma obra com um sentido psicológico profundo, questionante e até alarmante, se nos situarmos na facilidade, leviandade, superficialidade e risco em que decorrem muitas da relações humanas e no devir quotidiano, bem como dos juízos e avaliações que no seu seio fazemos diariamente uns dos outros. De forma simples, mesmo que este adjetivo não possa ser aplicado ao tema:

Somos UM para nós: Será sempre verdade? Se existimos na relação com os outros, significará que somos aquilo que pensamos ser e aquilo que cada um dos outros faz de nós; assim, seremos no mínimo dois: o eu individual e o eu projetado pelo “outro”, logo NENHUM*3? De alguma forma sim, mas estrutural e essencialmente não. Somos a projeção que fazemos de nós próprios e a que de nós é feita por cada “outro” com que nos relacionamos: CEM MIL?

Analisado e desenvolvido o conceito desta forma, a identidade será uma entidade bloqueada e inexplicável? Nesta lógica sim, porque nos situamos a um nível algo simplista que não perfura e desce mais fundo na condição humana, ficando-se pelo que “parecemos” para nós próprios e para todos os “outro”. Isto é, fratura em dois aquilo que é e tem que ser uma unidade. “Para os outros eu não era aquele que, para mim, tinha então julgado ser. Não podia ver-me. Não podendo ver-me, permanecia estranho a mim mesmo, alguém que os outros podiam ver e conhecer, cada qual à sua maneira, e eu não. Tal como eu pegava no meu corpo para ser, por vezes, como me queria e me sentia, também qualquer um podia pegar  nele para lhe dar uma realidade á sua maneira. …como é que podemos estar tranquilos, ao pensar que há quem se esforce por persuadir os outros que tu és como ele te vê, por te fixar na avaliação dos outros de acordo com o juízo que ele fez de ti, e por impedir os outros de te verem e julgarem de uma forma diferente?”.

Por mais voltas que demos ao redondel, ninguém até hoje unificou, construiu e reconstruiu esta complexidade melhor que o génio de Freud. O alheamento, a ignorância e às vezes até alguma hostilidade com que, frequentemente, ele é visto e referenciado, resulta disso mesmo: da desmontagem e clarificação que faz “do outro lado do mundo” da condição humana. E esse “outro lado do mundo” tem componentes universais que moldam o “pormenor” e os embustes com que, frequentemente, nos entretemos.

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*1. Até à segunda metade do século XIX, a Itália era constituída por vários reinos que funcionavam com Estados independentes. Alguns deles eram Estados autoritários governados indiretamente pelas famílias reais da Áustria e França e em alguns deles a Igreja Católica tinha uma importância decisiva. Não havia, por isso, na península italiana leis, moeda, língua e sistema político únicos. O processo da unificação foi lançado por alguma nobreza e sobretudo pela burguesia comercial e industrial, que dela necessitavam para alargar os seus mercados consumidores e fomentar o comércio dentro de um regime baseado nas mesmas leis e no mesmo regime fiscal. O processo da unificação não foi pacífico e começou pelo levantamento popular do Piemonte liderado por Giuseppe Garibaldi e apoiado por tropas francesas contra o Império Austro-Húngaro que não queria perder os reinos por si controlados. Vencedores, os piemonteses, conquistaram de seguida a Lombardia, Parma, Modena, Romagna e Toscânia; em 1860 foi anexado o reino das duas Cecílias e em 1861 os Estados Pontifícios governados pela Igreja Católica, formando em conjunto o Reino da Itália. O seu primeiro Rei foi Vitor Emanuel II. Em 1866 foi anexado o reino de Veneza com o apoio da Prússia até então governado pelos austríacos. Faltava nessa data a anexação de Roma que era a capital do Estado da Igreja Católica. Este era defendido por tropas francesas que, por terem sido mobilizadas para a guerra franco prussiana de 1870, o deixaram sem defesa. Tal facto tornou fácil a sua conquista por Mussolini que decretou a cidade como capital do país. A Igreja Católica (Pio XI) só reconheceu o Estado Italiano em 1929 através do Tratado de Latrão, no qual a Itália aceitou a criação do Estado do Vaticano e indemnizou a Igreja pelas perdas territoriais sofridas em resultado da anexação que levou à unificação do país.

*2. Atual Etiópia. Foi o segundo conflito armado entre as ambições territoriais para repor o Império Romano por parte de Itália e o Império Etíope. Decorreu entre 1935 e 1936. A conquista da Etiópia e a sua anexação foi fácil face a um país sem treino militar e mal armado (arcos e flechas, algumas peças de artilharia, meia dúzia de tanques e três aviões). A par de repressão brutal que se seguiu, a Itália aboliu neste país a escravatura. Ao anunciar em Roma, perante milhares de italianos em delírio, a união da Abissínia, Eritreia e Somália Italiana sob o comando de um único governador para a denominada Africa Oriental Italiana, Mussolini teve o seu auge de glória e prestígio popular. Em 1940 aliar-se-ia a Hitler na segunda guerra mundial, aliança que que iria ditar o fim das suas ambições expansionistas e a sua execução em 28 de Abril de 1945, dois dias antes da morte de Hitler. Poucos dias depois o seu corpo e de sua amante foram trazidos de Milão para Roma e expostos publicamente na Praça Loreto de cabeça para baixo, tendo sido alvo de insultos e arremessos por parte de uma multidão enfurecida. Tal como com Hitler, continua envolta em alguma polémica a sua morte e sobre quem terá levado a cabo a sua execução. A versão oficial é de que terá sido um partisan. Os partisans eram uma tropa não regular que combatia a ocupação nazi pela resistência, sabotagem e roubo. Surgiu sobretudo na Europa de leste em especial na Jugoslávia pela mão de Tito que viria a ser o primeiro presidente daquele país unificado. Os partisans faziam parte da resistência italiana que combateu Mussolini durante o seu regime. Outros há, porém, também apontados como autores dessa execução, entre os quais Sandro Pertini, na altura membro da resistência italiana, fundador do parido socialista italiano e mais tarde presidente da Républica. Outra versão passa por forças especiais britânicas cuja missão secreta seria recuperar acordos secretos e correspondência entre Churchill e Mussolini. Este conflito constituiu um passo decisivo para a extinção, pela sua ineficácia, da Sociedade das Nações, que viria a ser substituída pela ONU em Outubro de 1945.

A Etiópia, um dos países mais antigos do mundo, reconquistaria a sua independência em 1941.

*3. “Um, Nenhum e Cem Mil” é a tradução dada a esta obra em outras edições.

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Outras obras de LP                                                                                

Peças de teatro:

O Torniquete” (1899/1900)

Esta noite improvisa-se, 1930 (trilogia “O teatro no teatro”);

Assim é se lhe parece, 1917;

Seis personagens á procura de um autor, 1921 (trilogia “O teatro no teatro”);

Glascuno a seu modo, 1924 (trilogia “O teatro no teatro”);

Cada um a seu modo, 1924;

Os gigantes da montanha, 1936;

Ensaio:

O Humorismo, 1908

Romances:

O falecido Dr. Pascal, 1904;

Poesia:

Mal Giocondo, 1889;

Contos

Kaos e outros contos cecilianos.

 

 

 

 

 

Psicólogo clínico. Mestre em Políticas e Gestão de RH pelo ISCTE em 1995. Membro da Associação Portuguesa de Psicologia, Sociedade Portuguesa de Grupo-análise, sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Rorschach e métodos projetivos e membro da Sociedade Internacional de Rorschach. Docente no ISCE de 1999 a 2007. Aposentado. Ex Dirigente da DGRSP nas funções de Diretor dos Estabelecimentos Prisionais de Viseu, S. Pedro do Sul e Lamego. Foi Diretor do Estabelecimento Prisional de Sintra e Adjunto do Diretor do Estabelecimento Prisional de Lisboa.

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