Fazer a Cultura

por Rui Macário | 2013.12.22 - 16:56

Utilizando a construção “espanhola”, há Amar e há “fazer o Amor”. Recuso-me a aceitar que haja Cultura e “fazer a Cultura”. Cultura existe e constrói-se sobre si mesma ancorada na relação de uma comunidade com o seu Meio, integrando o natural devir que tudo o que é orgânico implica; não se faz, É – com o determinismo ou a indeterminabilidade dialética que todas as questões ontológicas implicam.
A Cultura é um dos casos de noção subjectivamente aceite (como o Belo e o Bom, entre outros), cambiante mas potencialmente lata para que todos possuam uma visão válida da dita, uma visão que a cada satisfaça e defina (permitindo aproximação a outros com similar noção e delimitação quanto aos que partilham paradigma diverso). As políticas do Espírito são construções que enclausuram e falham, no virar de página – por mais marcante que seja a sua vivência e imposição.
Façam-se exposições, faça-se teatro, faça-se música. Resultará no processo uma comunidade consciente de si mesma com as expressões culturais que lhe são adequadas ao tempo. A sua Cultura será o registo da sua existência ao longo dos tempos. Semear só traz colher passadas as estações e a primeva cultura era essa do deitar à terra e esperar “fruto”.
Em Viseu, definiu-se o que se pretende através da voz do Sr. Presidente da Câmara, Dr. António Almeida Henriques: “(…)uma cidade de eventos(…)”. É válido e é legítimo; preferências pessoais de lado, havendo múltiplos caminhos este é um deles. Existirão sempre desacordos e necessidades pontuais de clarificação ou adequação a circunstâncias cambiantes mas há uma Ideia [“cultural” e turística, já agora] de Cidade e isso é ponto principal. Falta o resto mas temos de começar por algum lado; e começar pelo princípio parece-me bem…
Não querendo limitar adesões pessoais: Boas Festas. Que haja reflexo da Cultura através do labor dos seus cultores no ano que se aproxima: nesta cidade de Viseu, são muitos e bons na sua maioria.

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto), Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso). Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

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