Faz um ano

por Rui Macário | 2014.11.05 - 13:32

EUDAIMONIA

 

 

Há um ano atrás (mais dia menos dia) escrevi o primeiro EUDAIMONIA. A preocupação basilar era a de poder contribuir para um planificar de ideias múltiplas (ideias únicas são por princípio adversas a qualquer sistema democrático) numa plataforma ampla.

O estado do Estado piorou e muito, o estado da Europa degradou-se (muitíssimo), o estado do Mundo é inalcançável surgindo apenas um percurso entre o medo e o fervor de uma mudança benéfica que eventual e inevitavelmente surgirá de algum escombro.

Nas lides mais próximas ao nosso viver, foi um ano de implementação possível de algumas das linhas motrizes dos executivos municipais que então iniciaram funções (no distrito de Viseu, em muitas autarquias). As escolhas que então se prometiam, ou se iniciaram já e principiam a dar fruto (quando não redundando em fracasso pré-anunciado ou mal executado) ou se perderam em meio a outras preocupações.

Na “cultura” o Museu Grão Vasco avançou claramente para o que aparenta ser o desígnio convicto do actual Director: a classificação como Museu Nacional; as autarquias da antiga Beira Alta promoveram mais ou menos adequadamente o que entenderam ser a sua endogeneidade e têm conseguido trabalhar num tácito paradigma de cooperação; parece cada vez mais claro que vai existindo a tal cidade-região que o então recém-eleito Presidente da Câmara Municipal de Viseu afirmava querer; a CIM Dão-Lafões impõe-se (externa a si!) lenta mas com alguma causalidade; o Teatro Viriato consegue, a par do Teatro Regional da Serra do Montemuro, da BINAURAL e da inevitável ACERT, adequar-se ao tempo e impor uma visão estética e social que se transforma em fonte (por acção) de receitas e reconhecimento – trabalhando a par com as instâncias políticas de um modo diverso do anteriormente possível; ainda vamos tendo museus e centros interpretativos inaugurados de fresco enquanto outras valências já instaladas se perdem na má manutenção/actualização/gestão mas vão soando a caso menos frequente; a comunicação social de âmbito local “levou uma volta”, com o surgir de novos projectos e com o atrair de outros, “estrangeiros” à geografia (como o Porto Canal que estendeu uma perninha à cidade de Viseu); as novas filosofias de ligação estratégica fizeram perder parte da guerra com Coimbra e Aveiro, procurando simplesmente esquecer que existem e ir ao Porto fazendo o Porto vir até Viseu.

Do percurso (político regional) que até 2013 existia tenho saudades de pouco e se o mundo fosse a região de Viseu quase que parecia encontrar agora esse benigno passo de futuro. Há desafios – curiosamente e de modo generalizado, menos oposição – para cada um dos executivos municipais, sendo-lhes ainda assim possível, margem de manobra e de algum erro. Transformem-nos (aos já Beirões) em Beirões (com esta ou qualquer outra designação em que comunitariamente nos possamos rever) em vez de viseenses, ou tondelenses, ou que mais seja, e os exemplos múltiplos do que podemos almejar convergem para alguma amplitude de sucesso. Um exemplo de tudo isso (ou reflexo desse andar) é o livro que será apresentado no dia 15/11/2014, na ACERT, “Artes e Ideias da Desconcentração” da autoria de João Luís Oliva, onde tratando “as coisas culturais” o faz com pronúncia alargada, dando à geografia vasta que emoldura a tal Beira Alta um mesmo peso, pendor e relevo. Ver a todos ajuda a construir o todo.

 

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto), Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso). Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

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