Turismo & Ensino Superior

por Rui Macário | 2014.05.04 - 11:12

Viajar até Espanha é Hoje em dia, novamente uma questão de proximidade absoluta (que compensa a deslocação por motivos económicos ou ligações comerciais, por exemplo), ou então, de vontade explícita. Isto porque vivendo nos distritos eventualmente “raianos”, não se perspectivam facilidades no acesso mais ou menos directo – ir a Espanha voltou a ser acção clandestina “por montes e vales”, se desejarmos escapar ao controle endémico (e respectivas portagens) das ex-SCUTS concessionadas. Fazê-lo de Viseu a Salamanca – que é mais rápido e objectivo que viajar até Bragança – comporta aprioristicamente encher o depósito do lado de lá e visitar as Galerias Gildo (um pouco diversas do que eram há uns 20 anos) tudo antes de seguir até à cidade Universitária.

A curiosidade de Salamanca (com aspas) é a de viver do turismo (com boas razões), sendo seguida de perto pelo impacto económico que a dita Universidade lhe traz. Curiosidade porque assim se assume como paradigma de um conjunto vasto de outras cidades: as que procuram viver do turismo (com seu sector da restauração e hotelaria), para lá de investimentos gigantescos na manutenção do seu património e criação de estruturas ou valorização das existentes (equipamentos culturais como museus, galerias, etc.), absorvem parte dos períodos “mortos” com as dinâmicas geradas pelos estudantes universitários que a par, são agentes de dinamização ou divulgação do próprio sector primário (o tal turismo). Deriva da conjuntura criada, uma agradável ou sustentada qualidade de vida para os seus habitantes.

Qualquer cidade que procure dinamizar o sector turístico, embora não necessite de uma Universidade ou polo de ensino superior, tem aqui o “parceiro” ideal.

Também em Espanha se vive a euforia dos apoios às “pymes” (PME`s), como em boa parte do mundo, como modelo de salvaguarda do imediato e empregável (antes não desempregável) conjunto de população que não acederá a empregos públicos ou à grande indústria. Uma cidade de turismo e ensino poderá ter um tecido “pymesco” em torno ao existente patrimonialmente e ao gerado no contexto da valorização do conhecimento mas dificilmente será exportável (o paradigma não o pressupõe embora quase todos os colossos económicos nasçam PME). Se Viseu quer ser turismo, tem de ser gastador no mesmo e amplo no número de agentes “em que investe”; tem igualmente de ser prolífico, contra-corrente, na garantia da manutenção e eventualmente elevação do ensino superior em Viseu, para que sustente ou “invente” a inovação que diz desejar. Universidade em Viseu? Sim, ainda faz sentido, já que com esta política nacional, os politécnicos correm o sério risco de perder o que de bom fizeram e a tanto custo (e dedicação).

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto), Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso). Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

Pub